domingo, 29 de janeiro de 2012

Resposta ao Tempo


Tenho uma teoria quanto a certas cantoras possuírem vozes que se confundem mesmo com os instrumentos que as acompanham: assim seriam Billie Holliday (podendo dividir-se em mais de um, como o piano e os metais de "If you were mine"), Maria Bethânia (violoncelo de "Fera Ferida"), Gal (guitarras em "Meu nome é Gal"), Marisa Monte... Já outras, num "segundo patamar", se suas vozes não se tornaram os instrumentos de seus arranjos, com estes elas têm o poder de se unir como uma luva: assim são Ella Fitzgerald, Amy Winehouse, Nana Caymmi... Ah, Nana: tenho-a redescoberto desde que "desenterrei" um dos melhores discos que já ouvi, Resposta ao Tempo, de 1998, seu primeiro disco de ouro (não só pela sua qualidade musical, como, particularmente, por ter sua canção homônima sido um estrondoso sucesso como tema de abertura da série-novela Hilda Furacão) e, se no ano passado eu fui às lágrimas com sua interpretação, neste mesmo disco, de "Não se esqueça de mim" (ao lado do "Tremendão" e co-compositor, Erasmo Carlos), agora foi a vez de me emocionar profundamente ao ouvir, em sua belíssima voz, os versos "E o tempo se vai com inveja de mim/ Me vigia querendo aprender/ Como eu morro de amor/ pra tentar reviver" do genial letrista Aldir Blanc...

Tudo bem que os arranjos do próprio Cristóvão Bastos, co-compositor da música, tornaram-se inesquecíveis (aquela introdução...), mas a Poesia de "crônica metafísica" do eterno mestre Aldir, quando a redescobri nesses versos, na voz casada aos arranjos de Nana, na semana passada, sozinho, no carro... Como levei tanto tempo para essa "redescoberta"? Talvez pelo hipnotismo que o arranjo da linda melodia, casado com a magnânima voz de Nana provocam... Por isso é que hoje faço questão de relembrar este lindo poema, começando a trilha de Play it again, Sam (coluna ao lado) não com a já clássica interpretação da filha mais velha do eterno Dorival Caymmi (essa eu deixei para tocar em seguida, com o igualmente lindo "Não se esqueça de mim"), mas com uma não muito famosa interpretação intimista do próprio Aldir Blanc... Letra e música com vocês, meus queridos blogueiros de plantão, pelo tempo que precisar...


Resposta Ao Tempo
(Cristóvão Bastos/Aldir Blanc)

Batidas na porta da frente
é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
argumento
Mas fico sem jeito, calado
ele ri
Ele zomba de quanto eu chorei
porque sabe passar
e eu não sei

Num dia azul de verão sinto vento
há folhas no meu coração
é o tempo
recordo um amor que eu perdi
ele ri
Diz que somos iguais
se eu notei
pois não sabe ficar
e eu também não sei

E gira em volta de mim
sussurra que apaga os caminhos
que amores terminam no escuro
sozinhos

Respondo que ele aprisiona,
eu liberto
Que ele adormece as paixões
e eu desperto
E o tempo se vai com inveja
de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
me esquecer

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Megaupload is dead


Não, meu queridos blogueiros de plantão: não se trata de uma intervenção federal estadunidense em meu humilde espaço virtual (mais ou menos como o Google fez, recentemente...); nem o título deste 'post' homenageia nenhuma série televisiva querida por este "extraterrestre" e desconhecida do grande público; tampouco se trata de algum super-herói dos Quadrinhos cuja morte foi enredada para vender mais revistinhas! Não: na verdade, para aqueles que ainda não o conhecem, o Megaupload é o maior 'site' de compartilhamento de arquivos da 'internet' e um dos mais acessados do mundo (daqueles que abrigam arquivos, como filmes, músicas ou livros, para 'download' - com 150 milhões de usuários registrados e um volume de visitas diárias na casa dos 50 milhões). Ou melhor, era: desde o último dia 19, o FBI retirou o Megaupload do ar porque o mesmo "compartilhava pirataria e já tinha prejudicado gravadoras e distribuidoras de filmes em mais de US$ 800 milhões" (no lugar da página, aparece a imagem que encabeça esta postagem, logo acima), prendendo o seu dono, Kim Schmitz, e mais três diretores do portal, na Nova Zelândia.

Não demorou muito para que o FileSonic, outro 'site' de hospedagem, apresentasse a seguinte mensagem (em tradução livre): "Todos os arquivos compartilhados no FileSonic encontram-se desabilitados. Nossos serviços só podem ser usados para baixar ou recuperar arquivos que você mesmo tenha carregado". E demorou menos ainda para que milhares de hackers auto-intitulados como Anonymous tirassem do ar 'sites' do governo americano e de empresas que apoiam projetos de lei como SOPA (ou, em bom Português, "Lei de Combate à Pirataria Online", que amplia os meios legais de banimento dos 'sites' que "lucram" com filmes, músicas etc. sem se preocuparem com direitos autorais, projeto cuja votação foi adiada depois das reações da Indústria da 'internet'), como as do próprio FBI, da Universal Music, Motion Picture Association of America e da Associação da Indústria de Gravação da América.

Longe de reduzir tudo a um nível superficial, como vem sendo discutido nos 'sites' mais "revoltados", ou de bater contra qualquer lei de direitos autorais, acho uma grande tolice a forma como o assunto vem sendo levantado, especialmente da forma como se deu a retirada do Megaupload do ar (e os milhares de assinantes legalmente constituídos? Afinal, o 'site' mantinha suas operações de forma mansa e pacífica...)... Já se tornou verdadeiro lugar-comum o uso de 'sites' como o Megaupload, em suas várias formas! Tanto que personalidades do entretenimento norte-americano causaram polêmica num vídeo recente, com um gostoso 'jingle' sobre o famoso 'site' de hospedagem. Eu o uso e, ainda que acredite devam existir formas de coibir os abusos de violações a direitos autorais (como o OPEN Act, do pessoal do Google, com a proposta de abertura para colaboração e debate com as grandes empresas de mídia), não acho que seja eliminando um 'site' de 'downloads' que se conseguirá extinguir a pirataria - pior: as grandes empresas do entretenimento estarão batendo de frente não só contra a Indústria da 'Internet', como também contra milhões de usuários e consumidores em potencial! A 'internet' é algo dinâmico, com sua própria estrutura de circulação rápida de informações, e ir contra isso, além de uma estupidez, fará gerar grandes prejuízos financeiros, maiores do que os alegados pelas gravadoras, por exemplo...

Sou do 'download' desde que Isabela nasceu e fiquei sem tempo ou oportunidade de ir aos cinemas ou de alugar um vídeo na locadora: muitos são os 'sites' que oportunizam filmes, às vezes antes mesmo de chegarem às salas de exibição (porém, muitas vezes, com qualidade duvidosa) e hospedam seus arquivos em 'sites' como o Megaupload para qualquer um baixar. Há negócios escusos envolvidos nisso, claro, mas me pergunto (e com sérias chances de resposta) por que um 'site' como o Youtube, gigante terreno para pirataria e onde vi, recentemente, um filme inteiro disponibilizado (a ótima animação Persépolis), continua no ar... Por isso, há muito mais a ser discutido que uma reacionariamente simples e unilateral proibição!

Em seu último comentário por aqui, a amiga virtual Érica sugeriu que eu fizesse uma postagem sobre como fazer 'downloads' - apesar de "um pouco tarde" pra isso, nunca vi maiores dificuldades nesta tarefa: ou jogava no Google o filme desejado e buscava, dentre vários 'sites' de'downloads' que o disponibilizassem, aquele de melhor qualidade e confiança (muitos são apenas de fachada, com 'links' dos mais diversos para que se baixem aplicativos ou 'malwares' no computador - é preciso um pouco de atenção), ou recorria a 'sites' específicos de bons filmes, onde, além dos títulos dos mais diversos para baixar, muitos também contavam com ótimos textos sobre Cinema. Alguns, como o Educação e Filmes e o excelente A Terça Parte do Cinema, ou se encontram sem novas postagens ou com problemas devido ao fim do Megaupload; outros, como o Tela de Cinema, Convergência Cinéfila e Sound and track também são boas opções, valendo-se de outras alternativas de armazenamentos dos seus arquivos, como o 4Shared, o Rapidshare etc. Claro que há outras formas, como os programas UTorent e o Limewire, mas todos com regrinhas mais específicas, para quem quer algo mais aprofundado (ou, atualmente, tentar fugir da "repressão" virtual!).

E "por hoje é só, pe-pe-pessoal": discutamos o direito autoral sem crises mundiais ou ataques a costumes já arraigados do mundo virtual! E sigamos fugindo dos virulentos FBIs, que nos rastreiam e nos espreitam em nossos humildes IPs incautos, tudo por causa de um filme, uma música ou um programinha pirateado da Microsoft ("Bill Gates já está muito rico!")... Até que o Megaupload renasça das cinzas, tal como um super-herói dos Quadrinhos, e venha nos salvar!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Carta do meu avô Sebastião
para minha filha Isabela


São Luís, 20 de janeiro de 2012

Cara Isabela,

Quem escreve estas "mal-traçadas" linhas virtuais não é o seu bisavô Sebastião: ele já morreu há mais de 7 anos e, pelo que me lembre, jamais tocou um computador... Sou eu, seu pai, falando dele... Porém, apesar de não acreditar muito em psicografia, sinto que ele, de alguma forma, agora escreve por mim em muitos aspectos, através da minha memória afetiva... E, como acho que cartas de quem amamos são as mais caras, resolvi dar esta a você, de presente, no dia do aniversário dele...

Hoje, seu bisavô completaria 88 anos de idade. E eu, que homenageio tantos nomes desconhecidos e distantes por seus feitos culturais ou ideológicos, venho hoje homenagear este homem comum, com sua histórias de histórias, por meio desta carta a você. Não que eu nunca o tenha homenageado, muito pelo contrário: desde 2004, ano em que faleceu, já lhe rendi inúmeros escritos, entre crônicas e poemas, tanto por ocasião da data do seu nascimento, no dia de São sebastião, como no da sua partida, no dia de outro santo, o Antônio.

Se foi santo o seu bisavô? De alguma forma, sim, com seu ar simpaticamente distante em meio a furacões de problemas, com um pouco de estoicismo e um pouco de displicência, sempre com um sorriso bacana... Mas a santificação veio mesmo no final da vida, com sua martirização devido a uma série de pequenos problemas de saúde, que culminaram na amputação da sua perna direita. Ainda bem que você nunca o viu assim, triste numa cama, esperando a morte chegar em casa ou no hospital... Bem, você nunca o viu de jeito nenhum...

Ele era alegre, generoso e sempre muito simpático com todos. Algumas vezes bem mais alegre e generoso que o normal, com eufóricas brincadeiras e histórias mirabolantes de feitos e bravuras; outras bem menos, taciturno até, recostado nalgum lugar e, discretamente, batucando seus sambinhas nos braços da poltrona - tal era o seu bipolar "problema de nervos"...

Hoje batuco quase sem querer qualquer uma das cançõezinhas de que você já tanto gosta, Filha, ora pelos braços das poltronas, ora nalgum objeto acusticamente interessante, ora no seu próprio corpinho... Noutras vezes fujo simpaticamente dos atrozes problemas ao som de um samba antigo e melodicamente perfeito, dentre os milhares que ele me ensinou a gostar também sem querer, quando eu ouvia, ao seu lado e quase em silêncio, os LPs de Nelson Gonçalves, Ismael Silva, Jamelão, Martinho da Vila e Paulinho da Viola - muitos hoje comigo, mas que você ainda nem teve o prazer de ouvir, porque o Papai ainda não consertou o antigo 3 em 1 do vovô Carlito... Sim, o filho do seu bisavô Sebastião, que traz mais ainda do seu "bisa"...

Sei que ainda se encontram de pé todas as suas 4 "bisas" (parece tradição da família as mulheres enterrarem os maridos e seguirem por mais um bom tempo - mulheres fortes: bom pra você, minha querida); porém, além das questões das distâncias e das saúdes de cada uma delas, o seu bisavô Sebastião foi o que mais deixou herança...

E assim nos levamos, minha doce Isabela, por entre as histórias maravilhosas de momentos nem tão fantásticos assim, mas que trazem consigo histórias de vida, uma cara bonita de amor em família, heranças de pai para filho... Ou, no meu caso, filha: como você se parece tanto comigo (e eu, em várias coisas, com meu pai; e ele, bastante com meu avô), que a essência destas belas estórias siga com você e com os que vierem depois de você - que nos carreguem sempre!

Porque hoje é aniversário do seu bisavô, Filha: palminhas e beijinhos para o "bisa" Sebastião que, onde ele estiver, jamais se esquecerá de nós! Parabéns a ele, que você ainda nem começou a conhecer...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os 'Chicanos' e O Príncipe Negro


Lembrando a dica do velho Jens de guerra (e aí, meu irmão, cadê você?), finalmente assisti, neste domingo, a Machete, adorável 'trash movie' com veia política latina (impagável o senador racista, porém sincero, vivido por Robert deNiro), de 2010, do diretor Robert Rodriguez (aquele que mexeu com Hollywood quando se tornou uma lenda do Cinema independente com seu primeiro longa, El Mariachi, em 92). Muito legal ter visto entre as cabeças rolando e o sangue esparramado à exaustão, com vísceras servindo de rapel para o horroroso "galã" Danny Trejo detonar todos os vilões, uma inteligente discussão sobre as leis de imigração nos EUA - o humor escatológico a serviço da boa discussão política!

Só aproveitando um pouquinho os "recessos" de fim de ano, finalmente colocando em dia os inúmeros 'downloads' de grandes filmes da safra 2009/2010 que acabei perdendo nos cinemas - tantos que o PC já anda pedindo arrego para um HD externo, quase sem memória... Mas todos esses títulos são assunto para outra postagem: sim, porque ontem, logo em seguida à sessão caseira de Machete, emendei a exibição, já pela metade, da festa do Golden Globe Awards, o Globo de Ouro, a famosa "prévia do Oscar" em termo de premiações (o que, neste ano, parece difícil, com o equilíbrio de premiações para os vencedores O Artista e Os Descendentes). Mais do que isso: um bom prêmio hollywoodiano, da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, entidade ligada a antigas discussões sobre igualdade de raça e com atividades de caridade, que premia os melhores do Cinema e da televisão - e que quase não vi em razão de o tresloucado filme do Rodriguez ter me prendido a atenção!

Mas, mesmo tendo perdido boa parte da festa (mais ou menos como antes era o Oscar, as premiações acontecem em meio a um jantar), acho que a premiação cumpriu o prometido com relativa justiça, com destaque na cerimônia para os discursos soltos dos vencedores Meryl Streep (por seu papel de Margaret Thatcher, em A Dama de Ferro) - com direito a palavrão e a perda de óculos, passados de mão em mão na plateia! - e George Clooney (o "bonitão engajado" venceu como ator em Descendentes, mas perdeu como diretor para o mestre Scorcese, por A Invenção de Hugo Cabret); para a justa premiação de Woody Allen (ausente, pra variar...) pelo ótimo roteiro de Meia-Noite em Paris; e para as láureas às séries televisivas Homeland, Modern Family e Episodes (com Matt LeBlanc, o eterno Joey de Friends, levando como melhor ator).

E, apesar do sem-graça Rick Gervais como mestre de cerimônias, a noite ainda rendeu momentos bem interessantes: além de uma justa e tocante homenagem "de negro pra negro", com o mestre Sidney Poitier entregando, merecidamente, o prêmio Cecil B. deMille a Morgan Freeman - a quem chamou, muito pomposamente, de "um príncipe em sua profissão", ainda houve divertidos deboches em torno dos latinos presentes, com Antonio Banderas, Salma Hayeck e a bela Sofia Vergara, da sempre boa série cômica Modern Family, todos falando em bom Espanhol.

Os Descendentes, Tudo pelo Poder, Sete Dias com Marilyn, O Artista... Tantos novos e bons filmes para ver... E a maioria ainda nem estreou no Brasil. Enfim, gostei da minha noite de domingo: grandes atores negros celebrando a boa arte da interpretação e 'chicanos' debochando por sobre os costumeiros preconceitos em torno das suas origens... E isso tudo depois de Machete ter detonado cabeças e vísceras de brancos norte-americanos metidos a besta! Que venha o (ainda mais sério e cultuado) Screen Actor's Guild Awards, no próximo domingo, com ainda mais pluralidade (assim espero)!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TRILOGIA DO POEMA

I
Poema Que Se Atrase

Por que este poema
Pequeno, tolo, maldito
E sem futuro
Insiste em me roubar o sono
Em plena madrugada?


Antes fosse poema roubado
Que se fingisse meu
Em qualquer outra hora do dia
Para que assim não perdesse a hora,
Nem o café, nem o trem ou o trabalho.


II
Poema Que Se Ajuste

Que cada poesia em sua errância
Ajustasse sua insignificância
Ao estéril esquema de um horário!


Quisera que ao menos o meu dinheiro
Viesse por vocação e por inteiro
De cada um de meus versos ordinários!


III
Poema Que Se Perca

Onde está o meu poema
Que deixei por aqui agora, há pouco,
Cadê?
Fui só ali, bem rápido, falar com o mundo,
Fazer a vida acontecer...
Cadê
O meu poema, que não participa dos arredores,
Que nem mesmo tem por quê?!
Cadê,
Como pôde ter-me deixado aqui
Assim, largado à vida, sem saber
– Cadê...

(Dilberto L. Rosa, 2004)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Believe it or not...


Quem tem mais de 30 anos e não se lembra do tema de abertura de uma das mais adoráveis e cultuadas séries televisivas dos anos 80, Super-Herói Americano, só pode ser um extraterrestre de uma galáxia ainda mais distante da que originou os seres que trouxeram aquele super-uniforme sem manual - Believe it or not virou clássico na voz de Joey Scarbury (música de Mike Post e letra de Stephen Geyer) e se tornou um estrondoso 'hit' no início dos anos 80 (aqui no Brasil, um pouco mais tardiamente, quando do sucesso da exibição da série no SBT a partir de 88). Tanto que até hoje é lembrado em inúmeros filmes saudosistas (O virgem de 40 anos) ou parodiado em séries cômicas - como no também já 'cult' episódio "Susie", do genial Seinfeld, aquele em que Elaine Baines (Julia Louis-Dreyfus, de The New Adventures of Old Christine) cria uma enorme confusão no trabalho assumindo a existência de um 'alter-ego' seu chamado Susie e onde o esquizofrênico George Costanza canta uma hilariante versão da música como recado em sua secretária eletrônica (recusando-se a atender uma namorada, que queria o fim da relação dias antes de uma grande festa!).

Só para lembrar (aos mais novinhos e aos "extraterrestres" desmemoriados maiores de 30 anos), a série - que, por várias vezes, tentou voltar à ativa (até com uma versão feminina do herói, que jamais foi exibida) e agora parece que finalmente decolará, com a pré-produção de um filme e de uma série de quadrinhos - mostrava como o professor Ralf Hinckley, depois de receber um super-uniforme de alienígenas em passagem pela Terra e de perder seu "manual" de instruções de como usar a roupa especial, pelejava para lidar com os poderes da fantasia (hilárias todas as tentativas de voo e aterrissagem!), enquanto tentava conciliar sua nova vida de aventuras com seu bom caráter, sua noiva e seu parceiro (não tão bom assim) policial, numa série de roteiros bem simples, porém deliciosos e bem "anos 80" ao longo de três temporadas. Já Seinfeld, ao longo de toda a década de 90, remodelou as séries cômicas norte-americanas e fez sucesso como a maior "comédia sobre o nada" (no que discordo: tratava-se de uma "personificação" de textos de 'stand up comedy' através de 4 amigos e seu microcosmo de contratempos numa cidade grande) por exatas 9 temporadas, onde, com textos sempre muito inteligentes (Larry David e Jerry Seinfeld, na série interpretando a si mesmo), podia-se ver o dia-a-dia um comediante e de onde ele retirava as situações cômicas que abordaria em seu 'show'.

Ganhei de Natal da minha querida Jandira o ótimo 'box' com as primeira e segunda temporadas de Seinfeld (Seinfeld Volume 1, mas, além de não ter tido tempo de (re)ver nenhum dos episódios e os muitos extras dos 4 discos da minha série televisiva norte-americana favorita (ao lado de Friends, Two and a half men - com o "mito" Charlie Sheen - e Louco por você), devo lamentar que, neste estojo, não consta o episódio 'cult' da secretária eletrônica (da 8ª temporada), ficando eu na dependência do canal Sony em reprisá-lo na hora que bem entender... Mas aqui nos Morcegos o querido blogueiro de plantão não fica na mão e mata a saudade (ou passa a conhecer) estas duas versões de um clássico da música 'pop' cheio de referências, e - acredite ou não - excelente pedida para um domingão descompromissado...




Bons tempos que não voltam mais: "Acredite ou não, Estou andando no ar. Nunca pensei que eu pudesse ser tão livre Voando para longe do jeito que dá"... Curioso para saber a letra/tradução das canções dos vídeos aqui presentes? Então acesse aqui ou aqui para mais!

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012 chegou
(e o mundo não se acabou)!


Desde que o mundo é mundo que andam dizendo por aí que o mundo vai se acabar! O genial Assis Valente já brincava com isso, lá nos idos iniciais do século XX, graças às previsões catastróficas quando da passagem do cometa Halley, no genial samba E o mundo não se acabou... E não é sempre assim, desde "antes da Bíblia"? Acertou o comercial da Fiat quando disse que "o mundo não mudou muita coisa": as coisas são mesmo efêmeras, num eterno ciclo de recomeço - se a gente não corre atrás, não tem calendário Maia que salve! Prefiro o bom dizer da ótima Tulipa Ruiz em Efêmera: "Martela o tempo preu ficar mais pianinho Com as coisas que eu gosto E que nunca são efêmeras E que estão despetaladas, acabadas Sempre pedem um tipo de recomeço" (dê o 'play' ao lado e ouça essas adoráveis canções)...

E lá vou eu de volta para o meu futuro incerto no presente do meu passado feliz... Com as minhas tantas idas e vindas no tempo, dele finalmente sinto que já sou íntimo, tal como uma bela mulher com a qual tivemos o prazer de dormir um dia - e dela ter ouvido segredos de alcova: não importa quanto tempo passe e o quão distantes tornamo-nos dela, sempre restará a sensação de tê-la desnudado por completo... Mas, então, por que o tempo soa mais como uma ex-esposa vingativa, um inimigo pronto para dar uma rasteira no primeiro passo em falso ou me jogar na cara antigas verdades doídas?

Difícil dizer... O fato é que, mesmo achando o 'reveillón' uma supervalorizada festa esvaziada de maiores sentidos senão o do "recarregar", tal como Hal Jordan fazia com seu anel energético na bateria de Oa, sempre tento fazer as pazes com o tempo nesta época do ano de "virada" - normalmente em vão! Mas, não sei por quê, este "senhor tão bonito quanto a cara do meu filho" me parece menos cruel agora: finalmente a intimidade das tantas viagens no tempo, das subidas e descidas, que vêm me levando por tantos anos me soa como um verdadeiro desnudar daquela amante geralmente fugaz - eis o tempo sorrindo timidamente, só agora liberando aquele olhar de acolhimento da mulher cortejada depois de anos de olhares de doação intensos...

Não sei se é o brincar de Isabela pelo tempo, com o seu rosto crescendo cada dia mais igual ao meu - e, consequentemente, lembrando-me mesmo de mim, a me cobrar os infantis sonhos de conquista adiados - ou a simples desistência do próprio tempo para comigo (mesmo vencendo-o pelo cansaço, acho que é uma vitória...), mas o fato é que, neste nascer de 2012, as dores parecem, enfim, menos pungentes que antes e o corpo, apesar dos quilos a mais de sedentarismo (pura questão de tempo...), mais preparado para resistir aos golpes da "ex" eternamente insatisfeita e convertê-los em "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim" da eterna amada...

E, além de acreditar estar preparado diante das artimanhas do tinhoso tempo, tudo poderá ser cabalmente resolvido, com o amarrar definitivo da tal bela mulher efêmera no pé da cama, por meio de uma simples equação: amar mais um pouquinho novamente a fim de aprender "alguma coisa nesta parte do caminho"! Pois que meu irmão quer que eu telefone mais, meus pais me querem menos preocupado, Henrique quer de mim um roteiro (que possa trazer-nos a adolescência de volta!), Jandira quer voar de novo (como já voara um dia...) até à minha Fortaleza da Solidão (com direito a algumas escalas em Paris e em Nápoles) e Isabela quer correr mais vezes em direção ao mar: devo tanta coisa a todos... Devo muito mais ainda a mim e ao meu passado...

Por isso é que, em ano de O Hobbit, As Aventuras de Tintim e de O Cavaleiro das Trevas Ressurge (será este o fim de Batman, tal como se deu no arco "A Queda do Morcegos" nas HQs? Veja o 'trailler' recordista de acessos na coluna ao lado e tire suas conclusões sobre o filme mais esperado do ano), todos com um cheirinho daquela velha e boa magia de meus tempos idos (ô, saudade dos criativos anos 80..), tenho que arrumar tempo também para voltar a amar numa tela escura de cinema... Afinal, não posso fugir de minhas raízes definidoras! A propósito: meu PC também espera de mim a resolução de desocupar 'terabytes' de filmes baixados sem ainda ter sido vistos - até ele precisa de um descanso... Ah, quase me esquecendo: entre uma sessão e outra, entre uma crônica e um roteiro no papel e entre uma aprovação e outra, tenho que ouvir mais meus discos, também muito saudosos de mim...

Então, que venha 2012, sem crises mundiais nem mídias sensacionalistas (sonho distante...), uma vez que o mundo não se acabou... O quê? De acordo com os pessimistas "estudiosos", a tal previsão dos Maias não é para o começo, mas, sim, para o fim do ano, em dezembro de 2012? Ainda há riscos de tudo se acabar?! Ok, sem problema: num ano, prometo, darei conta de tudo! E, no "final" (se ele acontecer logo), ainda darei um jeito, como o bom e velho Super-Homem de outrora, de carregar todos os que amo num trem rumo ao Novo Aeon - deslizando, com Deus, entre brumas de mil magatons... Feliz ano cheio a todos!

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