quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vale a pena... Feliz Natal! E até 2012
(se o mundo não se acabar...)!


Apesar do esquecimento do simbolismo do nascimento do menino-Deus, trocado pelo banal consumismo dos papais-noéis dos 'shopping centers' e dos filmes televisivos de festas brancas de neve com meninos ricos da face rosada, o Natal brasileiro da comilança regada à cerveja nas casas dos tios, da breguice dos enfeites de plástico a imitar símbolos do hemisfério norte e da hipocrisia das confraternizações dos escritórios ainda é bom: ao menos uma vez no ano há um convite forçado à reflexão! Infelizmente, muitos se incomodam com tal "forçação" e acabam por ir na contramão da alegria da festa, deprimindo-se e, por tantas vezes, cometendo suicídio... De fato, parece que você TEM que estar feliz por sobre todas as coisas feitas no ano findo e cheio de crendices tolas em torno de planos vazios para um futuro próximo. Por isso é hora de desanuviar e esquecer este "portal mágico" entre o "fracasso" do ano que se encerra e o "feliz ano novo" perfeito na imaginação que se aproxima: mesmo tendo uma vida inteira gostado de Matemática na escola, números me são hoje supérfluos (a não ser aqueles nas contas dos caraminguás para dar conta de todas os carnês de dezembro!); sendo assim, entre 2011 e 2012 existem apenas números de dias e meses em branco a serem preenchidos com a mesma determinação que se espera no dia-a-dia sem magia de cada um de nós... E uma virada insuportavelmente chata de fogos, bebedeira e muita zoada! Já o Natal, não, esta noite, mesmo com todos os poréns, ainda é mágica: abrace forte quem você ama de verdade (porque amanhã poderá já não abraçar...), coma e beba com moderação, celebrando a vida e faça uma prece silenciosa por aqueles que o incomodam ("eles não sabem o que fazem..."), pois esse é o sentido do Natal! Bem, pelo menos foi Isabela quem me disse isso e estou repassando: afinal, sem tradução, muito pouca gente entenderia "nenenês"! E, se nesta correria que a vida nos impõe não der tempo de comprar um cartão e sobrescrevê-lo com belas mensagens, mande um 'e-mail', um cartão virtual, um torpedo, uma mensagem via Facebook, uma tuitada: a ideia é a mesma - vide abaixo o genial comercial português "Natal Digital", da Excentric ("Os tempos mudam. O sentimento continua o mesmo"), sobre como seria se o nascimento de Jesus fosse nos dias atuais. Assista e se divirta! Vale a pena... Feliz Natal! E até 2012 (se o mundo não se acabar...)!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Reminiscências de Robocop

Recém-saído de uma audiência e com uma lista de compras a serem feitas, talvez ainda desse tempo de levar um ventilador para consertar antes de correr à casa de mamãe para apanhar Isabela e de descer até o Ministério Público para pegar Jandira: afinal, a única assistência técnica autorizada daquela marca que eu conhecia ficava na São Pantaleão, logo ali no Centro.

Entregue o ventilador, lembrei-me de que o supermercado, apesar de perto, responderia por mil voltas intrincadas no complicado trânsito de ruas estreitas e disputadas a tapas do Centro Histórico de São Luís; por isso, preferi ir a pé, uma vez que a lista não estava tão cheia de itens e um pouquinho de exercício até que poderia fazer bem – especialmente para alguém que estava um bocadinho acima do peso como eu...

Subindo, cheio de pensamentos, a Rua da Inveja (em São Luís preferimos, já há muito tempo, esquecermo-nos dos nomes oficiais dos homenageados e, aos poucos, ficar com os “apelidos oficiais” que, não me perguntem as origens, dominam qualquer lista telefônica local), deparei-me com o grande prédio amarelo esbranquiçado de esquina com a Rua do Norte (aquela onde a “Marrom” Alcione nasceu) onde passei uma enorme parte de minha vida... Todos os pensamentos fugidios das coisas a fazer desvaneceram-se numa fração de segundo vindo a ser imediatamente substituídos por uma infindável e igualmente rápida série de picotes mnemônicos da saudosa época do colégio...

Apesar de algumas diferenças estéticas, o portal de grade principal, bem como o portão de madeira da entrada lateral, ainda eram os mesmos, com uma hoje pequena escadaria, mas que já guardou grandes dimensões para corpos um tanto mais diminutos se acumularem aos montes, sentados nos degraus a observarem o “mundo de fora” por trás das grades enquanto Gregório, o porteiro, não abrisse para todos comermos nossas sagradas coxinhas na cantina em frente... Mas agora já não havia Gregório e o portão estava aberto, convidando-me a entrar...

Ao adentrar o palco das minhas memórias colegiais, um frio na barriga já me perguntava o quanto que tudo havia mudado e sobre o tanto de coisas que viriam à tona com aquela volta no tempo... Quase que vejo, logo na entrada, Cláudio Fernando e Sérgio conversando animadamente sobre uma cena "proibida" de algum filme de Neville de Almeida, e, logo em seguida, Fred e Geraldo tecendo suas infames piadas de duplo sentido com algum incauto colega (com Fabiano sem perder tempo nalguns beijos indiscretos em Camila, ao fundo), quando, subitamente, acordo com dois guris correndo, quase me atropelando em desabalada carreira – ou seria eu que estava parado demais no meio do caminho, preso no tempo?

Acordado, pude perceber que era o mesmo Dom Bosco onde passei praticamente toda a minha vida estudantil, dos 7 aos 17 anos, com algumas modificações: logo no pátio ladrilhado de azul, senti falta do bebedouro e dos compridos bancos de madeira, mas o auditório continuava lá no fundo (e com o mesmo problema na porta, que facilmente se abria para eu ver uma professora cabisbaixa enquanto uns dois alunos terminavam uma prova); logo depois, a cantina, ampliada, encontrava-se fechada, e as “casinhas”, todas abertas.

Explico: este colégio foi um aproveitado de espaço físico bastante inusitado – agregado ao prédio principal de 4 andares havia vários anexos que se foram intercalando ao longo de mais de 40 anos de existência (hoje a instituição de ensino Dom Bosco, que conta até com uma faculdade, foi construída em terreno próprio, que se localiza no nobre bairro do Renascença)... Assim, além da quadra ao lado do pátio, há as várias "casinhas" de dois andares de um conjunto vizinho que foram incorporadas àquela escola com o passar do tempo (na minha época, o colégio já tinha mais de 15 anos de existência, tendo meu irmão mais velho, Dilemberto, estudado lá), formando um grande conjunto heterogêneo de arquitetura interessantemente ‘sui generis’.

E de uma dessas casas sai uma senhora que, despedindo-se afetuosamente de um meninão comprido que parecia um aluno (estava à paisana) e, do alto dos seus aparentes 50 e poucos anos, pergunta se eu estava procurando alguém. Respondi-lhe que não e, tentando brincar, perguntei-lhe de volta se ela estaria preocupada com a minha presença estranha em seu colégio, exatamente uma semana depois do massacre da escola no Realengo – Veja que não carrego nenhuma mochila... – acrescentei em falso humor negro, no que ela negou prontamente, dizendo que aquele era o horário de os meninos saírem e que muitos pais a procuravam, no que emendou, com a ajuda de algumas interlocuções de curiosidade minhas, sobre as dificuldades de ser uma diretora de um colégio público (no caso, o Sotero dos Reis, que atualmente alugava as dependências do que havia sido o colégio particular em que estudara ao longo da vida), onde havia alunos dos mais variados tipos (em seu dizer, “bons, violentos, filhos de pais violentos ou negligentes, afora os especiais...”) e problemas dos mais difíceis de resolver...

Contei a ela que, além de aluno, também havia sido professor de Redação naquele colégio, logo após eu ter concluído o 2º grau (nem completara 18 anos e já enfrentava turmas inteiras de "meninos" dos 14 aos 17 anos!) e por isso toda aquela propriedade me era muito cara. Por fim, perguntei-lhe se poderia vasculhar minhas memórias pelas salas e corredores do colégio, no que ela concordou e se retirou conversando com uma professora, acho que já se esquecendo da sua conversa-desabafo que acabara de travar comigo...

Às vésperas de fim de ano, normalmente somos tomados por uma sensibilidade barata e lembranças outrora vagas se tornam precisas e necessárias, mas não, não narro esses acontecimentos no atual mês de dezembro, véspera das intermináveis listas de coisas a fazer e a comprar de fim de ano e época oficial do sentimentalismo: como já deve ter dado para perceber, tudo isto se passa um pouquinho atrás no tempo, em maio deste ano, poucos dias depois do meu aniversário – Meu Deus! – pensei comigo naquele dia – Saí do Dom Bosco com 17... Acabei de fazer 34... A metade da minha vida atrás... Para trás... Vida em descida, porque nunca mais nossa vida subirá uma montanha-russa como aquela, não com tantas descobertas... É... De lá pra cá é só descida... Até eu subir outra vez...

O que se seguiu foi um cinematográfico desfile do que costumo chamar de Reminiscências de Robocop, tal qual naquela bela e intimista sequência do genial filme de 87, onde o ciborgue percorre a casa onde morou, então à venda, em busca de respostas para os ‘flashes’ de uma possível memória sobre os acontecimentos de sua vida humana quando era vivo, tinha esposa e um filho: a cada sala, corredor ou escadaria que eu percorria vinha uma cena viva interagir comigo, com o Dilberto de então recém-completados 34 anos encontrando os Dilbertos das mais diferentes idades – como o de 7 anos, tímido em meio aos meninos já enturmados no ‘playground’ de quando entrei naquela escola (no que hoje só havia o espaço vazio, sem os escorregadores, balouços e gangorras onde, bem mais solto que naquele início, brincaria ainda muito com amigos como Rita Lavor e Ricardo Alexandre) ou o de 17 anos, recebendo, novamente muito tímido, a quarta medalha como “campeão” dos simulados de vestibular num auditório lotado de colegas do terceiro ano...

Visitava pontos então desérticos, escuros e cheios de restos de cadeiras e mesas abandonadas, e, de repente, inúmeros alunos e conversas agitadas de tanta gente do meu passado vinham à tona: no "barracão" (anexo de outra casa, esta incorporada ao Dom Bosco por último), onde estudei a 6ª série, consegui, com dificuldade, subir os degraus ora cheios de tralhas que levavam à minha turma de 89 - e vejo aparecer Henrique Spencer que, ao me ver subindo, cumprimenta-me com sua impecável imitação da célebre cena do personagem Robocop levantando a arma da coxa e atirando (com direito a "efeito sonoro bucal" à Michael Winslow imitando o som dos tiros) e dali então seguíamos nós para a biblioteca a fim de "estudar os fenômenos fantasmagóricos" daquele local, tal qual no filme Ghostbusters (aquilo era uma farra para nós, mas acabamos levando todo o resto da turma a crer que havia mesmo "forças sobrenaturais" ali!)...

Depois de todos eles "desaparecerem", desci a hoje acabada escadaria externa e, passando por baixo da caramboleira (ainda de pé, mas hoje muito mais parecida com a árvore de Poltergheist!), vi surgir um sem número de meninos e meninas brincando no recreio, com Jimmy catando soldadinhos (um insetinho com as asas pretas, levantadas em riste) para jogar dentro das camisas dos desavisados... Passei pelas "arquibancadas" da quadra vazia quando, do nada, surgia Dennis em minha frente, saudando-me com um "que a Força esteja com você" e imitando os trejeitos de Darth Vader, enquanto me mostrava o mais novo número dos X-Men antes de uma bola chutada com força passar raspando o seu cabeção...

Vi-me de novo sentado nas escadas de perto da minha turma, onde fui flagrado conversando muito proximamente de uma amiga que então chorava por mim enquanto uma colega da minha então namorada via tudo ao passar, descendo do judô... Presenciei várias aulas memoráveis e momentos engraçados de colegas nas salas onde estudei ao longo de tantas séries - os moleques puxando as calças de moleton dos desavisados; eu, no "cantinho da solidão" da sala 300, "recebendo as visitas" de Danielle Baldez e de Adriana; Stênio e Jonathas jogando xadrez; as meninas bonitas, de malha, fazendo alongamento nas aulas educação física... Encarei quão pequena era aquela quadra improvisada entre as casinhas, mas que era tão grande quando eu tentava me lançar nalgum time na hora do recreio, no que costumeiramente era rejeitado do alto de meu péssimo futebol aos 10 anos (o que não mudou muito quando, aos 16, passaram a me aceitar, mas somente no gol)... Senti de novo o friozinho na espinha do primeiro beijo em Jandira, no corredor do banheiro (e os dedos de Andrea, a primeira namorada e aquela "mais-velha-que-eu-cinco-anos", num cafuné perto da secretaria... Bom, melhor deixar essa história pra lá).

E, tal como no ‘frisson’ de uma volta completa num carrinho de montanha-russa, minha viagem chegava ao fim depois de andar por todo o espaço físico daquele colégio que foi minha vida ao longo de 10 anos... E, já fora do colégio, logo em seguida a emocionar-me derradeiramente com a fachada de entrada da Rua do Passeio, com seus azulejos tombados (e arrancados ou quebrados, na sua maioria) e com a histórica placa de bronze com o nome do colégio, emendei minhas reflexões com a vontade de escrever sobre tudo aquilo.

Reminiscências de Robocop... Termo interessantemente afetuoso vindo de um filme tão violento (ainda me lembro dos sustos que tomei ao vê-lo pela primeira vez em 89)! Talvez fixe na mente daqueles que aguentarem ler-me em mais uma de minhas longas crônicas neste blogue (textos longos são mal-vindos na célere loucura que é a ‘internet’). Talvez mesmo venha a se tornar um termo esteticamente referencial, uma nova analogia ‘pop’! Ou não, talvez seja apenas uma forma criativa de nomear o que cada um guarda dos seus 'flashes' de lembranças, apenas um recurso que arranjei para emendar uma crônica longa ou ainda só um título interessante, pelo despertar de curiosidade do leitor...

De qualquer forma, só agora pude escrever sobre isso, sobre as tais reminiscências. Até arrumei tempo algumas vezes, desta vez não será ele o vilão – tenho "todo o tempo do mundo", tenho 34 anos (e 7 meses) e sou jovem ainda -, mas parece que esta era a hora... Já vivi duas metades da minha vida e tento gostar do segundo lado do disco tanto quanto do primeiro – mas confessando ansiar rasgadamente por um 'big hit', um “novo clássico” no lado B, nem que seja na faixa derradeira... Nossa memória é o que nos mantém vivos: pra ir e voltar é só começar...

O certo é que, de lá pra cá, já tive tantas outras reminiscências destas... Como no dia em que minha mãe se mudou para o novo apartamento no Recanto dos Vinhais, depois de anos no Bequimão/Maranhão Novo onde morei até me casar - ocasião em que eu, num intervalo entre os carregares cima-abaixo de caixas e memórias perdidas pelo chão junto à poeira depois de o grosso ter sido levado pelos carregadores da transportadora, pude arrumar uma chance de tirar fotos com o celular dos principais cantos do apartamento – e, pela primeira vez, guardar minhas Reminiscências de Robocop duma forma mais tecnológica: na memória do ‘smart phone’, para depois, quem sabe, transferir por ‘bluetooth’ pra qualquer lugar ou carregar aquelas imagens de um claro esmaecido à Geofrey Unsworth num ‘pen drive’ qualquer... Assim, depois de tantos estrangeirismos tecnológicos, eu poderei ver em qualquer tela adoráveis reminiscências junto à minha família em cada ponto do meu antigo lar arquivado em 'megapixels' - mas que só eu serei hábil a ver...

Ou ainda, mais recentemente, numa manhã de feriado em que embalava Isabela pra dormir e ela, aproximando-se da “fonte” das cantigas que eu entoava, ficou por alguns instantes apoiada em seus gordos bracinhos (mas já não tão cheios de dobrinhas...) a me encarar bem próxima, para, logo em seguida, arriar sobre o fundo da rede e adormecer – naqueles segundos em que ela me olhou atentamente, seus olhos me perguntaram tanta coisa... Como se eu estivesse me perguntando algo que eu já havia esquecido: meu Deus, sou eu! Nunca Isabela se pareceu tanto comigo como naqueles segundos... Era eu, diretamente de uma das minhas fotos antigas em preto-e-branco, como que a me cobrar as futuras Reminiscências de Isabela... – Acho que serão belas, minha filha linda... Espero que eu te seja belo em tuas lembranças... Que eu seja sempre o teu ícone 'pop', teu herói blindado de titânio, a renascer das perdas e a lutar para se lembrar de mim... E as lembranças seguem soltas, cantaroladas enquanto ela agora me embala para dormir...

domingo, 11 de dezembro de 2011

"Há não muito tempo,
Numa galáxia nem tão distante assim..."


Como diria Chicó, diante de mais um campeão de bilheteria no Cine Taperoá: "Qualquer semelhança é mera desgracença"...


Há tempos que a Veja, a Folha, as Organizações Globo y outras chicas del montón paulista apontam o dedo sujo em riste para o "Governo do PT". Não sou petista; era simpatizante do partido, votava em seus deputados e vereadores com estrelinha na camiseta vermelha, mas jamais me filiei a ele; nunca fiz partidarismo, mas sorria com aquela ideologia interrompida em 89, quando aquelas mesmas chicas promoveram Collor à Presidência. Deixei de sorrir quando vi muito daquela ideologia cair por terra em nome da "governabilidade" - sendo a gota d'água ter visto Lula subir ao palanque com Roseana Sarney aqui no Maranhão (a mesma que, anos antes, ele espinafrava ao apoiar o finado Governador Jackson Lago).

Mas, ainda assim, eu não tinha como criticar: afinal, com o que o "Sapo Barbudo" conseguiu ao alavancar o País internacionalmente e com a massificação de políticas sociais, de ensino técnico e de saúde,voltando-se especialmente para um Nordeste esquecido pelas elites dominantes de até então, quem seria eu para apontar o dedo para o "mensalão" (sim, ele existiu) e chamar o Presidente ou o PT de corrupto, se TODOS os seus antecessores pecaram o triplo e jamais fizeram a terça parte do que foi feito com a "cambada do PT"? Ou alguém aí se esqueceu dos rombos do PSDB, da compra descarada de votos para a reeleição de FHC e das escandalosas privatizações dos 8 anos do "partido correto paulista", para citar somente três pontos arrasadores?

Não, jamais estaria eu maquiavelicamente justificando a pífia propaganda fascista do "rouba, mas faz", Deus me livre. O que eu não tolero é ver a mídia das tais chicas mostrando somente um lado da moeda e escarneando, como um demônio à margem do Paraíso, diante até mesmo de um problema de saúde de um ex-presidente, sem nada acrescentar nem à Política nacional, tampouco à moral e à ética da construção de um País melhor. Ou não é o desejo de qualquer partido político manter-se no poder o maior tempo possível? Sejamos honrados, então, assumindo uma atroz mídia partidária ao invés de vir à frente da câmera recitar a "imparcial" cartilha do titio Marinho...

E tudo isso porque foi lançado um livro especialmente curioso recentemente, A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior (sim, eu sei: aquele mesmo acusado de arapongagem contra pobres filhas alheias) e, pasmem, NADA foi noticiado pelas grandes mídias del montón. Curiosa a imparcialidade dessa cartilha, curiosíssima...

Por isso é que tenho andado com medo de a Dilma, ao querer agradar a gregos e troianos, não acabar virando joguete não de ex-presidente que se abusaria da sua popularidade, mas de uma mídia rancorosa e tão antiga quanto o Inferno e os desastres colloridos de outrora... Cuidado, Presidenta: esse povo é mais blindado e protegido do que a Estrela da Morte do cinema; a senhora, não...

Falando em Star Wars, achei engraçadíssima uma brincadeira feita num inteligente "blogue de esquerda", o Tudo em Cima, onde havia, numa pequena ode à saga de Guerra nas Estrelas, montagens com possíveis capas da Veja e primeiras páginas de jornais como o da Folha de São Paulo se a épica trama de George Lucas fosse noticiada por esses meios de "imprensa" brasileiros (brilhantemente chamados pelo "crítico spam" André Lux de "PIG: partido da Imprensa Golpista") - a coisa toda ficaria mais ou menos assim:






Ao final da postagem, o blogueiro nos lembra que o que parecia uma inteligente brincadeira, na verdade, era mais real do que pensava a nossa vã historiografia...






Meu Deus, tremo só em lembrar uns "manifestantes" contrários ao lançamento do essencial livro do jornalista Palmério Dória aqui em São Luís: pancadaria e quebra-quebra, seguidos de "boicotes" nas bancas e livrarias para que ninguém do Maranhão "ficasse sabendo" de Honoráveis Bandidos... Só tenho a recomendar, Presidenta Dilma, que Vossa Excelência não deixe de ler A Privataria Tucana: tenho certeza de que a senhora, após a leitura, vai achar ridícula a marcação cerrada sobre os seus ministros caídos...


Não deixemos que este livro se torne o "livro invisível da corrupção"...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Senta e ouve minha história"

Jamais publicara este poema sem título de que gosto tanto simplesmente pelo fato de que o Blogspot jamais me deu a opção de deslocar as linhas do verso para a esquerda ou para a direita, conforme o "desenho" que este meu trabalho sempre exigiu... Assim, recorri à gravação do texto no Photobucket como se imagem fosse, dividido em dois: por isso, a visualização dos versos, como imagens, acabou ficando reduzida, devido à sua resolução... Assim, explicadas as limitações desta postagem, eis que publico desta forma, com as imagens ao natural como foram gravadas, e o meu querido blogueiro de plantão esforçando-se em ler a letra tal como ela se encontra...



(Dilberto L. Rosa, 2000)

sábado, 26 de novembro de 2011

"Um lindo Lago de amor"...


Para o "amigo", onde quer que esteja...

O ano era 1997. Não, acho que era... 1998, era, sim. Eu convidei Jandira, minha então namorada de "retomada" (havíamos terminado anos antes e naquela época meio que retomávamos nosso enlace para até hoje), para irmos ao Teatro Arthur Azevedo ver um dos meus "ídolos" de admiração de sempre, Mário Lago, com um ' show' ambientado num botequim e dirigido por seu filho, Mário Lago Filho, sucesso no Rio no ano anterior e agora visitando, enfim, minha humilde e provinciana São Luís. Acho que o nome do espetáculo era "Causos e canções de Mário Lago", mas não tenho certeza... Sabe, minha memória não costuma falhar, mas... Faz tanto tempo...

Era a primeira vez em que víamos um artista consagrado ao vivo. Jandira até sabia do "conjunto da obra" e de algumas marchinhas dele, mas eu o conhecia, sempre admirara sua completude artística! Afinal, de alguém que fizera faculdade de Direito (tal como eu o fazia então) partirem tantos num só, era algo de se louvar: gostava do ator, do compositor de clássicos imortais, do poeta... Do homem simples, comunista e agnóstico ("Deus até está lá, mas é grande demais para que eu pense nEle", declararia certa feita) só não conhecia ainda o lado dramaturgo ou roteirista, mas era questão de tempo. E ele estava ali, entrando no palco de um Arthur Azevedo longe de estar cheio, com sua figura longilínea e sua bela elegância inglesa, de microfone na mão, cantando... Não, acho que as cortinas se abriam com ele já sentado e quem começava cantando era Chamon, cantor carioca que lhe servia no espetáculo como "escada" para a narrativa dos tais causos do título, além de cantar a maioria das músicas (sendo apoio para o velho Lago nalgumas em que este se botava a cantar ainda bem afinado, do alto dos seus oitenta e tantos anos de então)... Ou eles começavam conversando sentados a uma mesa, em volta de músicos também sentados, todos como se estivessem num típico bar carioca... Diacho, não tenho certeza!

Mas tenho certeza absoluta de muitas outras coisas naquela noite, como no momento em que, depois de alguns minutos de espetáculo começado, os funcionários da produção entraram na minha cabine de balcão, bem acima e mais longe do palco (éramos meros estudantes, tínhamos que comprar lugares mais baratos - e com meia-entrada!), avisando que, devido ao grande número de lugares vagos (como podiam os ludovicenses deixar vazio um teatro onde se apresentaria Mário Lago?!), Jandira, eu e os outros da nossa cabine poderíamos ocupar qualquer outro lugar do teatro - Ah, como era melhor ver o velho Lago mais de perto, sem ser aquela figura transcendental e atemporal que só via da TV, sempre alvo e um tanto etéreo (como naquelas lindas cinematografias de Geoffrey Unsworth)! Ficamos na plateia! Ou... Ou teria sido na frisa?

Mais certas ainda são as emoções que posso reviver até hoje, ao relembrar os causos contados com maestria por Mário Lago (muitos deles por mim já conhecidos - mas como era melhor ouvi-los pessoalmente...!) e aqueles sucessos eternos, como a simplesmente genial "Nada Além" (coautoria com Custódio Mesquita); "Aurora" (Se você fosse sincera, ôôô... ai, ai... Parceria com Roberto Roberti); "Atire a primeira pedra" - clássico absoluto de que o velho Lago costumava dizer ter criado os célebres versos "Perdão foi feito pra gente pedir" (considerados por Sérgio Cabral "Pai" como um dos mais belos da Música brasileira) com base numa brincadeira sua bem escatológica... - que compusera ao lado de Ataulfo Alves, parceria que se repetiria na ultrafamosa (e mais-que-injustiçada) "Ai, que saudades da Amélia": poxa, Amélia não era submissa (essa era "Emília", esta, sim, uma forno-e-fogão diminuída: Eu quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar Que de manhã cedo, me acorde na hora de trabalhar! Só existe uma e sem ela eu não vivo em paz: Emília, Emília, Emília, eu não posso mais, diziam os machistas versos de Wilson Batista e Haroldo Lobo, aquele, um desafeto, e este outro parceiro de Lago); Amélia era, na verdade, uma companheirona, que não perturbava quando as coisas estavam difíceis e não futilizava a vida diante das adversidades, como fazia a companheira-personagem atual da canção (em "Ai, que saudades...", Lago relembra como era bom viver ao lado de Amélia)! Belos tempos de liberdades poéticas mal compreendidas...

Mas não há nada mais relembrável até hoje do que o meu "momento-tietagem": pela primeira vez, eu falaria com um grande artista que admirava... Até então, eu sempre me perguntara sobre como eu me comportaria diante de um ídolo, como Chico Buarque ou Tom Jobim (isso, claro, até este morrer em 94): seria como quando tomei coragem e, alguns anos depois, finalmente falei com meu genial "tio" (primo do meu pai), um dos poetas-maiores, Nauro Machado, travando por completo sem conseguir mostrar-lhe meus versos? Ou seria ainda mais patético, como quando o amigo Sérgio Ronnie, deparando-se com o mestre Nelson Pereira dos Santos, acabou surgindo com esta pérola, na falta de algo melhor a dizer (e que acabou virando motivo de chacota entre nós, seus amigos, até hoje): "Sr. Nelson, o senhor sabe se o seu clássico Jubiabá já saiu em vídeo?!". Ou, ainda, como um Tom Cavalcante em início de carreira, visivelmente emocionado em receber justamente o mestre Lago em seu camarim depois de um 'show' de humor num teatro carioca... Só vendo. Então, tomamos coragem, Jandira e eu, e descemos com um pequeno grupo de senhoras que, animadamente, pediam à produção, ao final do espetáculo, para ter uns minutinhos ao lado de Mário Lago...

E lá estava o "velho" da memória fotográfica, aquele meu "amigo etéreo" (tenho minhas crenças, mas Mário era mesmo daqueles acima do bem e do mal... E próximo da minha vida como um amigo, como o era o Tom...), aquele que desde sempre me ensinara a ser "velho" no melhor sentido da paixão pela arte que faz, atemporal, e que me mostrara que era possível sair do mais burocrático e enfrentar as adversidades rumo a fazer algo de valoroso neste país de esquecidos. Cansado, bem mais velhinho do que aparentava ao longe pela TV, mas extremamente afetuoso, enquanto ele era apresentado à Jandira e a esta dizia, ao escrever-lhe um autógrafo (ela, menos ainda que eu, soube o que fazer na hora H e recorreu ao mais clichê, ré, ré), se seu nome era com 'y', uma vez que "antigamente, escrevia-se seu nome assim", eu, um pouco mais afastado (o velho Lago ainda mantinha seu jeitão conquistador e era, na hora, rodeado por mulheres, sendo Jandira a mais nova; eu simplesmente não atrapalharia...), conversava com o cantor Chamon sobre os bastidores do 'show' e sobre como aquele senhor ainda era talentoso e cantava tão afinadamente bem com sua voz apesar de um tanto mais fraca...

"Vamos gente: agora deixem o Sr. Lago descansar", dizia um daqueles afeminados funcionários do 'backstage' da produção (ou era do teatro, mesmo?), enquanto todos se despediam daquele momento marcante (especialmente para mim): apertei-lhe a mão em cumprimento (firme, como com todos os de bom caráter!), disse-lhe o manjado "sou seu grande admirador", enquanto ele ainda terminava de agradecer a todos e de brincar com o calor de São Luís: o bom velhinho estava visivelmente cansado (ainda mais com o calor desta cidade!)... Alguns anos depois (quantos, meu Deus: três, quatro?!), vinha a notícia da internação e da morte, logo em seguida: perdíamos aquele amigo com quem brevemente conversáramos um dia, Bem, você e eu... E o Brasil perdia um dos seus artistas mais completos!

Ontem soube que foi seu centenário: se estivesse vivo, completaria 100 anos de História. Justo ele, que sempre brincou com o tempo e com ele mantinha um pacto ("Tenho um acordo com o tempo: ele não me persegue, nem eu brigo com ele, e quando for a hora a gente se encontra..."), quis o destino que ele se fosse um pouquinho antes, graças a um câncer no fígado... Mas ele se mantém por aqui, tanto para os mais esquecidos, que podem vê-lo facilmente nalgum "Vale a pena ver de novo" da vida, como para os que com ele rivalizam em memória, como eu, que vivo e revivo o bom passado para dele extrair as melhores histórias atemporais... Mas e aquele autógrafo?! Eu me lembro de que fora num pedaço de papel-toalha de má qualidade jogado a esmo no camarim, não foi, Jandira? Ou teria sido diretamente nas folhas daquela tua agenda que sempre carregavas em tua bolsa? Procura aí, essa menina... Não, Bem, a agenda não era essa, acho que era a de 1997... Ou, sim, de 98, vai... Não a guardaste em algum lugar...?


As cortinas do TAA se fecham para o Meste Lago e Jandira e eu nos vamos para o tempo sem fim...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pelos abismos de minha Fortaleza da Solidão...



No emblemático final de Superman II, depois de perder os poderes numa armadilha estrategicamente montada pelo Super-Homem na Fortaleza da Solidão, General Zod, Ursa e Non são jogados em fendas abissais entre os vários blocões de gelo daquela kryptoniana construção. Situação parecida se dá com o Imperador Palpatine, arremessado no fosso de um reator gigante na Estrela da Morte pelo seu ex-pupilo Lord Darth Vader, que se entrega à morte no combate em defesa de seu filho, Luke Skywalker. Teriam esses inefáveis vilões morrido ou restariam cristalizados nalguma forma suspensa de vida? Acho que jamais saberemos... Mas qual o motivo dessa momentânea recordação de um elemento tão ímpar na história do Cinema 'pop' de minha juventude, a teoria dos "fossos infinitos", que se transformam em verdadeira prisão-resolução para vilões poderosos?

Explico: também tenho a minha Fortaleza da Solidão, nome que dou ao estimado gabinete em meu apartamento (e que, não por acaso, possui um pôster de cinema do filme Superman O Retorno), onde trabalho, escrevo e guardo minhas coleções, já mostrada aqui em ‘posts’ idos e, tal como nos filmes do Superman ou de Guerra nas Estrelas, também tem seus fossos intermináveis – pontos "estratégicos" de difícil acesso, como por trás da mesa do computador, onde, além das fiações dos aparelhos informáticos, há inúmeras e escondidas sacolas com materiais para pequenas obras (broxa, pinceis, massa etc.), papeis de presente e laços, árvore de Natal encaixotada, caixas de ferramentas etc. Sim, meu gabinete ainda não dispõe dos meus tão almejados armários, restando “incompleta” apenas com estantes e prateleiras. E muitos materiais amontoados em caixas ou sacolas em alguns "fossos" intermináveis...

Pois que alguns meses atrás, por exemplo, depois de um bom tempo de “suplício”, já quase dando como furtado por um arquiteto (que, com sua equipe de montadores, veio aqui fazer uns ajustes nuns móveis planejados no final de julho), encontro um estimado Homem de Ferro desaparecido... “Olha, confesso que sou meio ‘nerd’ nessas coisas e já colecionei muito... Lindos esses bonequinhos...”, disse então o suspeito nº 1 quando de seu último dia de obras no apartamento, não tinha como não duvidar dele: o Homem de Ferro poderia facilmente "ter-se perdido" por entre as ferramentas da pasta de um dos seus asseclas, digo, funcionários... Poderiam mesmo ser uma quadrilha ligada ao Mandarim... Mas antes de maiores devaneios caluniosos, eis que encontro o boneco caído numa sacola de papéis e embalagens para presentes, no tal fosso por trás da mesa do computador (essa nem a SHIELD suspeitaria!)...

Ou ainda, algum tempo atrás, numa de minhas famosas "limpezas gerais" (épocas sazonais em que TODOS os livros, CDs, DVDs, BDs, carrinhos e miniaturas são esmeradamente livres de poeira com uma especial flanela macia), nada fazia com que eu encontrasse o chicote da minha ‘action figure’ do Indiana Jones (boneco do filme Indiana Jones e O Templo da Caveira de Cristal, um de meus favoritos!): “Já procuraste por trás das pilhas de revistas debaixo da prateleira dele? Ou por cima das Playboys? Ou ainda entre um fichário e outro, caído?”, tentava ajudar Jandira, alfinetando, indireta e logicamente, que em meu pequeno escritório há um acúmulo em demasia de coisas (e de revistas...) para um colecionador só...

Mas não me dei por vencido até encontrar a famosa arma do aventureiro espremida entre alguns papeis por trás da estante de aço das pastas de documentos! Pronto, perfeito! Todas as coisas em seu lugar, limpas, belas, organizadas, mas... E a "cara" do C3P-O?!

Novos acúmulos depois e eis que a Força, decididamente, está comigo: graças à ilustre vinda (finalmente!), dos amigos à moda termidor Dennis Guilhon, Ana Rachel e Ana Luíza para um jantar hoje à noite, uma forçada arrumação tomou forma desde o fim de semana e, em minha enésima tentativa de tudo pôr em ordem no meu gabinete antes da "limpeza geral" do Natal, encontrei, enfim, a face caída de C3P-O – deslocada da cabeça graças a um irritante mecanismo do próprio boneco (a coxa esquerda também se "desmonta", desprendendo-se, com facilidade, com o passar do tempo) –, resultado da minha última empreitada em organizar a prateleira de miniaturas Star Wars...

Nada como um ambiente equilibradamente arrumado, com cada coisa em seu lugar (na medida do possível), com minhas coleções em perfeita ordem em exposição para o amigo (super-herói aposentado e também colecionador) Dennis e... Mas e os óculos do Professor Jones (de Indiana Jones e A Última Cruzada, vivido por Sean Connery)? Santas regiões abissais, Super-Homem: preciso urgentemente de um daqueles eficientes robozinhos kryptonianos da Fortaleza das HQs para me ajudar – não sei, não, mas acho que esses óculos nem o poderoso Yoda encontrar conseguirá por entre as fendas abissais da minha Fortaleza da Solidão...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA
CRUZMALTINA


Vasco da Gama vence jogo histórico e, por isso, os Morcegos interrompem sua programação normal para uma edição extra: bandeiras vascaínas e do Maranhão tremulam... Do Maranhão? Sim, nossa bandeira também está com a Força Jovem! A propósito, viva o Moto Clube de São Luís (único rubro-negro para que torço...), com o craque Kleber Pereira de volta e rumo à Copa do Brasil 2012!

"Vamos todos cantar de coração..." – imagino que os sempre invejosos e arrivistas rivais devem estar agora a "urubuzar": "Coitado, nem é campeão ainda e esses vascaínos já estão comemorando!", no que eu retruco: não se comemoram somente títulos, meus caros – Futebol é arte, garra e paixão, e ver o melhor time da atualidade dando o sangue numa virada histórica (mesmo para o "Time da Virada"), num jogo por muitos desacreditado (até eu, depois da expulsão de Diego Souza, quase desistia de seguir vendo o jogo, desmotivado...), numa excelente arrancada desde a bela conquista da Copa do Brasil, tanto no Brasileirão quanto na Sul-Americana, rumo à conquista destes dois títulos (apesar das recentes pisadas na bola...), não tem preço! Mas, honestamente, o que dá gosto mesmo é acompanhar esta nau tão consagrada (e, infelizmente, naufragada ao longo de alguns anos idos...) planejar-se e se converter num verdadeiro trem-bala a descer a colina num Futebol embalado, corajoso e bonito de se ver! Viva Ricardo Gomes, o estrategista por trás da coesão deste escrete excepcional! Viva os gloriosos 5 x 2 em cima do casqueiro Universitarios do Peru! E viva o melhor zagueiro do mundo, Dedé, herói da partida de ontem com dois gols e com uma atuação impecável, que jamais brinca em serviço e não deixa ninguém passar! A propósito, conheça abaixo alguns geniais "Dedé Facts" espalhados pela 'internet' – "Vasco é o time da virada, Vasco é o time do amoooor"...

Ninguém passa por uma barreira chamada Dedé: esses tuiteiros são mesmo muito criativos...

Dedé Facts”:

Moisés passou pelo Mar Vermelho, mas não passou por Dedé.
Todas as roupas de Dedé são amassadas, porque ninguém passa.
Ghandalf aprendeu a frase "you shall not pass" com Dedé.
Messi é eleito o melhor jogador do mundo de novo. Ao ler essa notícia, Dedé argumentou: Quem é Messi? Nunca passou por mim.
No último assalto na padaria, quem desarmou o ladrão foi o Dedé.
Quem lançou a campanha do desarmamento foi o Dedé.
A Alemanha derrubou o Muro de Berlim, mas não derrubou Dedé.
Dana White informa: sai Cigano, entra Dedé contra Cain Velásquez.
Dedé saiu de São Januário e foi pra Rocinha prender o Nem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011



Anoitecer


Desta noite não passa!
Juro
Passarei...





Agonia


Fecha-se o cerco sobre a luz.
E os gritos

Que eram claros

Se escurecem.

(Dilberto L. Rosa, 1996/1998, Morcegos em São Luís, 2007)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Enquanto isso,
Os fantasmas se divertem...


Anteontem foi o dia das bruxas; ontem, o de todos os santos. Hoje é feriado nacional e os católicos rezam por seus mortos, enquanto os agnósticos não acreditam em fantasmas (porém sem jamais deixar de duvidar que eles existam...). Enquanto isso, por aqui vou me esquivando de uma ou outra alma penada que queira me assustar – e olha que não são poucas...

Lá fora, a eterna luta do "bem norte-americano" contra o "mal terrorista" cravou mais um negro momento na História: a exaltação à barbárie transmitida pela televisão mundial e patrocinada pela OTAN e pelos EUA como a coisa mais "democrática", "jurídica" e "humanitária" possível (ele é "mal", "árabe", "terrorista"... O que mais?)! Mas o que dizer de uma potência que se vale de métodos escusos para impor sua "democracia" adiante, há décadas matando "ditadores" a torto e a direito ou torturando prisioneiros para quem quiser ver? Ao que me consta, ainda não fiquei convencido de que se tratam de "movimentos democráticos" estes da tal "Primavera Árabe": afinal, ditadores podem facilmente ser trocados por novos ditadores em tais "revoluções"... E o Terror seguia a qualquer hora do dia em que se repetiam as cenas do cadáver de Kadafi ensanguentado nos repetitivos jornais televisivos...

E segue o Terror: fantasmas de imprensas blefadoras e de burros e reacionários partidos ditos "de oposição" não se cansam de gritar – e a Dilma, de atender! Até quando a presidenta vai ceder tão rapidamente aos gritos de "multidões" tolas e até onde vai a firmeza de um governo que se desarticula antes mesmo de qualquer prova ser revelada? Uma nova "Júlio César" de saias, articuladora e ciente de boas e necessárias mudanças, ou uma subserviente mercadológica de um País sem memória, louco para apagar os 8 anos de Lula? Medo...

E o que dizer de uma terra que venera o fantasma de Dom Sebastião, O Infante, há quase 500 anos? Claro que falo deste estado assustado, cujo ditador-mor ainda quer se redimir de suas barbáries, pouco antes de morrer (e de ir para as profundas...), por meio de sua filha: pois nem bem Roseana Sarney armou mais uma presepada (estatizar a Fundação José Sarney, depois de tantos escândalos?), nossa eterna governadora foi matéria nacional e, mais uma vez, para a nossa vergonha - enquanto a Sinhá do Bigode gasta os turros bradando em caros (e irônicos) comerciais de que "nunca na história do Maranhão gastou-se tanto em saúde", a revista Isto É virou artigo de luxo no último mês de agosto, uma vez que sua tiragem "teria sido" recolhida para que o povo não soubesse do óbvio ululante ("72 hospitais"? Faz-me rir!): com a matéria "Os hospitais de Roseana na UTI", a revista mostrava detalhadamente as fraudes do processo licitatório da construção dos 72 hospitais fantasmas do Governo do Estado (negócio sujo de quase meio bilhão de reais: leia a matéria na íntegra aqui).

Enquanto isso, tento exorcizar meus fantasmas cantarolando baixinho "Memórias, não são só memórias – São fantasmas que me sopram aos ouvidos Coisas que eu nem quero saber" – a baiana Pitty é que parece mesmo saber das coisas (do além): assim como ela, eu também "fui matando os meus heróis aos poucos Como se já não tivesse Nenhuma lição pra aprender"... Mas sempre há uma luz no fim do túnel (nem que seja no corredor do 'post mortem')!

Não sei, tenho cá minhas dúvidas... Anteontem o amigo Sérgio Ronnie me falava ao telefone que está abandonando o barco da Dilma e do PT para ser oposição (PSOL talvez?); e hoje tive mais uma dose de minhas dores estomacais em meio ao caos ululante em minha volta (com um bocado de falta de cuidado comigo mesmo). E eu, que não acredito nessas coisas, fico com a lição que nos ensinavam aqueles adoráveis filmes de zumbis da nossa infância: "quando o inferno está cheio, os mortos caminharão sobre a Terra"... Que Dom Sebastião, velha esperança de tempos difíceis idos (dos desertos de Alcácer-Kibir para o Maranhão), vire logo o tal Touro encantado e venha nos salvar de tantos domínios do mal (ou afunde logo tudo de uma vez)!

sábado, 29 de outubro de 2011

Sloper da Alma Brasileira


É público e notório o quão desinteressado pela TV aberta de um modo geral eu sou (ainda vejo aqui e acolá, quando posso, De Frente com Gabi, CQC, Agora é Tarde, Comédia MTV e Arte com Sérgio Brito), com destacado desdém pela "teledramaturgia" nacional (leia-se "novela"): desta forma, eu não saberia falar patavinas sobre o último capítulo da novela O Astro, exibido pela fascista Globo nesta última sexta-feira, a não ser que se trata de um 'remake' de um produto da casa - e que dei algumas risadas nas raríssimas vezes em que, trocando de canal no horário, dei de cara com algumas "interpretações" exageradas (como as caretas amalucadas de Regina Duarte, por exemplo) e umas edições aceleradas e freneticamente ruins (talvez num louco afã de "modernizar" o folhetim eletrônico original).

Decerto que o sucesso da primeira versão moveu o País no final dos plúmbeos anos 70 (nada mais moralista e reacionário no Brasil ditatorial do que a família reunida para ver JN e, logo em seguida, a novela), especialmente em torno do apelo da trama policialesca "quem matou Salomão Hayalla" - tanto que o poeta-maior Drummond chegou a declarar, ao final da famosa trama de Janete Clair: "Agora que O Astro terminou, vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando". Mas o motivo que me traz a, pela primeira vez nos Morcegos, falar de uma novela não é nenhum "marco televisivo histórico" (uma vez que, ainda que eu quisesse, mal era nascido quando da primeira exibição!), mas, sim, a música que fez parte da sua abertura em ambas as versões: Bijuterias, dos geniais João Bosco e Aldir Blanc, parecia cair como uma luva na abertura televisiva, tanto na de 78, com suas interessantes, porém limitadas projeções sobre rostos, quanto na de 2011, com seus efeitos hansdonerianos.

Mas engana-se quem pensa que a canção fora composta diretamente para a novela global: ela é originária do quarto disco do cantor e compositor, Tiro de Misericórdia, que estava sendo gravado em 1977 quando a Globo então procurava uma música para aquela já famosa abertura. Coincidência mística pura, não? Na verdade, apesar de seu lado esotérico e da obsessão por meteoros, creio que João Bosco e este pequeno clássico mal-compreendido da nossa MPB (termo surgido na década de 60 pós-Bossa Nova e pré-engajamentos políticos) sempre estiveram mais para o humor de antigas letras do nosso cancionário, na esteira de bambas como Noel Rosa, Luiz Gonzaga e Chico Buarque. Estão aí até hoje De frente pro crime e Incompatibilidade de gênios que não me deixam mentir (duas outras pérolas bem humoradas da dupla Aldir Blanc e João Bosco ainda na década de 70)!

"Em setembro, se Vênus me ajudar, virá alguém... Eu sou de virgem e só de imaginar me dá vertigem... Minha pedra é a ametista, minha cor, o amarelo... Mas sou sincero: necessito ir urgente ao dentista - Tenho alma de artista e tremores nas mãos. Ao meu bem mostrarei no coração um sopro e uma ilusão, eu sei... Na idade em que estou aparecem tiques, as manias - transparentes, transparentes, feito bijuterias pelas vitrines da Sloper da alma". Simplesmente genial: humor sofisticado, harmonia perfeita num bolero inteligente por sobre elementos indispensáveis à cultura daqueles doidos anos 70... A propósito, a Casa Sloper era uma fina loja de departamentos em estilo europeu famosa na época por suas bijuterias e com um imenso lustre de cristal que pendia brilhante do teto de um bem alto pé direito. "Sloper da alma"... Coisa de gênio! Uma pena que a nossa Música atual não tenha mais nada daquele frescor inteligente de boas fusões de boa música com bom humor...

Falo tudo isso em novos-velhos tempos de apocalípticas previsões de fim de mundo e porque li nalgum lugar desta louca 'internet' de meu Deus alguma garota da "nova era" perguntando, em seu 'blog', se alguém sabia a origem daquela "música tosca" que tocava na novela das 11... "Música tosca"... É por isso que, além da TV, eu simplesmente odeio 'blogs', especialmente "na idade em que estou", quando "aparecem os tique, as manias"...! E viva o bom-humor astral da nossa tropical cultura brasileira, imenso caleidoscópio de brilhos mil!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Poemas de 10 Anos



Por onde andam meus passaportes falsos
Nesta fronteira de lugar nenhum
A que nunca pertenci

Vontade de matar um rinoceronte
Vontade de rasgar poemas de 10 anos atrás...

A catar meus últimos centavos
Para a gasolina, o pão e o sushi
Enquanto imagino algo de bom
Por entre os livros que nunca li

Vontade de matar um rinoceronte
Vontade de apagar poemas de 10 anos atrás...

(Dilberto L. Rosa, 2001)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Beelzebub has a devil put aside for me
for me
for me...


Enquanto ainda peno pelos meus pecados ("Deus não só joga dados, como, enquanto isso, o diabo chacoalha a mesa"), tento, quase que aturdidamente em meio a um dia cheio, espairecer com uma divertida cena de um filme igualmente divertido...

O filme em questão é Quanto mais idiota melhor, infeliz título em Português para o inteligente besteirol Wayne's World, cuja tradução mais adequada seria "O Mundo de Wayne", nome do independente programa televisivo de garagem que os protagonistas Wayne e Garth apresentam no filme (e homônimo, por sua vez, do quadro fixo do então excelente Saturday Night Live, também interpretado pelos comediantes Dana Carvey e Mike Meyers - o eterno Austin Powers e a voz do Shreck): nesta "clássica" comédia do início dos anos 90, dois amigos viram sensação com suas loucuras debochadas num programa caseiro de TV, em meio a diálogos divertidos (com a câmera e entre si) e a inúmeras e deliciosas referências 'pop' - como a já famosa sequência dos amigos ouvindo (e interpretando) um clássico do Queen.

A música em questão é a mundialmente conhecida Bohemian Rhapsody, genial composição do saudoso Freddie Mercury e ápice do famoso "rock arte" do grupo inglês Queen, com sua sempre imbatível criatividade comercial que, em 1975, lançou esta pérola, verdadeira colcha de retalhos filosófica, que, dentre outras coisas, vai da alegoria da caverna de Platão, com seu "personagem principal" que tenta sair de um mundo de aparências, mas é constantemente tragado por ele ("nothing really matters to me") até referências a Deus e ao Diabo - ah, o Diabo, este verdadeiro mecenas do rock...

Para alguns, um clássico do rock progressivo; para muitos, uma legítima ópera rock com todas as suas idas e vindas melódicas em torno de seu protagonista épico; para outros, apenas uma incursão engraçadinha na esteira conceitual do rock dos anos 70. De qualquer forma, não há como negar que este vigoroso exercício de estilo (em seus quase 6 minutos, não há um refrão nas seis sessões ao longo dos mais variados subgêneros musicais nele incluídos) ainda pulsa forte quando toca até hoje e marcou época com seu clássico videoclipe (confira-o, na íntegra, clicando ao lado, na secção "Play it again, Sam"). Não por acaso, acabou por tornar-se também clássica a sequência da comédia em que os hilários amigos Wayne e Garth (e mais três companheiros) se divertem ao som de Bohemian Rhapsody: um pequeno momento antológico do Cinema 'pop'... Tivessem repetido esta cena no lugar dos bobos bigodões da campanha do Fox Rock in Rio e o comercial seria bem melhor!

"Belzebu tem um diabo reservado pra mim, pra mim, pra mim..." - gritam em uníssono, em carto momento da canção, Brian May, Roger Taylor, John Deacon e Freddie Mercury, na eternamente rebelde citação ao capiroto do universo do rok. E, ao final de um dia cinzento sem maiores conquistas entre tantas coisas para as quais faltou tão pouco para darem certo (os tais dados jogados a esmo...), aumento o som do carro na volta do trabalho pra casa que isso aí é rock'n roll! E fico a me indagar: afinal, o que seria destes dias cinzentos, das igrejas pentecostais e do rock sem o diabo?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Crônica do Dia das Crianças

Um bocado de trabalho atrasado, problemas com bancos em greve, um pouco de apatia... E a vontade de vivenciar o Dia das Crianças com Isabela... Dei-lhe os brinquedos logo cedo, brinquei com ela um pouquinho e fui "cuidar do dia": um escritório sem fim de coisas para fazer. Ela vem, sobe no meu colo, "brinca" um pouquinho no teclado, tenta desligar a CPU, desce irritada (porque contrariada), mas logo se esquece com uma aula minha de Direito Penal a esmo pelo chão: amassa o papel, dá uma risadinha danada porque se sabe em erro e sai do gabinete para merendar com a mãe. Como eu queria ser criança novamente...

Largo meus papeis, penso que quero publicar algo nos Morcegos sobre este dia e passo a procurar na 'internet' por antigos vídeos de boas coisas para crianças da minha época: afinal, sou de um tempo um pouquinho anterior ao fato de a Globo iniciar seu sistema de "programa infantil de gado", onde as crianças eram apenas cenário com seus pompons vãos, esperando alguma loira burra sem um pingo de talento ou vocação infantil puxar um pelos braços na marra e jogá-lo pra lá e pra cá, como numa grande turbulência de disco voador mequetrefe... Pouca coisa de significativa achei sobre o antigo (e único) Sítio do Pica-pau Amarelo, Daniel Azulay (que me "ensinou" a desenhar) ou Fofão (Eu, você, o som e a fantasia...) e adio qualquer postagem para a tarde. Agora tenho que ajudar com Isabela, porque Jandira está só na cozinha (a empregada, mesmo com tantas faltas, resolveu feriar hoje também).

Volto ao computador, tanta coisa na cabeça... Tenho que levar o carro para lavar e cortar os cabelos, coisas tão simples do dia-a-dia que vinha adiando nos últimos tempos por pura desorganização de tempo. Depois eu publico algo...

"Tens que ligar para A, B e C", Jandira me lembra, feriado é mesmo assim. Tenho que correr, a gente tem que levar Isabela para dar uma voltinha, hoje é dia dela e ela merece. "Aonde a levaremos?", pergunto diante da absoluta falta de opções de recreação infantil em minha provinciana São Luís... Acabamos por levá-la a 2 'shoppings' sem nenhum atrativo infantil e compramos coisas nos supermercados – "Mas que passeio mais besta pra essa criança!", indigno-me internamente à certa altura, chateado com o dia burocrático, quando percebo uns gritinhos por trás da gôndola das fraldas: é Isabela, na seção ao lado, dando gritinhos de alegria, andando quase correndo pelo corredor com Jandira logo atrás, feliz da vida no alto de seus 16 meses bem vividos!

À noite, depois de sua "estreia" com papinha de Mucilon (largando o peitinho, sabe como é, crescendo...), ainda me enterneço mais uma vez com seus lindos sorrisos para mim, com tanta gente já deixado de me amar na longa estrada, tantos os meus defeitos, e ela ali feliz ao meu lado, na sua mais longa noite acordada até hoje: mais de 23 horas e aquela piunga serelepe, só agora dando os primeiros sinais de soninho chegando... Beijo de boa noite, umas duas cantigas de ninar (mais um samba antigo e melodioso infalível) e com o sono de Isabela me despeço do Dia das Crianças assim, lembrando-me de que a vida pode ser bem mais simples e divertida do que a gente pensa ou quer planejar... O 'post' (e o resto do trabalho) ficam para amanhã. Tomo um copo de vinho e vou ler um gibi do Batman: afinal, tenho o mundo inteiro nas mãos e criança tem mesmo o direito de espairecer...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Guerreira Virtual e
O Dragão Cromado da Maldade


100 seguidores, 34 comentários na postagem inaugural da nova temporada (número maior do que no 'post' final da última), seis postagens publicadas por aqui no último setembro (feito que não se repetia desde 2009) e média de 6 pessoas 'on-line' na última sexta 07: números bastante expressivos para um modesto espaço virtual como os Morcegos, nada engajado nas modernidades blogueiras, tampouco com tempo de expandir visitações – o meu carinhoso obrigado a todos aqueles que prestigiam as letras e ideias aqui presentes!
Mas parece que alguém queria atrapalhar este meu "começo de retomada" (tão bacana quanto o Cinema brasileiro da década de 1990 pós-Carlota Joaquina): gigante, porém sem forma; sem cabeça, mas pensante; onipresente e sem endereço; sem coroa, mas reinante – sim, meus queridos blogueiros de plantão: como num louco cordel virtual, estes humildes Morcegos foram vítimas do poderio do Google Chrome, que, abusando da sua dita famosa "segurança", acusou-nos de "'site' espalhador de 'malware'"! Logo os meus Morcegos, de família e que sempre se cuidaram tão direitinho...

E assim, mesmo sem culpa (os Morcegos jamais carregaram em suas fileiras qualquer 'site' de origem ou gosto duvidosos) e sem pista alguma oferecida pelo Google Chrome quanto ao que deveria fazer para livrar-me daquele maligno aviso (seus tutoriais mais confundem do que explicam), seguiram-se dias de bloqueio parcial (o famoso "continue por sua conta e risco") dos Morcegos, com a pecha de "maldito": amigos a avisar por 'e-mail' que nos "deslincariam" (porque o "mal" se espalha: quem me tivesse em suas listas de 'links' carregava junto um "proliferador de vírus"!); a amargura de ver tamanha injustiça foi me tomando e me distanciando da criação de novas postagens; contratos milionários cancelados... Bom, exageros à parte (só vontade de aumentar os argumentos para uma possível ação judicial internacional de perdas e danos), a situação foi tão chata e acabou por me tomar tanto tempo que cheguei a visualizar um cordel para esta minha "saga"...

Alguns amigos, em profunda ilação, pensaram logo na censura de algum maldito assunto tido assim na ditadura do mau e cromado dragão: "Bem na certa associaram 'Morcegos' a satanismo"! "Não, meus bons, não é mero casuísmo de aviso aos navegantes de um 'site' inapropriado – cerraram-me os portais do meu estimado bloguinho e em bom tom desconcertante vaticinaram direitinho: "Se passares deste ponto, estás lascado"!

A Du e a Claudinha, quando viram o disparate, correram a me avisar, ambas bem assustadinhas: "Deslincamos o teu 'site' até a poeira baixar"! E assim se sucedeu que outros tantos foram embora e os Morcegos bem às moscas se puseram a rezar...

Foi então que a destemida Drika Dama Virtual, guerreira de longa data, direto de Brejo das Almas, num ato de caridade, atendeu aos meus apelos: brandiu seu teclado encantado e derrotou o Dragão Cromado da Maldade! Os Morcegos se animaram e foi o maior arraial na cidade...

Ao final, parece que tudo não passou de um 'bug' presente em vários 'blogs' do Blogspot (também do grupo Google), acometendo qualquer um que contivesse em sua "programação" determinado código "contaminado" (como o de algum contador, por exemplo: fiquei sem saber) e, conforme certos procedimentos e se pedindo ao Google Chrome por novo exame, tudo fica bem... Mesmo assim, não achei correto o posicionamento deste gigante conglomerado norte-americano-mundial: e a consideração com quem já há um bom tempo prefere este navegador em detrimento do (caquético e mais-que-pesado) Internet Explorer? Por que não fui comunicado com antecedência, com as devidas advertências e eventuais caminhos que precisaria trilhar, para ver-me livre da tal ameaça? Se não fosse a amiga Drika 4Ever, experta nas artes virtuais (mesmo ela encontrou certa dificuldade: mexeu aqui e acolá em alguns códigos, pediu a tal "revisão" de análise por parte do Google e... 'voilà'!), perfeitamente possível os Morcegos ainda se encontrarem fora do ar!

E, o que é pior, ninguém descobriu ao certo o que afinal aconteceu, tamanha a falta de informação... É o tal mundo assustado do politicamente correto ao extremo em que vivemos atualmente: tal qual nos tempos de Invasores de Corpos do infernal Macarthismo estadunidense, ao menor sinal de "algo errado", mesmo que sem maiores comprovações ou soluções para melhoria, alguns grupinhos apontam o dedo, gritam e a celeuma está armada: desde uma piada politicamente incorreta ou mesmo infeliz (e disso o genial Rafinha Bastos entende muito bem – vide a tola e recente polêmica em torno de "comer bebês" alheios no que deu: confira divertido vídeo ao lado!) até a "ameaça fantasma" de um vírus que pode nem ter existido, acusam, condenam e executam suas penas capitais... Mas quem deu a eles tanto poder de ingerência e decisão sobre quem é e quem não deve ser na 'web'? É uma questão a se pensar...

Porém, mesmo ferido, ressentido, aperreado e depauperado, ainda uso o Google Chrome e gosto das suas traquitanas de ferramentas e possibilidades virtuais! Afinal, não passo de um leigo virtual que ainda engatinha nas artes e artimanhas tinhosas deste mundo cão da 'internet'... Ainda acredito em dias melhores, mais democráticos e menos opressores... De todo modo, quem consegue unir à sua imagem um comercial lindo como aquele do pai que prepara 'e-mails' para a filha amada (veja logo abaixo) ainda merece um fiapo de derradeira esperança! Não sei por quê, mas essas coisas ainda me pegam, de surpresa, com um "cisco no olho"...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Amy & Tony



Quando a ouvi pela primeira vez, pensei: "Mais uma antiga de jazz que 'atualizaram' com uma roupagem moderna... Mas quem é essa cantora negra norte-americana, que lembra a Billie?!". Estava errado nos três aspectos: a música era novíssima em folha (só depois fui atentar para os palavrões da letra, coisa incomum ao 'cool' jazz de outrora) e a cantora era uma pequena e magrinha branca inglesa... Descobri o disco Back to Black e me apaixonei perdidamente por Amy Winehouse e por seu 'soul' jazz (com generosas doses de 'ska') perdido no tempo! Uma pena que aquela moça incrível também acabaria por se perder...

Desde menino que conhecia "I left my heart in San Francisco", mas foi só no final da adolescência que encontrei Tony Bennett de verdade. E ouvindo "Rags to Riches", "Boulevard of Broken Dreams", "Beacuse of You" e tantas outras na potente e jazzística voz rouca daquele baixinho narigudo ítalo-americano foi que finalmente entendi por que Frank Sinatra disse, certa feita, que o considerava o maior cantor do mundo, justamente aquele que um dia deixara o coração em San Francisco...

Dois monstros "maiores que a vida", como dizem os ianques do 'showbizz': cada um maior do que seu tempo, maior do que seu corpo franzino. Amy, infelizmente, já se foi. Tony, aos 85 anos, acaba de gravar um disco de duetos com os grandes nomes da nova geração, tal como Sinatra o fez no finalzinho da carreira ("A Voz" se calaria pouco mais de 3 anos depois do lançamento de Duets II), para despedir-se de mãos dadas com os jovens que então já pareciam teimar em ignorar uma era de ouro na Música. Graças a Deus a jovem Amy não era assim: sabia tudo do bom jazz atemporal – não por acaso, seu primeiro disco já vinha batizado de "Frank"! Lamentavelmente, ela não viveu a longevidade de Tony para principiar a dizer adeus de forma tão bela...

Nem preciso dizer o quanto me emocionei ao ver Tony na MTV (santo choque de gerações!), prestando um tributo a Amy, no VMA deste ano: "De todos os cantores que conheci nos últimos 20, 30 anos, ela era a mais verdadeira cantora de jazz, na legítima tradição de Ella Fitzgerald ou de Billie Holliday", afirmando ainda, com categoria e propriedade, que ou se é cantor de jazz ou não se é, "e Amy tinha todo aquele dom"... O comediante e então anfitrião da festa, Russel Brand, foi além: "Poderia até parecer que ela não passava de uma garota comum com um cabelo extraordinário", "mas ela era um gênio" – acrescentando que Amy "tinha uma doença", referindo-se ao uso indiscriminado de álcool e outras drogas não legalizadas pela genial cantora...

Hoje, exatos 2 meses após a morte de Amy, eu me emocionei ouvindo sua voz impecável numa de suas várias composições, Love is a losing game: não sei se pela melancolia da melodia ou se pela interpretação perdida no tempo ou ainda pela letra, "O amor é um jogo de azar", tocou-me o coração aquela voz poderosa abrindo o coração num 'pen-drive' esquecido no carro... Como é bom ver o vídeo de Amy e Tony cantando o clássico Body and Soul ("Corpo e Alma", nada mais apropriado para ela: confira acima), um belo legado de março deste ano, com duas gerações em mútua admiração. Tony está tendo todo o seu tempo, despedindo-se aos poucos e cantando até o fim. Amy terá sua imagem "retrô-tatuada" erigida a uma estranha diva pós-moderna, a despedir-se eternamente somente por meio de suas canções, numa vida interrompida comum aos grandes fenômenos (Billie se foi aos 44 anos, também vítima de drogas), para quem parece que a felicidade, assim como o amor, é um eterno 'losing game'...

domingo, 18 de setembro de 2011

"Na eterna insatisfação de mim mesmo,
Vejo meus poemas vivos
Independentes mesmo de mim"
(Dilberto L. Rosa, 2006)

Vôo

A roda gigante
E acéfala
Da moenda pulsante
De meus dias perdidos
Avança
E me alcança
E atropela o meu próprio tempo

E destrói
E rói
A borda de meu destino

Vôo

E em desalinho
Tento salvar-me
Equilibrando-me na beirada
Por sobre o mais alto de meus pensamentos dispersos
Antes de meu céu desabar sobre mim

(Dilberto L. Rosa, 2001/2011)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Amigos & Diretores


Dedicado ao 'friend' de longa data Sérgio Ronnie, que faz aniversário hoje, idolatra Spielberg e era apaixonado pela Rachel (Jennifer Aniston), porque o fazia lembrar-se de Kiki...

Hoje convido todos a visitarem o Especial Friends do CinEbulição, onde escrevo sobre a deliciosamente saudosa primeira temporada... Todos os fãs dos adoráveis amigos do Central Perk: corram até lá e comentem!

Falando nisso, agora me pego lembrando da inusitada proposta que recebi algum tempo atrás do hoje amigo virtual Luiz Santiago: tal qual o conjunto de regras do genial Clube da Luta, ele convidava alguns felizardos cinéfilos a ingressarem num distinto Júri de Cinéfilos, onde, a cada mês, um tema era debatido por 'e-mail' na forma de eleição dos 10 (às vezes um pouco mais...) melhores daquele tópico: assim começavam os famosos "Veredictos" do excelente 'blog' CinEbulição. E eu, se no começo, mal tinha tempo para votar nas categorias, acabei firmando uma gostosa parceria com o Luiz fazendo as apresentações dos temas: assim nasceram alguns textos bacanas sobre Sidney Lumet, Orson Welles, filmes metalinguísticos, trilhas sonoras cinematográficas (gancho que aproveitei, obviamente, do último 'post' da última temporada dos Morcegos) e os maiores diretores (Veredicto nº 5) – texto que ora transcrevo, pela primeira vez, aqui nos Morcegos:


Ainda me lembro de uma famosa crítica de Cinema de Vinícius de Moraes (sim, dentre outras coisas, o grande poeta e diplomata também foi crítico da Sétima Arte), "Os Onze Grandes do Cinema", onde o velho Poetinha dedilhava, como numa espécie de 'scratch' futebolístico, seus "11 maiores diretores" – figurando, nas primeiras colocações (gol e zaga, no caso), Charles Chaplin, Eisenstein e Grifth. Amo o Cinema, a genialidade e o caráter precursor dos três, mas, entre o melodrama inteligentemente cômico de Chaplin, os temas reacionários e exagerados de Grifth e a perfeição roteiro/edição/música de Eisenstein, ainda prefiro o velho russo...

Alguns amigos e eu fazíamos nossa "pirâmide" dos maiorais no Cinema na juventude: Sérgio, cineasta e professor, elegia Spielberg como o mais versátil de todos em seu apogeu. Eu sempre colocava Kubrick, pelo conjunto mais harmonioso e consistente de todos em criatividade e beleza plástica na tela... Hoje, tentando ser mais "objetivo", avaliando segundo critérios mais voltados para a História do Cinema e sua fundamentação como arte, mudaria um pouquinho a ordem das coisas - e aqui vai ela: 1º. Eisenstein, pela genialidade pioneira e completa; 2º. Kubrick, pelo perfeccionismo e pela harmonia grandiosa de toda a sua obra em todos os gêneros; 3º. Fellini, por ter criado conceitos oníricos e personagens imortais, bem como por ter trazido humor aos sonhos no Cinema; 4º. Kurosowa, pela maestria em contar ricas histórias em tão belas fotografias; 5º. Hitchcock, pela frieza de sua técnica genial de suspense e pelo pioneirismo em tornar-se "gênero de si mesmo"; 6º. Wilder, por "jamais chatear o espectador" com seus dramas e comédias genais de sutis análises da alma humana; 7º. Monicelli, por ter mostrado sublinhas do Drama sob uma Comédia mordazmente perfeita; 8º. Ford, por ter criado dramas pungentemente humanos por sobre capas empoeiradas do Velho Oeste; 9º. Truffaut, por ter conciliado, com poética leveza, crítica e público; 10º. Wyler, pelos dramas épicos, intimistas e clássicos, em qualquer gênero; 11.Capra, pelas sutilezas cinematográficas inteligentes sob o manto do cinema do otimismo; 12º. Spielberg, pelas aulas de edição e Cinema, pela criatividade e empenho infantis, por tudo que fez (e desfez...); 13º. Polanski, pelo seu marcantemente bem humorado teatro de horrores; 14º. Coppola, "simplesmente" pelos 4 maiores filmes dos anos 70 (e 4 entre os maiores de todos os tempos); 15º. Scorcese, pela estética da edição a serviço do "Cinema macho"; 16º. Almodóvar, pelo novo (e colorido) "gênero em si mesmo"; 17º. Lean, pelos inesquecíveis espetáculos nababescos; 18º. Welles, por "Cidadão Kane" e outras genialidades independentes; 19º. Allen, pelo lubitschiano (e, ao mesmo tempo, marxiano) Cinema ironicamente genial e novaiorquino de sempre; 20º. Von Trier, pelo inovadorismo por sobre uma arte ainda em construção e com muitas surpresas por vir...

Claro que amo Chaplin, Bergman, Buñuel, Peckinpah, Rosselini, Visconti, Keaton, Pereira dos Santos, Rocha, Minelli, Godard, Iñarritu... Mas, pelo legado e pelo conjunto da obra, "objetivamente falando", minha listinha dos 20 melhores diretores tenta fazer jus da forma mais honrosa possível às delícias de todas as listas de todos os diretores por este mundão de cinéfilos afora...

(Dilberto L. Rosa, "Meus Maiores Diretores", in CinEbuli.blogspot.com)

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro

Em 11 de setembro de 1973, Pinochet, apoiado pelos EUA, liderou um dos mais sangrentos golpes de todos os tempos no Chile de um então promissor Allende. Mas toda a mídia sensacionalista e dominada pela patriotada norte-americana só mostra o 11 de setembro deles. De fato, uma data a ser lamentada, um ataque covardemente absurdo e violento, inúmeras perdas de inocentes num dos maiores cartões-postais mundiais, que nada tinham a ver com o imperialista idiota governo deles, que, juntamente a órgãos mundiais que com eles desrespeitam regras e soberanias alheias, cava há décadas a sua própria sepultura anti-americanista, criando e alimentando os seus próprios monstros (que, no fim, voltam-se contra os seus "donos"). Por isso é que prefiro, guardadas algumas troças e/ou outros exageros, o inteligente Fahrenheit 911, do documentarista estadunidense Michael Moore. Por isso é que, hoje, prefiro lembrar a agonia "em nome da liberdade" sofrida por dezenas de milhares de 'hermanos' sul-americanos mortos e torturados 'with their support', Estados Unidos da América, carrascos que são, foram e ainda serão por algum tempo "contra o terror" de que eles mesmos são causadores... Com vocês, uma ótima matéria para reflexão do 'site' OperaMundi (Para ler a matéria na íntegra, acesse operamundi.uol.com.br)...


Charge do cartunista Carlos Latuff

Vítimas em 2001, EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile
Opera Mundi, João Paulo Charleaux

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de seis mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundi um dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

Outros tipos de aviões invadiram os céus chilenos naquele distante 11 de setembro...
Leia ainda Outro 11 de Setembro: um Chile 'em parafuso' relembra o golpe contra Allende, por João Peres, sobre os altos preços pagos pelo Chile até hoje.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nossa Ilha Abandonada...


Felizes 399 anos: interessante matéria na Folha 'on-line' evidencia nossa situação "privilegiada"... Acima: vídeo com Louvação a São Luís, cantada por nossos maiores intérpretes. 
E você: ainda se encanta ao ouvir Ilha Magnética? Eu juro que tento, mas dói... Dói muito ver nossa ilha abandonada...


"Ó, minha cidade, deixa-me viver/ que eu quero aprender tua poesia": estes são os primeiros versos do poema "Louvação a São Luís", do maranhense Bandeira Tribuzzi, tido como o hino da capital maranhense. Mas não, não estou poético diante do aniversário de São Luís como de costume... Na verdade, cantarolo hoje estes versos mais como um protesto: assim como os muitos adesivos dos carros da cidade brincam com a logomarca eleitoral do prefeito João Castelo (vários "São Luís é Caostelo" proliferam...), eu canto este hino para rogar a Deus ainda estar vivo para olhar, um dia, quem sabe, a poesia de volta a esta cidade abandonada...

Mas a culpa não é só do prefeito atual (uma matreira raposa velha, antigo governador biônico de nosso estado), vem de antes: desde os mandatos de Tadeu Palácio ("Palácio, Castelo e o povo na lama", brinca, outra vez, o espirituoso e bravo povo ludovicense), desde o último mandato de Jackson Lago... Desde os tempos da Ditadura, quando Sarney já mandava... Problemas tão antigos que impedem este assim dito "Patrimônio da Humanidade" ser mais humano! Mas a culpa também não é só dos políticos: há muito que a "Ilha Rebelde", de "Atenas Brasileira", virou "Apenas Brasileira" com um povo que se acostumou ao comodismo e segue à deriva nesta nau secular caindo aos pedaços, esperando o boi, o 'reggae', a banda passar...

E falando em festa, ano que vem nossa Ilha Magnética comemorará 400 anos e a Prefeitura... Bom, a Prefeitura já lançou uma campanha para que os internautas elejam a "marca comemorativa"! É brincadeira... E quem pediu festa? A marca que eu queria para esta cidade, às vésperas de seu quarto centenário, era a marca do desenvolvimento, do respeito, do zelo por parte dos políticos, por parte de um povo esquecido e sem vontade... Eu quero pensar numa São Luís com Poesia outra vez... Mas, por enquanto, eu só quero dormir um pouco mais, é o que me resta, que hoje, por aqui, é feriado!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quando os heróis dominavam a Terra...


Eram tempos em que a voz do velho rádio trazia calor, filmes mudos falavam mais do que a tecnologia dos efeitos de hoje e simples folhas de jornais ou de revistinhas eram o passaporte para uma era dourada, acima das galáxias mais distantes, por sobre guerras de depressões das mais sombrias... Eram tempos em preto e branco quando aqueles seres extravagantes de eras futuras ou vingadores de 'colants' coloridos, tal como o homem mais forte do circo, realizavam prodígios e maravilhas... Quando os heróis dominavam a Terra... Eles traziam esperanças para um mundo anacronicamente sem cor...

O Sombra, Fantasma, Doc Savage, Buck Rogers, Tarzan, Zorro... Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash... Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thor, Hulk, Homem de Ferro... Eras diferentes, mas que guardavam entre si o frescor de um mundo atemporal e cheio de fantasia. O mundo real podia ficar chato - como ficou, várias vezes, com seus códigos disciplinares nos quadrinhos e listas do medo entre artistas; com sua opressão transviada à juventude; com suas épocas dominadas por 'cowboys' de uma Política fascista e recicladamente ruim... Mas eles estavam lá, para qualquer um que quisesse acreditar em dias melhores...

E tais "dias melhores" eram sempre os do futuro, com seus mundos maravilhosamente práticos e sem violência... E todos aqueles sonhos de "dias de glória" futuras de antigas feiras científicas, enfim, chegaram: cinemas 'multiplexes' que te deixam surdo com seus exageros sonoros e sem opção de ver um filme alternativo; os 'I-pads', 'tablets' e afins, que repetem uma desenfreada sociedade atual através de suas personalidades de 1 minuto por entre assobios de passarinhos azuis globais e vídeos de gosto duvidoso... A violência se agravou e, se não houve (ainda) os carros voadores e os criados robôs, pelo menos o idealismo por dias melhores não morreu, apesar de todo o realismo pungente. E os heróis? Bem, eles já morreram, ficaram paraplégicos, mudaram de nome, uniforme, poderes, aderiram ao homossexualismo ou assexuaram-se de vez e ressuscitaram em revistinhas apodrecidas por editoras que se renovaram demais... Sim, porque, como imortais, não importa o que aconteça, eles sempre voltam - ainda que totalmente diferentes daquele tempo em que eles dominavam...

E numa era ferozmente moderna, porém multicolorida, como a dos dias atuais, nada mais justo do que aqueles heróis cheios de cores voltarem à tona, nas mais modernas mídias possíveis. Entretanto, bem antes que Batman, Homem-Aranha e Homem de Ferro se transformassem em indústrias movimentadoras de fortunas em filmes de bom entretenimento, houve um tempo em que as tramas adaptadas eram no preto e branco dos capítulos das matinês dos cinemas ou nas séries de uma televisão ainda primitiva dos anos 40 e 50... E se herói na TV era sinônimo de ‘pow’, ‘soc’ e ‘crash’, no mais exagerado ‘nonsense’ dos anos 60, um kryptoniano mudou por completo o conceito de adaptação de HQs: nada deste ‘boom’ cinematográfico de hoje em dia seria possível se em 1978 um certo alienígena sedutor não sorrisse para a câmera no final, naturalmente rindo-se dos que até então duvidavam que um homem de ‘collants’ pudesse voar num filme tão bom... Atraindo aos cinemas crianças maravilhadas e adultos ainda desconfiados (ou um pouco envergonhados), Superman - o filme ressuscitou a magia de outrora com uma trama cheia da fantasia daqueles antigos e bons tempos, com respeito e inteligência aos gigantes de uma era já quase esquecida no Cinema realista da década de 70.

Hoje, em meio ao caos de imagens tão cheias de cores e sons, truques tão acelerados quanto vazios de seriedade e compromisso, por entre 'nerds' e 'geeks' que desejam aparecer mais que o próprio filme em seus cultos a uma babaquice desvairada, parece que a magia toda, matéria-bruta na qual aqueles heróis um dia foram forjados, anda bem esvanecida... Por isso, de assustar que, num só ano, surjam, pela primeira vez na tela grande Lanterna Verde, Thor, Capitão América... Sem contar o interessante reinício jovem dos X-Men com sua "Primeira Classe" (o melhor da safra, readequando-se aos bons e velhos anos 60 de suas origens)! Todos eles lá, aprisionados a campanhas de 'marketing' mais agressivas que as atrocidades de Caveira Vermelha, Loki, Sinestro e Magneto juntos e mais assustadoramente obtusas que qualquer Zona Fantasma: e tome bonecos (adendo: gosto de colecioná-los... Eu me rendo!), publicidades virais pela rede mundial de computadores (coisa da Shield, provavelmente...), lanchonetes vorazes com suas "ofertas" casadas... E tome vontade e esperança de vê-los novamente com a aura de majestade de antes e com eles dialogar sobre uma época que não mais existe!

Mas, mesmo as "versões moderninhas" me faltava tempo de vê-las, nessa correria desenfreada de tentar corrigir tantas mazelas no meu tempo que ficou pra trás, já quase sem fantasia... Eis que Odin, generoso como só um deus pode ser, parece ter-se apiedado desta pobre alma, ó, irmão, e me conduziu, depois de longo e tenebroso inverno sem ver um filme sequer, às terras mágicas da sala escura, com toda aquela luz de arco-íris na grande tela dos últimos dias! Tive que correr, mais rápido que o velocista escarlate (que, dentre suas dezenas de versões chatas e cansativas, ainda prefiro Barry Allen!), para driblar o realismo sem fantasia de meus últimos meses e pôr a prosa com meus antigos heróis em dia: forçando uma folga recentemente, eis que voei aos cinemas para ver suas novas versões pirotécnicas!

Sim, porque, infelizmente, é mesmo o que pode ser dito quanto a um equivocadamente engraçadinho (e aceso!) Lanterna Verde (bastava adaptar o arco Origem Secreta, de Geoff Johns, e teríamos um filme bem melhor!), sem se esquecer de um fraco Thor (que direção de arte tosca era aquela?!): se a DC ainda se esforça (em vão) para iniciar novas séries fora do brilhantismo de um Batman (pouca fantasia, mas ótima franquia de cerebrais filmes de ação) ou da nostalgia de um Super-Homem (ao contrário de muitos, gostei do filme-homenagem do Bryan Synger) e a Marvel Studios segue tropeçando desde Homem de Ferro numa insana correria para apresentar a todos os seus medalhões antes do filme-evento dos Vingadores, fiquei sozinho na platéia, a tatear no escuro, literalmente, o ocaso de personagens tão ricos e bacanas, como o sentinela esmeralda e o deus do trovão, que mereciam filmes bem melhores...

Mas parece que Capitão América - O Primeiro Vingador tem sido a mais "redonda" das últimas abordagens: com sua homenagem aos tempos áureos em que surgiu o personagem, o spielbergiano discípulo do bom cinema oitentista Joe Johnston conseguiu, ainda que sem muita novidade ou emoção, edificar aquele sentimento de matinê perdido em algum lugar de nossas retinas fatigadas, entregando um bem razoável entretenimento com a calma de que a Marvel vinha precisando: Capitão América agrada mesmo em tempos de sentimentos anti-americanos com grande elenco, aventura e efeitos na medida (muito interessante a reconstrução em CGI do Steve Rogers franzino) e uma gostosa trilha de herói como há muito o amigo Jorge Saldanha não ouvia (eu diria que desde James Horner em Rocketeer, com aquela ótima trilha para um personagem novo com cara de antigo)!

Ah, os heróis e a fantasia inspiracional daqueles dias dourados... Eu mesmo, como se dominado pelo dia mais claro, enchi meu peito daquela verde esperança de outros tempos, época em que mais me aproximava do espírito daqueles heróis, e lutei contra todos o desafios que surgiram no último agosto, mês de maior correria pra mim dos últimos tempos... Porém, apesar de aqueles que ainda me vêem de capa reluzente contra o sol (mas com uma bandeira brasileira ao fundo, faz favor!) jurarem ter-me visto voar em alguns momentos, infelizmente também tive meus tropeços, acompanhados de quedas livres... E, por isso, mesmo enfrentando todos os medos amarelos que me cobram os poderes até hoje (afinal, "com grandes poderes"...), e ainda querendo muito acreditar naqueles semideuses de outrora, sigo com meu super-uniforme no lixo, lutando o mero dia-a-dia como o mais realista dos mortais...

Não resta dúvida de que eles, um dia, dominaram a Terra... Muito tempo antes de toda essa patacoada visceral de efeitos desenfreados e de mundos virtualmente vazios... Muito antes de meus largos vôos por sobre a Terra terem-se transformado em, no máximo, corridos passos (sempre atrasados) em direção a faculdades de alunos desinteressados e a fóruns e juizados cinzas e sem esperança... Mas, se não sou mais um super-homem, ainda posso ser o superpai de minha doce Isabela, para quem salto mais alto que o próprio Hulk e tenho mais truques do que um Mandrake e um Zatara juntos! E minhas letras persistem, mesmo diante da kryptonita mais forte! Por isso fico feliz ao ver tantos fiéis Jimmys Olsens acompanhando as letras que jogo aos ventos virtuais, sempre por aqui antenados tal como se possuíssem aquele famoso relógio-trasmissor do fotógrafo camarada do Planeta Diário, à espera de mais uma nova temporada!

Pois ajustem a freqüência e ouçam a boa nova de setembro, caríssimos blogueiros de plantão: o Sombra já sabe e agora todos fiquem sabendo que os Morcegos estão de volta em cartaz! O meu muito obrigado a vocês, que jamais me abandonaram voando sozinho rumo a um crepúsculo esmeralda qualquer...

"Eles nos matarão se puderem, Bruce! Eles não devem ser lembrados de que gigantes caminham sobre a Terra!"
(Super-Homem, em Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller)
Ainda assim, sempre será possível recomeçar e fazer a diferença, sendo alguém especial, um gigante...
Dedicado a Sérgio Ronnie, Jimmy (Olsen) Ranyer, Ricardo Alexandre, Dennis Guilhon, Henrique Spencer, Quézia Custódio, Lígia Calina, Diogo Rodrigues, Marcos Dhotta, Marco Santos e Adriana Bello (uma Liga da Justiça inteira!) e a todos aqueles que carregam dentro de si um herói de tempos idos...

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