sábado, 29 de outubro de 2005



Olá, meus queridos blogueiros de plantão: voltando a publicar textos inéditos neste dileto espaço virtual, tirei a tarde de sábado para preparar esta super-homenagem à Sétima Arte: ao longo desta semana, vocês terão a SEMANA ESPECIAL - Cinema, começando hoje com uma crítica sobre o filme Batman Begins, recentemente lançado em vídeo, juntamente com um breve esboço sobre as adaptações de heróis dos Quadrinhos para o Cinema que vêm por aí...



O menino que vê seus pais serem assassinados em sua frente e que, depois de crescido, treina para combater o mesmo crime que o afetou, na caótica Gotham City onde cresceu, transformando-se num grande detetive... Essa estória todos já conhecem dos quadrinhos do Batman, que, desde 1939, já passou por inúmeras transformações e adaptações, tendo a mais recente, Batman Begins ("Batman começa", infelizmente sem tradução em Português), chegado às locadoras desde o último dia 6. Entretanto, apesar de todos aqueles elementos de que falei há pouco estarem presentes no filme, alguma coisa parece ter faltado nesta superprodução...

Com 2 horas e 20 minutos completos de filme (quase tão longo quanto o melhor fime baseado nos Quadrinhos, Superman - O Filme, de 78), Batman Begins é minucioso em cada detalhe que, de acordo com o diretor e co-roteirista Christopher Nolan (o mesmo do surpreendente Amnésia), leva um menino de 9 anos, traumatizado com o assassinato dos pais, a tornar-se o maior detetive do mundo - "de acordo com" Nolan, sim, uma vez que o diretor, com a intenção de desenvolver um filme autoral, "recriou" muito do universo do herói na transposição para as telas, o que acabou gerando uma certa dose de polêmica entre os ardorosos fãs do Morcego (entre os quais me incluo) e os fãs de um bom filme-pipoca baseado em gibis.

Senão, vamos aos tais "detalhes" - primeiro, a história foi "recontada": Bruce Wayne (vivido por um muito bom Christian Bale, em excelente caracterização) "desce aos infernos" literalmente, vindo, inclusive, a cometer crimes (!); daí, conhece o misterioso Ra's Al Ghul (vilão pouco conhecido do grande público), que tenciona destruir grandes metrópoles, como Gotham, com suas mediocridades; eis que Bruce acorda de sua letargia e finalmente percebe o que precisa ser para realmente fazer justiça! Para tanto, usa toda a sua fortuna, auxiliado por seu mordomo Alfred (Michael Caine, definitivo), na construção de um "símbolo" para defender sua cidade de pessoas como o mafioso Carmine Falcone, o louco Espantalho, além de confrontar-se mais uma vez com o árabe Ra... Até aí, tudo se parece com uma grande estória em quadrinhos, não? Só que é aí que a coisa muda de figura: Nolan construiu um filme extremamente realista, o que pode desagradar muitos fãs destas adaptações, vindo a cometer certos desvarios, como a acentuada redução de cenas espetaculares e a quase anulação do destaque dos vilões! A ênfase vai mesmo para Bruce, o ser humano, muito mais que para o próprio Batman (que só aparece depois de uma hora de projeção!).

O que muita gente esquece, porém, é que o diretor foi amplamente auxiliado por um roteirista e fã dos quadrinhos do Homem-Morcego, Charles Goyer, que introduziu bastante fidelidade ao filme ao adaptar trechos das séries de revistas Batman Ano Um e O Cavaleiro das Trevas, ambas do gênio Frank Miller, que, por sua vez, reformulou o herói na década de 80, tornando-o mais humano nos quadrinhos... Tudo isso, acrescido ao detalhismo de Nolan, faz de Batman Begins uma experiência imprescindível, verdadeiramente um ótimo filme, ainda que tenha praticamente banido a meninada da frente da telona, situação que pode ser corrigida em vídeo - embora, na minha opinião, seja missão quase impossível: longe da magia impregnada no primeiro filme de Tim Burton, talvez seja melhor esperar pelo retorno de outro herói da DC Comics, que começará a voar novamente nos cinemas a partir de junho do ano que vem...



Ou ainda aguardar um pouquinho mais e descobrir se novos filmes renderão o mesmo encanto de outros famosos heróis das revistinhas...

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Exatamente na semana em que Pelé comemora 65 anos de idade (último domingo, juntamente com a minha mãe e com a amiga Lelinha), nada mais justo do que relembrar esta pequena homenagem que fiz ao Rei do Futebol no ano passado, quando da comemoração dos 35 anos do milésimo gol, e que adaptei para os dias atuais...



Em tempos de futebol brasileiro em baixa e à venda, nada melhor do que forçar um pouco pela memória e relembrarmos uma época maravilhosa e em preto-e-branco, onde, há trinta e seis anos, um Rei, o único e mais completo com a bola no pé (ou na cabeça, ou no peito, ou na coxa...), chorava pelas criancinhas, pelo milésimo gol, pela plenitude, a alimentar-se, posteriormente, da eterna magia de 1.282 bolas na rede...

O ano era 1969. O Presidente era o Gen. Costa e Silva e o País vivia sob a sombra do AI-5, o início do "milagre econômico", o fim da inocência do iê-iê-iê da Jovem Guarda (com o negro fim dos Beatles) e o início dos anos de chumbo... As imagens da TV eram em preto-e-branco e branco e preto também eram as cores de um time então tricampeão paulista (além de dois títulos mundiais interclubes, três Torneios Rio-São Paulo e mais seis campeonatos paulistas naquela década), graças, em particular, a ele (e em grande parte também a outras duas lendas santistas parceiros do Rei, Coutinho e Pepe), Pélé, o já consagrado Rei do Futebol (antes mesmo da definitiva consagração com o tri de 1970 e apesar das duras marcações e conseqüentes "anulações" nas copas de 62 e 66), e que, naquele ano em especial, marcaria o Mundo do Futebol de uma forma inédita: tratava-se do milésimo gol, feito de pênalti (e pênalti seria menos gol?), contra o Vasco da Gama (logo contra o Vasco? Por que não contra o Bahia, um jogo antes, em pleno Nordeste?), na histórica partida da também histórica Taça de Prata (antecessora do atual Campeonato Brasileiro)...

Logicamente que aquele jogo não marcou pelo placar (2x1 para o time paulista) ou por algum "caráter decisivo" da partida (o Fluminense venceria aquele torneio): todos voltavam suas atenções para o Maracanã naquele 19 de novembro, naquele que poderia ser "o jogo do milésimo gol de Pelé" - e foi, depois de mais uma "arte" do futebol-arte do Rei (parece que ele se jogou, não?): jogo interrompido, Sua Majestade erguida nos ombros, discursando pelo social e por ele mesmo, a chorar feito criança, tal como aquele moleque de 17 anos, já sensação na Copa de 58 pelos gols espetaculares (como aquele "chapéu" dado contra o País de Gales, um dos mais bonitos), quando chorou feito um bebê depois da vitória contra a Suécia na Final - várias faces de um mesmo homem, menino, Rei ou Deus do Futebol (ou do Soccer, uma vez que se aposentou no New York Cosmos), o mesmo que criou a "paradinha" na hora do pênalti, o soquinho no ar na hora de comemorar um gol e as jogadas geniais na sua completude como jogador (centro-avante, ponta, meia-armador... e até goleiro!), tendo pecado somente fora da arte da bola, quando pensou que poderia ser ator, compositor, empresário e até político... Ou, quem sabe ainda, "formador de opinião"!

Enfim, a justiça foi feita: o preto no branco, a cor negra do brasileiro na cor branca da bola, no preto mais famoso do mundo, preto ou branco, no branco e preto do Alvinegro praiano, no preto e branco das imagens de arquivo e do fundo de nossas retinas felizes... Tudo isso para René, um dos maiores zagueiros da história cruz-maltina, orgulhoso da implacável marcação ao Rei naquele histórico jogo (apesar do "pênalti", "cometido" por outro back, Clodoaldo), que lamenta, hoje, a falta de memória do País...

segunda-feira, 24 de outubro de 2005


"Você está se sentindo com sorte, 'punk'?"


Ueba! As armas venceram a parada! Eu acabei de comprar a minha para matar umas pessoas só para comemorar!... Mas que papelão o Governo gastar cerca de 500 milhões de reais para um referendo que, na prática, pouca coisa mudaria, além de servir apenas de embuste para a completa falta de políticas públicas na área da segurança (afora tantas outras, é claro!) - até a pergunta, completamente mal formulada, dava sinal do samba do crioulo doido que foi esta palhaçada, apesar de tanta gente ter levado a sério! O certo era votarmos nulo e fazermos pressão contra este governo para apresentar algo de mais concreto! Mas sigamos, de preferência em linha reta, e exijamos mais rigor no combate à violência de uma forma geral! Senão a coisa fica mais ou menos como na declaração do traficante Xaxim, do Morro do Dendê, no Rio, em entrevista a um jornal carioca: "no começo eu não dei bola pra essa coisa de 'reverendo', porque eu não gosto de religiosidade, mas daí, quando me explicaram melhor, pô, a gente aqui do morro é do sim, porque, quando precisar fazer nossos 'assalto', o cara não vai trocar tiro com 'nós' e aí a gente 'roba' na paz!"... Rá, rá, rá, é brincadeira? Não, não é: mais engraçado foi mamãe tentando ensinar sobre o Referendo para a diarista que presta serviços à nossa casa há mais de 20 anos, a "Comade" Cristina, uma senhora semi-analfabeta tão simpática e bondosa, mas que nunca está a par do "Brasil Oficial":

- A 'Comade' vai ter que votar no próximo domingo se é a favor ou contra o comércio de armas no Brasil!
- Como é que é, Senhora?
- Vai ter que votar sobre as armas! - quase aos gritos, porque ela tem um "probleminha" de audição.
- Eu não gosto de arma. No bairro onde eu moro tem muito bandido!
- Pois é, então a senhora vai dizer se quer ou não um Brasil sem armas, votando "sim" ou "não"!
- Então eu sou "não", Senhora, não quero arma com ninguém!
- Não, a 'Comade' vai votar "sim"!
- Não, Senhora, eu quero é "não", não gosto de arma!
- Por isso mesmo, é "sim", porque a senhora vai dizer sim ao desarmamento!
- Ai, Senhora, isso é muito complicado!

A mais pura verdade foi dita por ela: é, 'Comade' Cristina, esse Brasil e esse Governo são muito complicados... E, apesar de ser da paz e nem possuir arma alguma, repasso um texto muito espirituoso que anda circulando pela internet, sem autoria definida, que recebi por e-mail e que aproveito a ocasião para jogar na ROTATÓRIA de hoje. Afinal, com esta macacada política sobre a segurança, só nos resta dar boas risadas!


A WEB ME DISSE!


Antes, eu tinha certeza de que ia votar no NÃO e ninguém ia me convencer do contrário. Mas o tempo foi passando, entrei nas comunidades do SIM e do NÃO no orkut, ouvi propagandas na rádio e na TV e os argumentos do SIM me convenceram. Vou votar SIM. Sabe por quê? Vou dar 7 motivos:

1. Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo: ano passado me roubaram quatro mísseis stinger!

2. Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer usar de toda forma para entrar em minha casa e trocar tiros comigo! Eles adoram fazer isso!

3. Descobri que se o NÃO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinta à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir a uma loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar!

4. Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo!

5. Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender. Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO!

6. Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido! E, o que é melhor, sem usar armas!

7. Descobri que o governo quer que a gente vote SIM. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública e etc. vem melhorando cada vez mais, dia a dia... E se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela!!!

(Autor desconhecido)

sábado, 22 de outubro de 2005

ANIVERSÁRIO

Quis o destino que os dois nascessem quase na mesma data, para que os tolos defensores do zodíaco torcessem o nariz: afinal, ele é do fianalzinho de Libra, e ela, do início de Escorpião, dois signos tidos como incompatíveis e totalmente diferentes...

Decerto que ela, mais romântica e sonhadora, contrasta com a figura dele, bem mais desligado, e que alguns tristes vieses da longa vida a dois, casados há mais de trinta anos, devem ter trazido diferentes lições para cada um...

Quis o destino também que dois filhos de comerciantes de cidades tão díspares no Maranhão - ele, de São Luís; ela, de Pinheiro - se encontrassem e se casassem, trazendo ao mundo meu irmão Dilemberto e eu...

Ele, Carlos Humberto, ou Carlito, para a família; ela, Dilena; eles, meus queridos pais, as duas pessoas que mais amo nessa vida, fazem aniversário neste mês de outubro: ele, ontem, dia 21; ela, amanhã, dia 23. Que sobre eles chovam as bênçãos de Deus com muita saúde e paz, eles que tanto fizeram por mim, em cada passo de minha formação...

A eles, esta singela homenagem, com todo o carinho e com toda a honra de ser filho de uma mulher tão presente, tão honrada e valorosa como D. Dilena, e de um homem de tão bom coração como S. Carlito - ela, a bela e elegante morena das longas madeixas (que agora estão bem curtas) e ele, o bonito magrão dos olhos esverdeados... Pois pra mim eles não envelhecem: eu é que, como uma criança, recorro a eles, rogo-lhes a bênção e lhes peço para que me ensinem um pouquinho mais da vida...

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Aqui no Estado do Maranhão temos dois tipos de notícias: as "oficiais", veiculadas no Sistema Mirante, do Coronel Sarney, que engloba um pequeno império de televisão, rádio e imprensa escrita com o jornal O Estado do Maranhão; do lado oposto, temos o Jornal Pequeno, que surgiu como o próprio nome diz, e que veicula, senão a verdade, mas o que de mais perto se pode ter, bem longe das mentiras do grupo do bigode... E nesse Jornal Pequeno, há uma seção imperdível para qualquer maranhense que se preze: é a Coluna do Dr. Peta, com um jornalista que denuncia de fofocas locais aos pérfidos bastidores da Política local, uma espécie de Macaco Simão melhorado e mais interessante! E no "Colunaço do Peta" deste fim de semana deu tanta coisa boa, que resolvi publicar hoje pelo uma parte na nossa ROTATÓRIA sobre um pouco do fim da Era Sarney, já que por aqui até a micareta é desse povo infeliz...

DEU NO




(...)

DR. PETA URGENTE!!! Terminou em baixaria, palavrões e insultos uma "reunião de emergência", no meio da semana, em Brasília, com a presença de Sarney, Dona Marly, Roseana, Zequinha, Lobão, João Alberto, Jorge Murad, Silas Rondeau, César Bandeira, Mauro Fecury, Clóvis Fecury, Ribamar Fiquene, Chiquinho Escórcio, Lavareda, Olga Simões...!!! Conforme o JP já noticiou, o grupo Sarney está preocupadíssimo com a candidatura de Roseana, em virtude da enorme rejeição por parte da classe política, não só a ela, como, principalmente, ao marido "ex-primeiro-cavalheiro" e "ex-todo super poderoso" Jorge Murad, o "Jorginho da Lunus" e das inesquecíveis baforadas de charuto que tanto incomodavam e humilhavam deputados e prefeitos!!! Umas três semanas atrás, houve a primeira reunião, esta na Casa mal Assombrada, oportunidade em que o nome do senador Lobão teria sido colocado em "estado de alerta", para a eventualidade de uma desistência de Roseana Sarney em disputar as eleições de 2006 para o Governo do Estado!!! Como a 'coisa' piorou, não só pela flagrante rejeição da classe política ao casal como em função desse boicote devastador do Esquema Sarney ao empréstimo dos 30 milhões de dólares para combate à pobreza, fizeram outra "sessão extraordinária", no meio da semana que passou, em Brasília, reunindo a 'nata' do Esquema Sarney, já mencionada acima. Meu amigo, quando ponderaram a Roseana que ela deveria desistir da candidatura, por causa de todos esses problemas, a senadora 'enlouqueceu'. Transtornada, ensandecida, mesmo, começou a esbravejar: "Vocês querem me desmoralizar???!!! Eu sou candidata!!! Eu não vou ficar desmoralizada!!! Quer saber, vocês todos que vão tomar... 'naquele lugar'!!!" Isso mesmo, 'naquele lugar', esbravejou uma ensandecida Roseana, para perplexidade geral, completamente transtornada diante da sugestão do grupo!!! Muito pior que no dia do tapinha no 'Carcará'!!! De nada adiantaram nem os argumentos com relação a uma pesquisa qualitativa, feita por Lavareda, em que Roseana cai vertiginosamente quando entra a pergunta sobre o boicote dos senadores maranhenses ao empréstimo dos US$ 30 milhões!!! E ficou assim!!! Vamos ver qual será o novo 'passo' do "Esquema Sarney"

(...)

Vexame!!! Um verdadeiro festival de incompetência, baixarias, brigas, irresponsabilidades e até mortes (Leia o noticiário policial do JP de hoje). Foi assim a primeira noite do Marafolia, na última sexta-feira, acabando por transformar o "Corredor da Folia" num verdadeiro "Corredor da Agonia"!!! O grande mote da festa esse ano, exaustivamente veiculado na mídia franciscana, foi a "mudança de horário". "Mais cedo, mais seguro, mais charmoso", trombetearam eles ao longo das últimas semanas!!! Pois sim!!! O tal "mais cedo" só valeu para o primeiro bloco - Timbalada. Daí pra frente o que se viu foi a constatação da decadência total da 'micareta'. A banda baiana 'Chiclete com Banana', que entrou logo depois 'Timbalada', atrasou exatos 90 minutos. Isso mesmo, uma hora e meia!!! Depois do "Chiclete", estava programado o "Blocão do Bicho Terra". Estava!!! Não passou!!! Ou melhor, passou sem música. O Trio pifou!!! No total, foram 240 minutos de atraso. Quatro horas exatamente. Passava das duas da manhã, quando, depois de muita baixaria, a cantora Ivete Sangalo deu continuidade à festa. O defeito do trio elétrico que trazia o "Bicho" era o gerador que teria queimado. A solução imediata dos organizadores foi: "O trio vai passar sem música. Não tem conserto. Isso acontece" - dizia uma desesperada Dulce Brito usando a sonorização do 'corredor'. Pasmem!!! E arrematava: "Não é responsabilidade nossa. É do Godão"!!! E implorava para Godão ter responsabilidade!!! Àquelas alturas, os brincantes do "Bicho Terra" recusavam-se a passar sem música!!! Ao mesmo tempo, deitados no chão, no início do "Corredor da Agonia", impediam a passagem do trio. Ivete Sangalo, que vinha logo atrás, bateu o pé e não aceitou que outro trio substituísse o defeituoso. O impasse foi resolvido com um outro trio elétrico. O já 'sucatado' trio "Ilha", de propriedade dos organizadores, foi deslocado do 'rabo' da fila e nele, na base do improviso, foram alojados os músicos do "Bicho". Dezenas de foliões sentaram-se no chão e não se conformaram. Queriam passar antes da Ivete. Aí veio o pior. Um outro diretor do Marafolia, senhor Marcelo Aragão, pegou o microfone e anunciou. "A Ivete vai passar agora". Foi a senha. As duas carretas (o trio de apoio) investiram para cima dos brincantes do "Bicho Terra" em alta velocidade, pondo em risco a vida de milhares de pessoas nos camarotes. Para quem não sabe, esses trios têm centro de gravidade alterado e até mesmo nas estradas são obrigados a trafegar em baixíssima velocidade. Uma carreta dessas desgovernada causaria uma verdadeira tragédia!!! Como resultado de todos esses transtornos, houve uma revolta geral que desencadeou uma série de tumultos e brigas por tudo quanto é lado, fora e dentro dos camarotes, com muita gente ferida e duas mortas, uma delas um estudante do colégio Cegel, funcionário do Hospital Getúlio Vargas!!! Ô noite!!!

(Colunaço do Dr. Peta, Jornal Pequeno, 16 de outubro de 2005)

sábado, 15 de outubro de 2005

Pelo antes combinado, o previsto era para que eu publicasse ontem, como venho fazendo toda sexta com um novo capítulo das Novas Cartas Chilenas... Entretanto, pela absoluta impossibilidade de tempo de ontem e diante da total falta de atenção de meus blogueiros de plantão quanto à minha novela virtual, resolvi cancelar as Novas Cartas mais uma vez, por total insucesso, e decidi republicar um texto que fiz no ano passado quando da morte de um grande ídolo da infância, Cristopher Reeve, que imortalizou o Super-Homem e que morreu no dia 10 de outubro do ano passado...

Super-Homem Morreu

Era março de 1984 e eu dava os meus primeiros passos - pela segunda vez - em uma nova escola em busca de novas interações sociais: "Tu viste o filme de ontem?", "Vocês viram o Super-homem?" "Viram aquela cena em que ele gira o mundo ao contrário?"... Desta vez o assunto era muito melhor que o da semana anterior onde prevaleciam apenas "qual o teu nome?" e "qual o teu signo?" - agora os primeiros contatos com um super-herói cinematográfico, ainda que pela televisão, eram mais do que suficientes para o meu definitivo entranhamento social no novo colégio no novo bairro para onde então acabara de mudar-me, tantos eram os detalhes a compartilhar com meus novos amiguinhos...

Mais ou menos um ano depois foi a vez da continuação passar na TV e mais uma vez o assunto não iria faltar, novamente numa nova escola (agora a definitiva, até o fim do 2º grau): os duelos no ar com os três vilões de Krypton, os efeitos especiais... "E o Super-homem se casou?" É, parecia que sim, só que, no final, parece que se separou e que salvou o mundo mais uma vez...

Super-Homem, o mais completo dos super-heróis, criado em 1938 por Jerry Siggel e Joe Shuster - à época dois jovens estudantes e que terminaram seus dias em velhices pobres e sem reconhecimento -, naqueles idos dos anos 80, já passara por duas felizes adaptações para o Cinema (uma em 78, outra em 80), ambas com exorbitantes êxitos de bilheteria, mas nada disso era de meu conhecimento: o que importava mesmo era que a Globo pela primeira vez - e em sua então única sessão de inéditos, Supercine - exibia cada uma das fantásticas aventuras daquele personagem maravilhoso...

Tampouco importava se Marlon Brando - "quem era Marlon Brando?" - ganhara mais de três milhões de dólares por apenas alguns minutos de participação no primeiro longa ou se, nos créditos iniciais, o nome de Gene Hackman surgia primeiro que o de Christopher Reeve - e quem era Christopher Reeve afinal, já que, estreando com 24 anos com aquele filme, nem mesmo os nossos pais o conheciam?...

Ele era o Super-Homem, aquele que voava e era indestrutível, que, quando surgia, vinha com uma música maravilhosa para se assobiar... Ele era aquele que veio de Krypton para nos salvar e de Hollywood para nos tirar da mesmice sem fantasia em que vivíamos, órfão de heróis, bem antes do anabolizado e marqueteiro He-Man e seus similares... Ele era o Super-Homem, tanto que, apesar de saber que ele só existia dentro do filme (na época os únicos quadrinhos que eu lia eram os da Disney), se um dia ele viesse nos salvar, na realidade, do jugo de um coronel déspota então Presidente e nos restituir a glória como Gil cantou certa vez, quem apareceria na imaginação de todos seria aquele bonito e carismático ator - que, na verdade, era o Super-Homem...

Aos poucos eu fui crescendo. Vieram os outros dois filmes, Superman III e Superman IV - Em busca da paz, ambos ruins e sem magia; outros heróis também invadiram as telas, incluindo Batman, de 1989, que acabou se tornando o meu favorito porque só a partir de então passei a colecionar esse tipo de gibi. Vieram os novos heróis criados por mim em meus quadrinhos caseiros na passagem da infância para a adolescência. Vieram os primeiros namoros e as primeiras responsabilidades. Vieram também as inúmeras reprises na Globo para o conhecimento das novas gerações e novas atuações de Reeve em vários outros filmes, na busca desenfreada para fugir do seu eterno estigma... Não adiantava, ele era o Super-Homem, apesar de bom ator e versátil também em outros papéis...

Foi então que mataram o Super-Homem: a fim de aumentar as vendas do personagem que andava um pouco esquecido nos quadrinhos, os mercenários desenhistas e redatores da editora DC Comics criaram um vilão meia-boca para destruir o herói numa estória que vendeu milhões - e repetiram a presepada milionária para "ressuscitar" o azulão, "modernizando" assim o herói nas revistinhas... A frustração continuou na TV, onde terminaram de "enterrar" o Super-Homem: um ator medíocre com cara de mexicano vestia o uniforme de maior prestígio dos quadrinhos numa ridícula série televisiva, sem saber que só houve um Homem de Aço, apesar de outros atores terem representado o personagem antes de Reeve...

E, há mais ou menos uma década, o Super-Homem se feriu mortalmente: foi quando Christopher Reeve, adepto do hipismo e de todos os seus acessórios de segurança, e mesmo com os seus eternos poderes sobre-humanos, acidentou-se gravemente praticando o esporte, ficando tetraplégico desde então, numa eterna luta em favor das pesquisas com células-tronco, que, assim como numa estória de ficção, poderia ajudá-lo a movimentar-se novamente - luta essa acompanhada de muita determinação e trabalho, chegando a atuar novamente e mesmo a dirigir, de sua cadeira de rodas, uma refilmagem para a TV do clássico Janela Indiscreta... Tudo isso até sua morte, neste último domingo, de insuficiência cardíaca.

Tom, Kubrick, Sinatra, Nelson, Mastroianni, Brando, Quintana e tantos outros gênios das artes morreram e me deixaram tristes pela sensação de perda de um grande valor artístico, como se parte da Música, do Cinema ou da Literatura morresse também um pouco desde então, tamanha a intimidade e a cumplicidade que pareci desenvolver com eles através de suas obras... Entretanto o contato que aprendi a ter com cada um deles foi a partir de meados da minha adolescência, diferentemente do que aconteceu com o Homem de Aço: apesar de Reeve nunca ter sido um gênio da arte dramatúrgica do Cinema, foi ele o responsável por representar o maior super-herói de todos os tempos, o que acabou marcando minha memória de infância, imprimindo e forjando a eterna imagem do ser perfeito de roupas extravagantes que sempre nos defenderá a todos com seus superpoderes do inarredável caminho da morte, uma vez que sempre me restará a possibilidade de voltar o tempo até alguma cena da minha infância, onde acompanhava com entusiasmo, em frente ao televisor, as aventuras do herói que nunca morre...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Sejam bem-vindos, queridos blogueiros de plantão, ao meu "novo" espaço virtual: na prática, continuam os mesmos Morcegos, só que em casa nova, por tempo indeterminado! Continuem a acompanhar a Coluna Lateral, com a Imagem da Semana, o Blog Destaque da Família Morcegos e a republicação, abaixo, dos três primeiros capítulos das Novas Cartas Chilenas, a mais "maldita" das novelas virtuais, já publicados no Weblogger...

Hoje mais uma vez peço licença para entrar na ROTATÓRIA, onde tantos amigos já desfilaram seus talentos, por ocasião de mais uma picar... digo, micareta, no caso, o Marafolia, que se realizará nestas terras a partir da quinta, dia 13 - o texto fez parte da coluna Vertebral do ano passado (quando do aniversário de 10 anos deste tosco evento), mas continua extremamente atual, como se tivesse sido escrito há alguns minutos... Também, o que esperar da imutável e insuportável "Axé Music"?...


VERTEBRAL




Marafolia... Dez anos de Marafolia... Desculpe-me, leitor incauto, pelo ruminar alto de meus pensamentos, mas é que estou um tanto bestificado diante do tempo em que reina esta absurdice chamada Marafolia, mais uma das várias micaretas deste país tropical que teima em ser carnaval o ano inteiro...

Por aqui, terra de coronel, até folia tem dono, que é o mesmo do Maranhão - tanto que uma tal "Sanfolia", tentativa de furar o "eixo", vingou apenas um ano... "Tá procurando sarna pra se coçar", pergunta a música: não, obrigado, nós já temos sarna demais pra todo lado... E assim o grupo do bigode estende os seus desmandos pela área das "festas populares" - que de popular só tem a tal "pipoca", onde os foliões mais desafortunados pulam ao som distante dos blocos oficiais, onde varia de 150 a 400 reais um abadá!

E por falar em abadá, um pedaço de tecido sintético que, transmorfado em outras peças como 'tops' ou "micro-saias", e somado a outras tiras de roupa, como os ínfimos 'shorts' atochados, compõe o "figurino" oficial do corredor polonês da Avenida Litorânea (esbórnia na praia: nada mais brasileiro!) - não sei bem onde esta "tradição" de micaretagem começou, mas parece que se está diante de algo tribal soteropolitano, onde proliferam termos africanos como "bandanas" e "axés"... Até mesmo este estranho nome, micareta, parece vir de algum dialeto sudanês, do qual também não tenho a mínima idéia do significado, mas cuja noção já está perfeitamente sedimentada como um "carnaval fora de época", com épocas previamente organizadas de forma harmoniosa com todas as outras folias de diferentes regiões do País, mais especificamente no Nordeste, onde parece que tudo começou, quando no Ceará, abriram o tal "Fortal" e todas as bestas-feras da picaretagem axé-babá passaram a acumular uns trocados com o então boom da marqueteira música baiana - se estiver errado quanto à origem, perdoe-me: além de não ter feito nenhuma pesquisa de campo, não tenho a menor intenção de ser experto no assunto...

E tome "Carnatal", "Recifolia", "Micarina", "Carnabelô", para citar só algumas das "geniais" combinações de capitais brasileiras com a tal folia carnavalesca - tantas que um amigo desocupado da Faculdade agendava-se de acordo com os luxuriosos folguedos: "nesse final de semana eu estive no Fortal; daqui a alguns dias vou para Teresina... vou a todas!"

E as coisas esdrúxulas ("Micarecandanga"?!) não encerram por aí: além de bobagens absurdas como as "danças da manivela" e "da boquinha da garrafa" e de nomes de bandas como "Babado Novo", tudo já está ficando ultrapassado, já que o duvidoso conteúdo axé parece não agüentar mais que a moda de apenas uma estação - até nas rádios o "fenômeno" parece ter morrido, sendo substituído, pelo menos no Nordeste, pela peste do "New Forró" e do "Apokalypso" -, as "mentes criativas" do "estilo" baiano parecem vir apelando para pais de santo e cânticos de macumba: só assim para justificar os "maimbê, maimbê-bá-bá", os "zum zum zumbaba" e os "mugegé-mugegé" que vêm tomando o lugar das antigas exacerbações vocálicas "a ê, a ê, aê, ô ô ô ô ô ô" das composições afro-arretadas...

E assim, ainda que somente num grande e agressivo jogo de 'marketing' onde, a ferro e fogo, ainda sobrevivem (e somente lá) os ritmos ainda assim chamados da "axé music", micaretas como a Marafolia e tantas outras ainda resistem com um relativamente cativo e tolo público que ainda as sustenta, numa repetição do mau gosto que continua a contrariar as mais concretas e otimistas previsões de que aquela explosão de carnavais fora de época do início da década de 90 duraria pouco... Que pena! Só sei "que o corpo estremece" de desgosto ao ouvir a turba "levantar poeira", com uma "mãozinha na cinturinha" e a "outra no ombro", numa vagabundagem esticada demais para um Brasil só, onde a efêmera e vazia sensação de orgia tropical, além de nunca saciar o nosso povo pagão por natureza, parece não ter mais fim...

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