segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Que HQ!



Leio quadrinhos antes de dormir
Na luta destemida de tentar fugir
Dos vilões absurdos e incontestáveis
Das horas irresolutas e intermináveis
Do dia que ainda nem começou...

(Dilberto Lima Rosa, 2006)

Quadrinho é arte? Eu considero que seja, sim (a "Nona Arte", como querem alguns). Talvez até uma "subarte", derivada diretamente da Pintura (ou ainda do desenho, derivado desta) ou da Fotografia, mas algo artístico, sem sombra de dúvida! E nem me venha com aquelas tolas premissas de não ser arte em virtude da "vendagem" ou do "tipo de mercado, voltado para crianças", fáceis de derrubar: só considerar que um livro ou um filme também são postos no mercado e vendidos, bem como o número grande de "quadrinhos adultos" ou ainda o grande número de adultos consumidores de Quadrinhos "infantis" ou "infanto-juvenis" - e o maior ou menor grau de qualidade artística envolvida dentro do entretenimento variará conforme o gosto... Ou o dinheiro envolvido!

Will Eisner, gênio falecido há pouco mais de um ano, em produção ativa até quase o fim da vida, foi um bom exemplo disso: presenteou-nos com um herói mascarado, The Spirit, e escreveu (sim, Quadrinhos também podem apresentar fortes doses literárias além das imagens!) e desenhou inúmeras obras-primas, como "No Coração da Tempestade"! E, quanto ao humor de certas tiras, o que dizer de mestres como o argentino Quino, o brasileiro Angeli e o norte-americano Charles Schultz (ou, melhor apresentando, Mafalda, Os Escrotinhos e Snoopy, só para citar alguns exemplos), que desbravaram o comportamento de gerações e ainda hoje são referências para inúmeros estudos? Com certeza, longe de "bobagem para crianças"...

Tudo isso para chegar ao Dia do Quadrinho Nacional (30/01), data que passei a conhecer ontem, graças a um 'email' que recebi: primeiramente, entendi ser uma data nacional para as HQs; só depois é que percebi a vinculação à prata da casa, um dia estabelecido em razão de que, em 30 de janeiro de 1869, tenha sido publicada a primeira História em Quadrinhos em seqüência e com um personagem fixo, no Brasil – As Aventuras de Nhô Quim e Zé Caipora (nove capítulos, pelo traço de Ângelo Agostini).


Então um viva aos quadrinhistas nacionais, esses bravos que lutam com criatividade num mercado altamente competitivo com material de fora: comecei com a turma da Mônica, do Maurício, aos 5 anos; depois conheci a galera da Chiclete com Banana, aos 13; fiquei fã, na juventude, da Graúna do gênio Henfil e dos Piratas do Tietê, do mestre Laerte (bem antes de sua atual e provocadora fase 'crossdresser'); e até hoje curto cartunistas geniais como os Carusos! Embora, no momento, não esteja lendo nenhum brazuca (acabei de ler Deu 'tilt' no Progresso Científico, com o genial moleque Calvin e seu tigre Haroldo, do Bill Waterson, a fraquinha Clic, de Milo Manara, e Palestina Uma Nação Ocupada, de Joe Sacco; agora lendo American Splendor - Bob e Harv Dois Anti-Heróis Americanos, de Harvey Pekar e Robert Crumb), vida longa (e próspera) à HQ nacional – eu mesmo um quadrinhista amador, desenhista "aposentado", já tendo mostrado aqui, em 2007, uma mini-série de 5 episódios, 'O-Soto Gari' Madureira.

Para visualizar meus Quadrinhos, clique aqui para ver todos os 'posts' da época, em ordem decrescente, com uma apresentação para cada capítulo, clicando depois nas imagens para ampliá-las, ou clique diretamente nos 'links' abaixo, com cada página já ampliada:
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tempo de Aniversários


Descobri Tom Jobim por volta dos 15 anos, quando, catando LPs na casa de uma amiga para gravar uma fita K-7 (quantas antiguidades...), descobri a canção Chega de Saudade, obra-prima absoluta de Tom e Vinícius e espécie de marco-zero da Bossa Nova, de 58. A partir de então, as músicas do Mestre nunca mais deixaram de fazer parte da minha vida (ao lado de outros gênios como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Pixinguinha, Noel...), de tal forma que alguém tão distante acabou por se converter em ente próximo – tanto que, ao final de 1994, quando da notícia de seu falecimento (que só fiquei sabendo tarde da noite graças às preocupações e correrias daquela época de vestibular), senti, conversando com a então colega de turma Jandira, que um amigo próximo havia partido, tamanha a intimidade com sua Música e com sua Poesia, em letras e em melodias tão belas...

Tom foi Debussy, Villa-Lobos, Pixinguinha, Vinícius... Foi o dono da sabiá, de sua mata e de seus bichos de 'terra brasilis' que ele, antes de qualquer “ecochato”, tão bem soube defender, para o mundo todo, aos gritos melódicos e roucos de seu jazístico samba mais que brasileiro (ele próprio não gostava dessa estória de dizer que Bossa Nova era jazz...). Ao belo senhor de cabelos bonitos, chapéu panamá e compositor genial e único, que entoou uma cara para o Brasil e tão bem cantou e trouxe ao mundo tantos clássicos inesquecíveis: feliz aniversário, feliz bossa, no dia da Bossa Nova, no teu dia, Tonzinho, parabéns! “Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara...” abençoa este Rio, hoje triste e destruído pelas águas de janeiro, de que tanto o Tom gostou...

E por falar em Bossa Nova, de lembrar hoje que Caetano, baiano que também ama o carioca Tom (para quem dedicou uma canção e o nome de um filho), soube compor e cantar tão bem uma obra-prima, numa bela fusão de bossa, choro e tropicália, naquele seu estranhamento por sobre concreto e sonhos cruzados para a universalidade de gente, prédios e cultura definidores de Sampa – quase um segundo termo para a megalópole São Paulo, que hoje também aniversaria, completando 457 anos!

Então (afinal, só paulista mesmo para gostar tanto de começar frase com "então"...), uma vez que os Morcegos são muito mais lidos pelo resto do País do que pela minha própria São Luís do Maranhão, meus parabéns também aos "mano" paulistas ("é nós”; “’tá ligado?" e outras adoráveis idiossincrasias adúlteras da Língua, que ali já abrigou tantas outras...) que por aqui dão rasantes: "tipo" um "hiper-mega" “extra” (lê-se ‘estra’ por lá!) abraço a esta cidade ao mesmo tempo caótica e belamente surpreendente, um pouco nordestina, um pouco carioca, um pouco mundial, cosmopolita que é de sabores e de gentes, que jamais será “túmulo do samba” como brincou um dia Caetano, dada a poesia singela do "ítalo-bamba" Adoniran Barbosa e de tantos outros bons sujeitos de lá, como os amigos Miguel Chammas e sua adorada Soninha, que, juntamente a outros bandeirantes cheios de bossa, contam sempre boas memórias de "um sonho feliz de cidade"...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tempo que não volta...


Hoje estava na casa de minha avó paterna, D. Marieta Guilhon Rosa, no Planalto-Anil, próximo ao Posto Pingão, célebre casa de minha infância, tantas as vezes que lá dormi... Conversava com vovó na cozinha quando saímos por instantes para colocar o lixo na área ao lado, que dava para um longo corredor até o fundo da casa, ao que ela me confidenciou, baixinho: "teu avô está te esperando lá no quartinho do fundo, ele quer conversar contigo, vai lá...". Eu, sem questionar, segui a passos lentos aquele corredor estreito, de paredes cobertas pelo tempo e pelo limo, quando me lembrei de algo que irrompeu ao coração: "ei, mas vovô já morreu!", no que acordo e percebo que estou no meu quarto e que tudo não passara de um sonho, que, assim como a maioria dos sonhos, não sabia porque o havia tido...

Na hora do almoço, em casa, com a televisão a dar as notícias, distraído acompanhava as matérias até que enfim prestei atenção numa em especial, sobre o feriado de hoje no Rio de Janeiro, por ser dia de São Sebastião, padroeiro da cidade maravilhosa - meu avô, Sebastião Ribeiro Rosa: ele faria aniversário hoje!

Apesar de nunca ter sido dado a misticismos, não deixei de me surpreender com aquela estranha ligação: sonhar com vovô, justo hoje; e ele, por uma época, ouviu seus inesquecíveis LPs no quartinho do fundo de sua casa, para onde levou o velho aparelho de som depois que meu tio de lá se mudou, e, sempre que o visitava, para lá me dirigia a fim de acompanhar aqueles mestres da voz, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Jamelão, Ataulfo Alves, Cauby Peixoto... Em que pese o fato de, antes de morrer, ele passasse longe do quartinho do fundo, uma vez que sofreu delicada cirurgia em que teve de amputar a perna direita devido a um aneurisma, restando tristemente deitado no seu quarto nos últimos meses de vida, marcara-me o quartinho do fundo, o "quarto da bagunça", no fundo de minha memória perdida...

Especialmente neste dileto espaço virtual, muitas foram as homenagens que já fiz ao meu estimado avô, que morreu sofregamente no hospital, depois de várias internações, no dia 13 de junho de 2004 (dia de outro santo, Santo Antônio), entretanto nada mencionara sobre ele já há um bom tempo, nem nas conversas informais na família, por isso a surpresa a respeito do sonho...

Logo após o seu falecimento, minha avó vendeu a grande casa do Planalto e se mudou para a casa da minha tia. Nunca mais soube daquela casa, nem dos seus novos moradores, e fico me perguntando das sensações daquele sonho: meu avô continuaria por lá, no quartinho dos fundos, repousando enquanto toca na vitrola antiga Lábios que beijei, Aos Pés da Santa Cruz ou Juramento Falso, silente e discreto como sempre viveu, sem chamar a atenção dos novos moradores, nem de forma espectral, nem de forma alguma? Não creio... Ou foi sua essência viva no recôndito de minha memória sentimental que me chamou no subconsciente da data de hoje? Acho que nunca descobrirei... Mas me pergunto mesmo sobre o que vovô Sebastião queria conversar comigo hoje...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tempo de Fellini


Se a preocupação com o tempo já me era demasiadamente cara, diuturnamente a inquietar minha obra, o que dizer depois que Isabela veio a este mundo: tempo vivo a olhos vistos a crescer... E, se os últimos 'posts' deste humilde espaço virtual guardam íntima relação com o tempo, nada mais justo que lembrar, neste janeiro, a mais que grata vinda de Federico Fellini ao mundo, um artista a frente de seu tempo, nascido no dia de São Sebastião (semana que vem se completam 91 anos de seu nascimento), falecido no dia das bruxas (de 1993): este gênio italiano me fascinou desde o primeiro filme seu que vi, Amarcord, aos 14 anos, até hoje viajando através de outras de suas obras-primas, como A Doce Vida, A Estrada da Vida, E la nave va, Os Boas Vidas, Noites de Cabíria... A ele, minha singela homenagem em forma de poema inspirado em sua obra feita de tempo, sonhos e poesia - mais especificamente 8 1/2, sua obra-prima maior...

Asa Nisi Masa
Para Federico Fellini

Eu me recordo
Da névoa de meus oito e meio
E de alguma coisa a mais digna de nota
Que posso ouvir de meus amigos
E de minhas amantes eternas
Que me fez chorar com o picadeiro musical
Da grande nave espacial
Que nunca decolou
Nem tampouco decolará
No universo de meu eterno filme sem princípio...

Choro, ao lado de meu amor,
Por ela não ter visto o homem
Que sonha
E que ao fugir, a voar por sobre os carros,
Desmorona,
Sem saber de onde poderá voltar...

Anda, corre,
Dá-me um chicote
Para segurar o tempo
E, depressa, achemos o tesouro
De dirigir a vida entre teus atores
Antes que o tédio de meus amores
Me lembre de que o filme já terminou...

(Dilberto L. Rosa, 2002)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

É Tempo de...


Voltar - Cheguei a São Luís no último domingo de manhã, diretamente de Teresina, agradável capital do Piauí, onde, dentre outras coisas interessantes, pude deliciar-me com bolinhos de piratinga e um surubim na chapa no famoso Restaurante Flutuante do pequeno parque do Encontro das Águas (entre os rios Poty e Parnaíba) - onde também aproveitei os ótimos preços dos artesãos locais e comprei várias peças de cerâmica para a casa - e passeei de carro, sem 'stress', pelo mais-que-organizado trânsito da cidade (que diferença da pavimentação horrível e sinalização idem de São Luís...)!

Curiosamente, quando tantos teresinenses e codoenses - habitantes da cidade maranhense onde passei o Natal - abandonavam suas casas para curtir as festas de fim de ano no litoral, eu sempre era questionado por esta opção "às avessas"! Mas, como nem sairíamos para ver os fogos por causa da pequerrucha, não dava para recusar mais um insistente pedido de Jandira para, enfim, passarmos o Natal ao lado dos seus familiares em sua terra de origem, Codó - ainda mais quando por lá outras festas familiares de aniversário se juntariam ao "aniversariante principal" de dezembro... A mais que acolhedora recepção dos anfitriões (meu cunhado e compadre John Herbeth e sua amável esposa Jozy – para quem fiquei devendo um vaso de antúrios de presente –, sem esquecer a sempre calorosa companhia de meus sobrinhos, Davi, 5 anos, desligado em frente a TV, e Clarinha, 2, inteligência aguçada e sorriso cativante a serviço da destruição de suas diabruras) e a sempre cheia casa de D. Salu, avó de minha esposa, fizeram com que eu me sentisse em casa - apesar das muitas moscas e do calor abafado da região...

Teresina, enfim, foi a "cereja do bolo": faltando dois dias para o fim de 2010 e a a menos de duas horas de Codó, resolvi descer para o Piauí, onde reside o tio Erivan, de Jandira. Graças a Deus, o tão famoso calor (temperatura amena; Codó estava pior! Mas os pernilongos...) não afetou minha pequena Isabela, que tão bem se adaptou a toda a aventura de mais de mil quilômetros de carro pelas BRs 135 e 316!

Agradecer - Além de a Deus, pelo meu maior presente de 2010 (e da minha vida), minha linda e doce Isabela, e dos reiterados agradecimentos à família Pinheiro Rocha, não poderia deixar de mandar um forte abraço a duas pessoas especiais que, nos 45 do segundo tempo da correria antes de viajar (resumo simbólico da agonia acelerada que fora todo o semestre), lembraram-se de mim e me ofertaram presentes inestimáveis: ao querido aluno, Sr. Carlito, que tão gentilmente me deu uma linda caneta Crown prateada, gravada com meu nome completo, e à "irmã caçula" Adriana, que, buscando nas entranhas virtuais das minhas famosas listas de pedidos de 'posts' idos, descobriu que ainda desejava possuir os DVDs O Resgate do Soldado Ryan (Edição especial, 2 discos) e Os Trapalhões (coletânea saudosista com 4 discos) e mos deu, de coração!

Não podendo esquecer, nesta espécie de "Diários de Fim de Ano", os carinhos doces da mamãe Dilena (linda camisa!) e da esposa Jandira (celular 'dual chip': presente tecnológico para mim, vejam só!) - a todos estes (e também àqueles que me esqueceram): "aquele abraço" e um excelente novo ano... Agora é rapelar as mãos para desarmar a árvore, queimar as palhinhas do presépio e correr atrás - com Deus por cima de todos nós...

Despedir-se - Pés descalços em casa, adeus à estrada afora, pois que, para os pais, Feliz Natal foi só pelo celular de sinal ruim... "Baby, bye-bye, abraços na mãe e no pai"; "aqui 'tá fazendo calor", e nesta Ilha começou a chover... Quero um tempo pra meus filmes ver - e eu só penso em descansar, até o rojão começar, que essas férias já vão acabar, "oh, tenha dó de mim"... E eu não renovei minha fé: resolução, para mim, não dá pé! Passei de calção preto o 'reveillón'! E pra vocês, tudo de bom! Tem meu escritório pra acabar de arrumar e mais a saúde para eu cuidar: tenho mesmo que emagrecer (pelo menos 6 quilos perder...) e o colesterol para baixar! E o ano nem bem começou, já vi que nada mudou: se eu não correr, quem corre por mim? Os astros ou coisas assim? "'Tou a fim de encarar um siri", meu amor... Em Santa Rita comprei Bacuri; farinha, eu quase não vi... Em Teresina não vi flanelinha... Eu vi uma São Luís na tevê... "Em março, vou pro Ceará"... Vi uns patins pra Carol... "Eu vou me mandar de trenó"...

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