terça-feira, 24 de junho de 2008

E Viva São João!


Falo do Maranhão... E porque todo mundo sabe que o Nordeste ferve quando o mês de junho chega, num carnaval diferente, de raízes, cheio de folguedos com origens nos cultos pagãos a santos católicos, tome Bumba-meu-boi, que todo mundo sabe que é lindo, ainda que haja tantos que o confundam com o Boi-Bumbá... E mesmo que haja outros bumbas no Nordeste, posso garantir sem medo de nenhum cascudo que o daqui é o melhor, mais bonito e o mais rico de manifestações e sotaques (caráter da percussão que embala as toadas)! E porque hoje é São João, publico um texto antigo de minha autoria, que simboliza um outro lado do que seria essa noite de sonho num arraial perdido no tempo e no espaço de algum ponto no interior desse meu Nordeste maravilhoso de meu Deus...


Vitória de São João

O Dia desaparecia. Ia com ele a luz do Sol, a claridade se esgueirando com fachos amarelo-avermelhados se escondendo por entre nuvens acinzentadas, formando um lindo contraste – coisas de Crepúsculo...

A Noite não queria vir. Pelo menos era isso que aparentava. Mas a Lua já despontava no meio do nada claro-escuro, com um quê de indecisão – que não se sabia por quê... Finalmente vinham as Estrelas, a despontar como uma centena de faróis, a acender numa espécie de seqüência – claro, numa ordem explicitamente ensaiada!

A Lua – gorda! – ficou envergonhada de sua gigante aparência diante da multidão daquele arraial lá embaixo e puxou para si, com braços de luz, um lençol de Nuvens pretas, a tomar o céu de assalto: veio o Homem da Chuva, deslizando e comandando cada pingo fino, leve, médio e grosso, que vinha em cima da fogueira, do boi e do quentão. Veio a Tempestade. O Raio desceu, várias vezes. Acendeu o escuro, cortou o fundo. Rachou uma árvore. Desceu bem na cabeça de S. Zé – coitado!

A turma da Chuva não queria ir embora e passou a noite toda pensando em São João. Em meio àquela situação, a Lua acabou por discutir com o Sol por trás da cortina de água e o Sol parece ter vencido, coisa que só deu para perceber depois que este surgiu com ar de vitória, tão baixa foi a discussão. E as Nuvens, aos pares, abriram caminho para aquela pompa tão amarela e quente, sobre os restos da animação da brincadeira que, apesar de tudo, nunca se acabou: veio então a Manhã, a trazer de volta o calor do fim da festa, com o Sol a secar o cheiro do mato molhado... Secando a madeira molhada da fogueira...

quarta-feira, 18 de junho de 2008



Há quatro anos, meu querido avô paterno deixou esta vida para trás... Não costumo abordar minha vida pessoal neste espaço, mas, curiosamente, nenhum desses anos passou em branco quanto a uma lembrança ao amado Seu Sebastião, que, mais ou menos como o mártir católico e padroeiro do Rio de Janeiro, teve seus últimos momentos na Terra vividos com intenso sofrimento...

Escrevi há alguns anos o poema Se foi santo, onde lembrava que ele, com o nome de santo (nascido em 20/01), morrera no dia de outro, Santo Antônio... Por isso, estas mal traçadas linhas terão o peso de homenagear sua memória nestes dias de festejo junino...

Mas não há como falar do Seu Sebastião sem mencionar o fascínio da nostalgia que ele em mim eternizou para todo o sempre – não que ele fosse melancólico, de forma alguma. Mas as estórias e histórias que sempre tinha pra contar da vida boêmia maranhense de outrora, de seus amores e aventuras, sempre permearam nossas conversas... E o que dizer das primeiras sensações musicais em sua casa experimentadas? Lá conheci e aprendi a amar Moreira da Silva, Martinho da Vila, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Ismael Silva, Jamelão, Paulinho da Viola e, acima de todos os outros, Nelson Gonçalves, um dos mais importantes cantores da música brasileira de todos os tempos, cuja coleção reunia inúmeros LPs na casa de vovô...

Saudade do cheiro daquele tempo e de coisas que não voltam mais (quem ouviu aqueles “bolachões” sabe muito bem que o compacto som dos CDs, mesmo apurando os chiados, nunca substituirá a grandiosidade daquelas antigas gravações, especialmente nas tais “remasterizações”) – “herdei” alguns LPs, as fotos, pouquíssimas, estão aí, mas nada mais é como antes... Nelson se foi em abril de 1998 (apesar de ter prometido, numa entrevista, cantar até o ano 2000... Quase...), com um disco então recém-lançado, com gosto de “despedida com passar de cetro” para as novas gerações; S. Sebastião, em 2004 e, no último sábado, o bom ranzinza Jamelão, grande intérprete (“puxador” nunca!) do bom samba, deixou a Mangueira e seus fãs mais tristes...

Mas, como diria o poeta (no caso, dois brilhantes, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), “Em Mangueira, quando morre um poeta, todos choram”, Jamelão ficará entre os desfiles, com suas ligas de mão, na eterna liga entre o passado das belas canções de intérpretes magistrais de outrora e os saudosos de hoje que, como eu, relembram seus grandes mestres... Pelo menos em minha mente nunca se encerra o ciclo de ouro daqueles cantores de grandes vozes, interpretações dramáticas e de grande apelo popular, iniciado nos idos de 1940, onde meu coração sempre respirará a “boemia” de Jamelão, de Nelson e, principalmente, de meu amigo Sebastião...





Adeus ainda a Cyd Charisse, cujas pernas e gingado encantaram uma legião de fãs da época de ouro dos musicais norte-americanos...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A Todos Os Namorados...

Aos possíveis e aos impossíveis, aos reais e aos de fantasia, aos certos ou duvidosos... Aos de décadas e aos de meses... Perfeitos ou acabados, incompletos ou sonhadores... Aos surpreendentes... Aos que nunca descansam... A todos os que querem e se propõem a amar... Felicidades!

O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...


Reza a lenda que o Tom deixou a canção prontinha para que o Chico pusesse a letra... Mas como o "profissional é confiável, mas o artista, não", Chico por muito tempo só deixou no ar que já tinha o primeiro verso, "Vou te contar...", ao que o Tom, um belo dia, encheu-se: "Vou-te contar que esta letra 'tá difícil... Deixa, Chico: eu que vou contar...". E contou lindamente sobre as idas e vindas do amor, como uma onda...

Wave
Tom Jobim

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossivel ser feliz sozinho

O resto é mar
É tudo que eu não sei contar
São coisas lindas
Que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossivel ser feliz sozinho

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver


Ao Mestre, com Carinho...
Com Açúcar e com Afeto...



Ao compositor que mais entendeu do amor e das mulheres, que as cantou e as deixou serem cantadas... Pelos sambas eternos, mesmo quando contra a corrente (e por isso mesmo), pelos múltiplos tons que formou e pelo verde e rosa, pelas canções de amor e de amigo, pelo trovador cronista e político de todas as épocas, pelo craque em todas as tabelas, pela perfeição... Meu obrigado, velho Chico, paratodos e todas as mídias: parabéns pela flor da idade de teus 64 anos (dia 19/06) mais que bem vividos!

E, para todos os que amam e sabem do que estou falando...



O Que Será (À Flor da Pele) (Tema do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos): para um melhor aproveitamento, antes de "tocar" o vídeo, desligue "Dueto", que toca ao fundo, na caixa no canto superior esquerdo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Os Heróis Têm Idade?

Nessa salada russa, só Harrison Ford salva: não foi a idade do herói que atrapalhou...


Ainda guardo na lembrança Indiana Jones e A Última Cruzada nas telas do hoje extinto Cine Passeio (atualmente uma loja de sapatos): enquanto acompanhava o cavalgar dos 4 cavaleiros rumo ao horizonte (Indiana, Professor Henry Jones, Marcus Brody e Sallah, respectivamente Ford, Connery, Denholm Elliot, pouco antes de morrer, e John-Rhyes Davies), eternos heróis (especialmente àquela hora, em que pai e filho já haviam bebido do Santo Graal e, por conseguinte, de acordo com a lenda, adquirido vida eterna...) num desfecho memorável de uma trilogia pra lá de especial que revolucionou o Cinema, pensava com meus botões se algum dia veria filmes tão inteligentemente divertidos como aquelas três rasgadas homenagens de Lucas e Spielberg aos seriados das matinês dos anos 30...

Seguiu-se a fria década de 90 e com ela a quase total ausência da “magia do Cinema” (com exceções como Matrix, de 99)... Mas, curiosamente, ao longo de toda aquela década, ouvíamos rumores de que aqueles dois revolucionários cineastas tinham interesse em retornar com aqueles que foram seus maiores trunfos entre os anos 70 e 80: Guerra nas Estrelas e Indiana Jones!

Infelizmente, nem preciso dizer o quão decepcionante foi acompanhar a tosca segunda trilogia espacial de Lucas, sem um pingo da inventividade ou da inteligência da original, restando tão somente uma panacéia de efeitos tolos e de atores mal dirigidos... Seria esse o mesmo destino do arqueólogo maior das telas? “Não, Spielberg já recusou inúmeros roteiros, porque quer um filme perfeito para esse grande retorno”, afirmavam com precisão amigos como Ricardo Alexandre, tão ansioso por ver novamente o herói de nossas infâncias nas telas... E olha que roteiristas do cacife de Frank Darabont e M. Night Shayamalan foram recusados: não havia como dar errado!

Mas deu... Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal nada mais é que uma colcha de retalhos dos elementos que marcaram a trilogia original (os diálogos e personagens carismáticos, as cenas de ação... Só que sem o brilho e a sustância de outrora) somada a uma estorinha que, infelizmente, não se sustenta por si só: Indiana tem de resgatar um amigo (que seria o seu pai, se Sean Connery não tivesse sido sensato depois de idiotices como A Liga Extraordinária e pulado fora do barco, aposentando-se antes) na Amazônia, que saberia o grande segredo do tal Reino da Caveira de Cristal do título, um lugar mágico, possivelmente cheio de tesouros e cobiçado desde os tempos da colonização... Parece bacana, não? Ainda mais se os nazistas seriam substituídos à altura pelos russos da década de 50 em plena “caça às bruxas” norte-americana aos comunistas; a personagem Marion Ravenwood voltaria encarnada pela encantadora (e sumida) Karen Allen de Os Caçadores da Arca Perdida; e Indiana, de quebra, teria um filho como parceiro... Mas, meus caros, tudo não passa de uma grande canoa furada dos novos tempos vazios, que lutam arduamente para trazer aquele gostinho oitentista de volta...

Lembro-me ainda do Sr. Spielberg afirmando com convicção que o filme “traria o menor número de efeitos especiais possível, a fim de homenagear as raízes do personagem e das primeiras produções”... Mas não foi isso que aconteceu! Será porque, tal como correm os boatos, Spielberg quereria agora homenagear não os seriados dos anos 30, mas os filmes-B dos anos 50, época da trama? É, isso explicaria o besteirol de tantas criaturas pululando em cenas inconseqüentes e desnecessárias (como as formigas gigantes do Amazonas e os índios “mutantes” do Peru, algo mais perto de A Múmia do que de Indy...) ao longo do filme... Mas isso explicaria um roteiro tão esvaziado sobre a vinda de alienígenas à Terra e suas influências sobre antigas civilizações, do jeitinho das teorias pra lá de conhecidas de Eram Os Deuses Astronautas (e ainda mastigadas à exaustão no filme)? E explicaria também uma Cate Blanchett sem graça e caricatural como a vilã russa? E Indiana como uma espécie de agente secreto a serviço da CIA desde a Segunda Guerra, escapando de uma explosão nuclear dentro de uma geladeira? E o que dizer do excesso de exageros (não digo de o herói sempre se livrar das balas, mas do absurdo de seqüências que beiram os atuais filmes de super-heróis ou mesmo desenhos animados!) e de efeitos especiais, usados a todo o momento, sem um mínimo de noção, apenas para justificar a falta de história para contar?

É, meus caros, o problema não foi a idade do herói (Harrison Ford é, de longe, a melhor coisa do filme), mas é uma grande pena que seja ele a única justificativa para se olhar aquele “velho amigo” dos anos 80 em ação outra vez... A trama desinteressante e o excesso de excessos sepultou de uma vez por todas o que era para ter acabado naquele crepúsculo dourado de 89... Rezemos para que aquela série televisiva chinfrim, que contava as aventuras do jovem Indiana, não volte agora, nos cinemas, na pele de seu filho (Shia LaBeouf): pelo menos é o que nosso amigo arqueólogo deixa a entender quando pega o chapéu do chão da igreja no dia de seu casamento (sinal de aposentadoria?), algo como “Mesmo com a burrice dos ex-mestres Spielberg e Lucas, eu sempre serei Indiana Jones e mais ninguém tomará o meu lugar”. Amém!


Família unida: e quem quiser que conte outra... Melhor não!
Para os fãs de série, clique no quadrinho do lado esquerdo do canto superior da tela (ao lado do pôster) para ouvir o tema do personagem
Mais informações e curiosidades sobre o filme, visite o 'site' AdoroCinema.Com

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