segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Snoopyyyyy..."

"Ei, meu amigo Charlie Brown"


Charles Schulz era um sujeito alegre e cem por cento (a despeito do que revela o livro não muito aceito pela familia do cartunista, "Peanuts and Schulz: A biography", escrita por Harper Collins, que insinua que Schulz seria o próprio deprimido Charlie Brown, com todas as tirinhas baseando-se na sua vida pessoal...) e seu enorme sucesso mundial através de Snoopy o fez imortal, mesmo depois de 10 anos de falecimento... Com ele morreu uma turma de meninos com problemas e visões de gente grande, com um cachorro que amava Jazz, coelhinhos e sabia viver a vida melhor que todos em sua volta: Schulz, até seus derradeiros 77 anos, era quem escrevia e desenhava as tirinhas do mais famoso e sarcástico beagle do mundo...

Eu, que conheci a turma do "Minduim" através dos desenhos dublados no SBT ("Que puxa..." - diria Charlie Brown na versão brasileira, com a voz que depois ficaria imortalizada com o personagem Chaves), só vim a conhecer suas geniais tiras nos livros de coletâneas que até hoje compro. Na verdade, as animações eram coletâneas de várias dessas tiras, montadas em estorinhas de meia hora em média.

Para relembrar um pouquinho desse universo inteligentemente sempre divertido...







terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção..."


..."Cantando só teus olhos/ Teu riso, tuas mãos/ Pois há de haver um dia/ Em que virás"... O oscarizado Orfeu Negro, sem dúvida, envelheceu, mas a canção que o imortalizou mundo afora, Manhã de Carnaval, continua melodicamente bela, a idealizar um carnaval suave de amor eterno... Um pouco diferente dos 50 beijos diários das "ficadas" em cada bloco perdido por este País de hoje em dia, onde carnaval dura o ano inteiro, em intermináveis, comerciais e sem-graça micaretas!

Certa feita escrevi "Sempre chove nos carnavais/ Lágrimas temporais/ escorrem./ E um grito abafado/ Na lama/ É pisado por algum folião distraído"... Mas, atormentado pela barulheira de um infernal retiro evangélico numa escola pública quase ao lado de minha casa nesta manhã de carnaval ensolarada aqui em São Luís (curiosamente não tem chovido!), os Morcegos de hoje nada trazem da tristeza poética que costumeira e macariamente exalo nos 'posts' da temporada de Momo: prefiro recordar um carnaval com tom infantil, tipicamente maranhense (apesar de também existir em algumas outras cidades nordestinas), por trás de uma máscara de papel machê...

Ô-Lá Lá...

"O carnaval é a festa maior/ Tem colombina, ô, tem dominó/ No jogo do baralho/ Quem se espanta é o fofão - ôlálá!"... Assim cantava um clássico do samba-de-enredo maranhense da Escola Flor do Samba, referindo-se a antigas figuras populares maranhenses nesta época do ano, em especial ao fofão, "monstro" carnavalesco composto de macacão inteiro de chita (tecido barato), com guizos nos punhos, pau numa mão (para dar o tom "assustador") e, na outra, uma bonequinha (se tocar nela, tem que dar um trocado para o fofão!) e com a clássica máscara de pano ou de papel machê... Hoje em dia, como não poderia deixar de ser, muita tradição já mudou: com a máscara artesanal substituída pelas de borracha, que imitam demônios "halloweenianos", e sem a popularidade de outrora, os fofões, hoje, parecem seres em extinção...

Uma pena: eu mesmo, ao som de clássicas marchinhas e sambas inesquecíveis (bem longe das imbecilidades modistas de 'rebolation-xon-xon' e afins) fui um fofão, quando menino de 10, 12 anos (embora a brincadeira não tenha idade: adultos podem "transformar-se" também), e me amarrei na clandestinidade na hora de assustar crianças menores ou ao jogar maisena (pó branco de farinha de amido de milho) em algum folião desavisado ou ainda chegar mais perto das menininhas incautas, com a minha então tímida identidade preservada... Bons tempos que não voltam mais, de uma festa mais pura, numa manhã de carnaval perdida em algum ponto remoto de minhas retinas fatigadas...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"A eterna desventura de viver
à espera de viver ao lado teu..."

Sempre admirei canções que marcaram por um verso ou uma estrofe, ao ponto de serem sempre lembradas, marcadas inclusive por releituras, como a que Caetano fez em Eu sei que vou te amar (maior canção de amor já feita!), onde recita cantando, bem no comecinho dos primeiros acordes, “Céu, tão grande é o céu/ E bandos de nuvens que passam ligeiras...”, relembrando Dindi, outro clássico de Tom. O que dizer da genialidade de Chico Buarque com "Não se afobe, não/ Que nada é pra já/ Amores serão sempre amáveis"? De cantarolar-se mesmo por muito tempo, em citação eterna... Longe de qualquer dessas eternidades, gostei muito de ter escrito "Na inconseqüência de nos dizermos objetivos e racionais, sigamos atônitos e perdidos na eterna crônica do amor bandido entregues às sensações mais banais...", que acabou sendo o próprio poema Eterna crônica do amor bandido, da mesma forma que gostei da essência de "Da boca pequena/ Que mal abres/ Justamente saíram/ As palavras/ Que me guardaram de ti" (de Partindo de volta para a nuvem mais alta distante de ti) ou ainda de "É para você que escrevo/ Estes diálogos de uma boca só,", que acabou batizando esta "decalogia", cujos cinco poemas "finais" apresento agora aos incautos e sempre apaixonados blogueiros de plantão...

Eu mesmo comecei, no poema Até, parafraseando o ótimo samba do mestre Buarque de Holanda, Até segunda-feira, ainda ironizando as juras e promessas feitas sem chão diante de um amor... Mas, antes mesmo de brincar com os amores "cafajestes" e de sacramentar de forma dura e até amarga sobre o "fim" do amor, em meio a medos e ameaças de casais perdidos, covardes ou assustados, deleitei-me, como num antigo sarau mágico, em descobrir-me vivo apaixonando-me numa "Balada da noite única"... Porque, nem que tenha durado apenas uma noite inquebrantável e cheia de ritmos e rimas, já terá valido por toda uma vida...


Diálogos de uma boca só
Parte II

Até

Até segunda-feira
Até mês que vem
Até segunda ordem
Gosto muito de ti...

Até em tua dura lógica
Por sobre o teu sorriso calculado
Gosto de te admirar
Através de tua lente objetiva...

Gosto até de teu jeito manso,
Meio desligado até,
De esfinge sem propósito
Como que a me devorar
A cada enigma frio
De teus olhares em silêncio...
– E até...


Balada da Noite Única

Nem que fosse só por esta noite
Tudo seria inesquecível
Eu seria notável.
Os assuntos teimariam em ser interessantes
E a química entre nós dois,
Interminável.
Tinha que ser assim
Nem que fosse só por esta noite
Teus olhos nos meus diriam mais do que o normal,
Nossa união, nosso contato
Seria algo inquebrantável
As analogias, todas completamente exageradas,
A paixão latente por sobre
A nossa cegueira inexorável...
Tinha que ser assim
Nem que fosse só por esta noite
Nada mais de direito interessava
Tudo sem ética e sem religião,
Nada mais louvável!
Trocaríamos, enfim, juras silentes de eterna paixão
Com todos como cúmplices de nosso pouco discreto
Enlace admirável...
Tinha que ser assim
Nem que fosse só por esta noite
Por que amanhã, sabe lá Deus como seria
Nós nos fechando e calando toda a magia
– Nada mais lastimável,
A nos defendermos seguindo em frente pelo trivial
Rito das amizades que, começando mal,
Restam apenas no amigável...
Então tinha mesmo que ser assim
Que fosse só por esta noite
Para que pudéssemos viver um do outro
A doação fugidia e eterna de apenas um dia
De uma relação insuperável...


Dedicatória (Legado)

Como verdadeiro cafajeste,
Um perfeito desclassificado,
Sigo a te desejar apenas em poesia:
A ti, enfim, dedico meu único,
Fiel e autêntico legado!


Última Palavra

Como a última palavra
Tinha mesmo de ser dela
(E, a partir de então,
Nada mais ouvirás),
Ela assim encerrou,
Austera:
"Se passares deste ponto,
Morrerás!"


Partindo de volta para a nuvem mais alta distante de ti

Da boca pequena
Que mal abres
Justamente saíram
As palavras
Quer me guardaram de ti.

Chega a ser curioso
Que falaste mesmo
Sobre o teu cenho fechado
E sobre o tanto mais
Que te escancarou para mim,
Ainda que tanto te quisesses resguardar...

E assim,
Antes que percebesses
E que te fizesses medrosa,
Já me havia posicionado
Por sobre a fria nuvem mais alta
Distante de ti...

(Dilberto L. Rosa, 2005)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Diálogos de Uma Boca Só"

Falar de amor é coisa das mais difíceis, que sempre alimentou a gana artística de muita gente, resultando ora em trabalhos belíssimos na Música, na Literatura, ora descambou em filmes, livros ou canções bregamente rasgadas e sem valor apurável... Em 2005, escrevi Diálogos de uma boca só, ironia direta para com o amor, que, embora em tantas vezes se veja numa forçada conversa (entre duas pessoas), termina preso num verdadeiro monólogo com cada interlocutor desiludido dentro do par... Sem querer, acabei tecendo 10 poemas que me renderam páginas das mais importantes que fiz, seja pela dimensão do trabalho (uma "decalogia" que, mesmo sem pretensão, possuía diferentes estilos literários para cada poema, guardando individualidades interessantes dentro dum conjunto harmônico), seja pela felicidade de, mesmo não tendo ligação aparente entre si, serem 10 formas interligadas e que se completam, 10 casais diferentes (ou um só...), 10 faces de se abordar uma felicidade que nasce arrebatadora, esquenta os mais pueris devaneios e acaba por não engrenar, “um amor que é, mas não foi”... Simples assim, sem culpas, sem mistérios: a dor e a tristeza de se amar e, por fim, não se ter...

Apresento hoje os 5 primeiros poemas, num total de duas partes, a fim de a você, meu querido e incauto blogueiro de plantão à espera de um grande amor, apresentar estes Diálogos de uma boca só...


Diálogos de uma boca só

Literalmente

Literalmente
Deitei-me nas quentes nuvens de sons
Vindas de teu coração hesitante
Ou mesmo das profundezas
De teu corpo freneticamente aberto
Para mim
Oriundos do navegar tétrico
Dos sonhos enlouquecidos
De minha amarga
E carente
Solidão
– Tudo mesmo um grande solilóquio
Sobre nada mais que os teus olhos
Antes de teu rosto
Que me lembravam algo
Maior que eu...


Versos Clandestinos

Escrevi-lhe um livro inteiro
Na clandestinidade
No apagar das luzes
Da madrugada
Ao longe da repressão.

A você eu propus
As fugas mais libertárias
Nas maiores reações
Em versos presos e sufocados
De poeta fingidor.

E, ainda que não digam tudo
Que os seus olhos tateiam em descobrir,
É para você que escrevo
Estes diálogos de uma boca só,
A procurar em sua boca
O gosto da saliva esquecida
E o retorno em silêncio
De nossa conversa morta.


Fleuma

Porque guardo em mim a fleuma
Do garoto eternamente rejeitado
Pela garota mais bonita do bairro,
A solidão que me guarda
Os versos soltos que te faço
Mente a minha própria condição
De poeta plenamente saciado.


Eterna Crônica do Amor Bandido

Na inconseqüência
De nos dizermos
Objetivos e racionais,
Sigamos atônitos
E perdidos
Na eterna crônica
Do amor bandido
Entregues às sensações
Mais banais...


Quimera

Se fosse em outra era
Era de se considerar
Nós dois numa quimera...!

(Dilberto L. Rosa, 2005)

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