quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os Downloads do Oscar


Todo ano é a mesma coisa: seja por curiosidade, seja pela vontade de ver um bom filme (o que tem acontecido bem mais nos últimos anos, com uma diminuição de premiações para o cinemão mais comercial norte-americano e com um aumento em relação a filmes realmente independentes e bons), quanto mais a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o Oscar, vai se aproximando, procuro assistir ao maior número possível de indicados até antes do início da festa.

Em razão de estar há quase dois anos longe de uma sessão na sala escura (o último filme a que havia assistido num cinema fora o fraquíssimo Homem de Ferro 2, pouco antes de Isabela nascer), confesso que, nos últimos tempos, essa "Missão Oscar" acabou se tornando uma grande dificuldade em vista de os títulos apresentados até então para 'download' na 'internet' serem de péssima qualidade (normalmente gravados de alguma exibição, o chamado 'screener')! Mas hoje em dia, cavoucando bem, sempre se acham filmes com ótimas imagens - mesmo após a "morte" do Megaupload: assim, venho tendo a sorte de baixar muitos indicados a melhor filme deste ano em cópias de excelente qualidade destinadas, por exemplo, "somente" para membros do SAG Awards ou da própria Academia - nem preciso dizer que não faço parte de nenhum dos seletos grupos citados e acabei vendo os filmes em casa...

O mais recente que pude ver no conforto do lar foi Os Descendentes (indicado a melhor filme, direção, ator e roteiro adaptado), do mesmo diretor/roteirista dos ótimos As Confissões de Schmidt e Sideways, Alexander Payne, que mais uma vez acerta com seu estilo humano de contar histórias: o advogado havaiano Matt King (George Clooney, muito bom, com olhares perdidos e distantes, mas que tem Jean Dujardin como seu mais forte concorrente), diante de acidente que deixou sua mulher em coma, vê-se forçado a romper com sua letargia e indiferença em relação às filhas e a tomar sérias decisões pessoais, mesmo continuando a, pateticamente, não saber como reagir diante das adversidades. Um belo trabalho, sem dúvida, especialmente quanto ao roteiro (adaptado de livro homônimo), que, entretanto, acredito será o seu mais forte candidato ao Oscar, ao lado do roteiro original de Meia-Noite em Paris, foram os dois melhores que vi recentemente (ambos ganharam prêmios do Sindicato dos Roteiristas) - embora corra por fora com fortes chances também em relação a ator e diretor.

Mas nem só de 'downloads' vive este folião cinematográfico que vos fala, caríssimos blogueiros de plantão: aproveitando os preços promocionais e as salas mais vazias dos cinemas durante o carnaval, Jandira e eu deixamos Isabela fantasiada de joaninha na casa da vovó (e também madrinha e foliã) Dilena, e seguimos para adorar a tela grande em nossa espécie de retiro cultural! Posso dizer que, depois de um longo jejum, ver Histórias Cruzadas e A Invenção de Hugo Cabret no cinema, ambos indicados à estatueta dourada de melhor filme, foi um excelente retorno à sala escura!

Confesso que quase não via o filme favorito da amiga e resenhista Ruby por puro preconceito: afinal, aquele pôster de Histórias Cruzadas, além do título infeliz em Português, não me dizia muito do filme e mais me parecia um anúncio de "filme para mulheres", com alguma discussão racial pata inglês ver e feito sob medida para o Oscar... Ledo engano: The Help (o título original diz mais sobre o filme, tanto falando da ajuda das domésticas negras com todos os afazeres nas mansões sulistas como da jovem branca que as ajudará, dando-lhes uma voz contra a opressão) é um filme muito bem feito, que emociona no momento certo e, apesar da narrativa acadêmica, é competente, especialmente pelo competentíssimo elenco feminino (trata-se de um excelente "filme de elenco", onde todas estão bem e fortalecem a condução da trama) que, não por acaso, levou o prêmio do Sindicato de Atores norte-americano. Minhas apostas (confiram a lista inteira abaixo - ATUALIZADA com os vencedores do Oscar 2012 deste domingo, dia 26 de fevereiro) são para o elenco negro, com 2 Oscars: de melhor atriz para Viola Davis, em sua interpretação belamente contida da empregada Aibeleen, que tudo vê e tudo suporta em silêncio - destronando, assim, a Margaret Thatcher de Meryl Streep em A Dama de Ferro; e de coadjuvante para a excelente Octavia Spencer, que acaba roubando a cena (- Eat my shit!) com mais aparições ao longo do filme em defesa dos direitos civis das mulheres negras dos anos 60, no sul racista dos EUA.

Por fim, gostaria de me deter a falar mais desta bela homenagem ao Cinema (que, ao lado de O Artista, acabou por se tornar um dos favoritos à estatueta justamente por voltar no tempo para falar com magia sobre a Sétima Arte), A Invenção de Hugo Cabret, por vários aspectos: primeiro porque, curiosamente, apesar da linda direção de arte (para mim, o favorito ao Oscar na categoria) da rica história narrada com a magia de ótimos efeitos, não foi sucesso nos EUA o conto infantil conduzido com suaves mãos de artesão calejado (no caso, a do "esteta da violência" Martin Scorcese, vencedor do Globo de Ouro como melhor diretor); além dessa grande injustiça, interessante é o fato de uma homenagem ao Cinema pioneiro de George Méliès (e também a vários outros filmes e diretores, em muitas passagens deliciosas que os cinéfilos facilmente identificarão) ter sido filmada em 3D - contrassenso? Na verdade, não: o casamento do clássico com o moderno não poderia ter sido mais perfeito! Afinal, Méliès, o gênio francês por trás de clássicos icônicos como Viagem à Lua, era um vanguardista e o 3D pareceu, aos olhos do veterano Scorcese, uma tecnologia precisa para adaptar a história fictícia do menino órfão e aprendiz de relojoeiro que aprende, além de consertar um autômato, única lembrança do seu pai, a "consertar pessoas", em meio a mil aventuras entre relógios gigantes e inspetores de polícia (Sacha Baron Cohen, engraçadíssimo) numa estação de trem em Paris nos anos 30. Tudo tão gostoso que, desta vez, nem os incômodos óculos 3D atrapalharam! O filme concorre em 11 indicações, incluindo melhores filme e diretor.

Cavalo de Guerra, O homem que mudou o jogo, Tão forte, tão perto e o último trabalho do mestre Terence Mallick, A Árvore da Vida (vencedor do festival de Cannes do ano passado), apesar de aparentarem não ter maiores chances, também estão no páreo e se encontram nalgum lugar da minha já lotada CPU, esperando ansiosamente por uma olhada antes do próximo domingo, quando a Globo mais uma vez desrespeitará os fãs da madrigal premiação, com a apresentação da chatíssima dupla José Wilker/Maria Beltrão e seus intermináveis (e insuportáveis) bigbrothers a cortar mais da metade da festa, e a TNT, mesmo com Rubens Ewald Filho, aborrecerá bastante com as inoportunas traduções em desalinho, que mais atrapalham do que informam... Bom, quem sabe, então, eu não consiga "baixar" a cerimônia depois, nalgum 'site' de compartilhamento sobrevivente, com qualidade BD-RIP em HD, legendas em Português, e a veja na hora que eu bem entender, diretamente do meu PC...?

Minhas Apostas
ATUALIZADAS
com os vencedores do Oscar 2012


Melhor filme:
"O artista"
Diretor
"Martin Scorcese - "A invenção de Hugo Cabret"
Michel Hazanavicius - "O artista"
Melhor ator:
Jean Dujardin - "O artista"
Ator coadjuvante
Christopher Plummer - "Beginners"
Melhor atriz
Viola Davis - "Histórias cruzadas"
Meryl Streep - "A Dama de Ferro"
Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer - "Histórias cruzadas"
Melhor roteiro original
"Meia-noite em Paris"
Roteiro adaptado
"A invenção de Hugo Cabret"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Melhor animação
"Rango"
Trilha sonora original
"O artista" - Ludovic Bource
Canção original
"Real in Rio", de "Rio", música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett
"Man or Muppet", de Os Muppets (Bret McKenzie)
Maquiagem
"A Dama de Ferro"
Direção de arte
"A invenção de Hugo Cabret"

Fotografia
Janusz Jaminski - "Cavalo de Guerra"
"A invenção de Hugo Cabret"
Figurino
"Jane Eyre"
"O artista"
Documentário (longa-metragem)
"Hell and Back Again"
"Undefeated"
Documentário (curta-metragem)

"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"Saving face"
Edição
"A invenção de Hugo Cabret"
Melhor filme em língua estrangeira
"Separação" - Irã
Curta-metragem de animação

"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"
Curta-metragem
"Pentecost"
“The Shore”
Edição de som
"Cavalo de Guerra"
"A invenção de Hugo Cabret"
Mixagem de som
"Cavalo de Guerra"
"A invenção de Hugo Cabret"
Efeitos visuais
"A invenção de Hugo Cabret"

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carnavais Cinematográficos

(e suas canções inesquecíveis...)


"Manhã, tão bonita manhã/ Na vida, uma nova canção/ Cantando só teus olhos/ Teu riso, tuas mãos/ Pois há de haver um dia/ Em que virás"... O oscarizado Orfeu Negro (em tese, o único prêmio Oscar do Cinema nacional, uma vez que o vencedor como Melhor Filme Estrangeiro de 59 é uma co-produção Brasil/França), sem dúvida, envelheceu, mas a canção que o imortalizou mundo afora, "Manhã de Carnaval", continua melodicamente bela, a idealizar um carnaval suave de amor eterno... Um pouco diferente dos 50 beijos diários das "ficadas" em cada bloco perdido por este País de hoje em dia, onde carnaval dura o ano inteiro, em intermináveis, comerciais e infelizmente sem-graça micaretas!

Mas, além de poético (hoje em dia, à sua maneira bem peculiar...), o carnaval sempre teve mesmo algo de cinematográfico: e, enquanto a Academia ignorou a simpática e redondinha animação Rio, do brasileiro Carlos Saldanha, envolvendo o tema junto a um casal de ararinhas azuis, pelo menos elencou Sérgio Mendes e Carlinhos Brown para a premiação do Oscar deste ano na categoria "Melhor Canção" por este filme - que só perderão se os membros daquela instituição estiverem com um xenofobismo revoltado, uma vez que, além da divertida canção brasileira "Real in Rio" (curta essa bela canção logo abaixo), há apenas mais um concorrente, a chatinha "Muppet or Man", do mais novo filme dos adoráveis bonequinhos do falecido Jim Henson.

Mas nem só de Oscar vive fevereiro e, uma vez que os Morcegos andam "foliões cinematográficos", nada mais justo do que celebrar a Folia de Momo com a lembrança de um "clássico" do nosso Cinema: em Quando o carnaval chegar, nosso Poeta-Maior da MPB, Chico Buarque, além de compor e interpretar magistralmente quase todas as canções deste gostoso musical "à brasileira" genialmente improvisado por Cacá Diegues, legítima homenagem "tropicalista" às nossas antigas chanchadas, ainda "atua", mesmo que timidamente, ao lado de Maria Bethânia (alma de atriz desde cedo...) e Nara Leão! A "trama" gira em torno de encontros e desencontros de um grupo de artistas mambembes, que se prepara para um espetáculo realizado por um empresário picareta.

A canção-tema deste delicioso filme brasileiro diz respeito a alguém que espera sempre pelo momento certo de fazer algo, quase como a "promessa nunca cumprida" do Brasil como um grande País! Ou de todos nós, que nos "guardamos" para, um dia, "brilharmos" em todo o nosso potencial em nossos sonhos acalentados - sem dúvida, um dos grandes poemas-canções do mestre Buarque: Eu ‘tou só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar/ 'Tou me guardando pra quando o carnaval chegar... Vamos vendo (veja você também: ria e chore com a seção "Os Outros Carnavais", na coluna lateral)! Vendo, por exemplo, as comédias e tragédias deste nosso Brasil desesperadamente feliz... Nem que seja por apenas 3 dias (ou enquanto durar o nosso estoque cinematográfico de samba, suor e cerveja para o resto do ano!)...


Diferentes sambas, grandes alegrias: dê o 'play' e ouça Chico cantando o clássico "Quando o carnaval chegar" e, ao lado, a novidade do filminho 'made in USA' sobre o carnaval no Rio de Rio: We are the best at rhythm and laughter/ That's why we love carnaval (...) Magic could happen for real, in Rio/ All by it self/ You can't see it coming/ You can't find it anywhere else/ It's real, in Rio
("Real in Rio", de Rio, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown; letra de Siedah Garrett)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Todos os Bonds...

Recentemente, depois da postagem Believe it or not..., descobri que era eu o "extraterrestre", por conhecer (e curtir) o (nem tão famoso assim) seriado oitentista Super-Herói Americano... Mas, tão logo tomei conhecimento dos 50 anos do espião mais famoso do Cinema, perguntei-me se alguém, por acaso, confundiria o personagem ou a franquia com algum filme policial visceral cheio de continuações à lá Máquina Mortífera ou se equivocaria com outra franquia famosa dos anos 80, como os da série do Indiana Jones (se bem que Spielberg confessou seu fascínio pelo tal espião quando do lançamento de Caçadores da Arca Perdida)...

Acho que não: afinal, James Bond... Todo mundo conhece, né? Pode até desconhecer o fato de que, desde a primeira adaptação para o Cinema, em 1962, do personagem literário de Ian Fleming, já tenham sido feitos 23 filmes (O Satânico Dr. No; Moscou contra 007; Goldfinger; 007 contra a chantagem atômica; Com 007 só se vive duas vezes; 007 a serviço secreto de Sua Majestade; Os diamantes são eternos; Viva e deixe morrer; O homem com a pistola de ouro; O espião que me amava; 007 contra o foguete da morte - o pior de todos! -; Somente para os seus olhos; Octopussy; 007 na mira dos assassinos; 007 marcado para a morte; Permissão para matar; GoldenEye; O amanhã nunca morre; O mundo não é o bastante; Um novo dia para morrer; Cassino Royale; Quantum of Solace e Nunca mais outra vez, filme "extra-oficial", fora da série produzida por Saltzman e Broccolli), com vários astros vivendo o espião mais famoso do Cinema (Sean Connery - para mim e para a maioria, o melhor -, Roger Moore, George Lazemby - um estranho desconhecido... -, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig - o mais humano) e inúmeras 'bondgirls' (aquelas que são parceiras na aventura e na cama... Minhas favoritas são as belas modelos Barbara Bach (Anya Amasova, de O espião que me amava) e Eva Green (Vesper Lynd, de Cassino Royale)... Mas qualquer mortal sobre a face da Terra já viu pelo menos um filme e já ouviu, alguma vez, a célebre frase "Meu nome é Bond... James Bond"...

Sou fã do personagem e da série - embora jamais tenha lido um romance do Fleming... - e, apesar de gostar um pouco de todos (desde algumas abobrinhas pirotécnicas datadas das décadas de 60/70 até os mais verossímeis e atuais), tenho como meus favoritos Moscou contra 007, O espião que me amava e Cassino Royale. Aguardo ansiosamente o novo filme da franquia, Skyfall, que promete bastante para este ano, com um super-elenco que inclui nomes como Javier Bardem, Ralph Fiennes e Albert Finney... Mas, enquanto outubro não chega, foi lançada recentemente, em comemoração aos 50 anos do personagem no Cinema, uma coleção para ninguém botar defeito: todos os filmes do espião pela primeira vez em 'blue-ray', numa luxuosa embalagem, com mais de 130 horas de material adicional (os deliciosos "extras")... Mas, enquanto espero o preço baixar, o melhor é matar as saudades com a excelente edição dos comerciais deste imperdível 'box' comemorativo desta legítima instituição cinematográfica - Bond; todos os Bonds...



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Artista
Meia-Noite em Paris



Não, você não leu errado: não falta a crase "à" antes de meia-noite, porque não se trata de uma frase no título desta postagem, mas, sim, de um junção dos dois títulos dos últimos filmes a que pude assistir, dois dos melhores que pude ver nos últimos meses - simples assim.

Primeiramente, o mais "badalado": também pudera - O Artista, produção franco-americana com elenco principal francês e elenco de apoio formado por astros norte-americanos (John Goodman, Penelope Ann Miller, James Cromwell e uma injusta e quase imperceptível participação de Malcolm McDowell numa ponta), é um filme em preto e branco e mudo - justamente na era em que George Lucas mais uma vez enche de parafernálias a sua saga nas estrelas e lança tudo em 3D nos cinemas! Difícil de crer que tal filme, uma gostosa, divertida e inteligente homenagem aos tempos áureos finais do Cinema mudo e a sua transição para os 'talkies' (mesma temática de outro clássico, Cantando na Chuva, porém bem diferente do genial Musical) possa estar arrebatando tantos prêmios importantes, como o Globo de Ouro de Melhor Filme para Comédia ou Musical e o Critic Choice Award de melhor filme deste ano.

Mas justamente por isso, pela simplicidade ao contar uma história simples (astro do Cinema dos anos 10/20 entra em decadência e vê toda a sua vida desmoronar com o fim dos filmes mudos enquanto uma ex-corista e antiga fã sua cresce no estrelato dos "falados"), é por onde o filme mais agrada. E não se engane quem pense que há uma supervalorização da "atração" do preto-e-branco ou das homenagens ao Cinema antigo - elas existem e estão lá para quem as conhecer - o galã e sua semelhança com Douglas Fairbanks Jr., inclusive com trechos de A Marca de Zorro, de 1920; os enquadramentos dos personagens como nos filmes antigos; as homenagens diretas a Cidadão Kane, na famosa cena da mesa de café, e a Um corpo que cai, com o perfeito aproveitamento do "Tema de Amor" de Bernard Hermann pelo compositor Lucovie Bource, tal como o fez Nino Rota com temas de filmes antigos em Amarcord... Mas não são elas a essência da coisa toda: a bela história de amor platônico e amizade acaba conquistando a todos até o final redentor, com a descoberta do poderio dos musicais, que dominariam a Era da Depressão nos anos 30 norte-americanos, com um delicado toque derradeiro de poesia metalinguística... Sem dúvida, um belo filme!

E agora, o meu diretor favorito vivo, Woody Allen: em Meia-Noite em Paris, Woody volta à sua melhor forma como roteirista de comédia com fantasia desde o inesquecível A Rosa Púrpura do Cairo (1985). Exagero meu? Não, de forma alguma: a perfeita sincronia entre a história de um casal que se descobre sem muito em comum às vésperas do casamento, em Paris, e a libertação do protagonista (um contidíssimo Owen Wilson, em mais uma personificação "woodyaleniana" do diretor) em meio à descoberta de uma "fenda no tempo" que, sempre à meia-noite, leva-o aos dourados anos 20 parisienses, com a presença então efervescente de artistas geniais, como Picasso, T.S. Elliot, Scott Fitsgerald, dentre outros (impagáveis as cenas que brincam com os estereótipos sobre as loucas visões surrealistas de Dali, bem como com o "fulgor viril e caçador" de Hemingway), são um mote adoravelmente sensacional, mesmo para os não-introduzidos no Cinema de Allen.

Com um roteiro redondo e enxuto (nada mais que 1 hora e 30 minutos, sendo 3 minutos e meio de "abertura" inteiramente dedicados a vários lindos pontos da amada Paris de Allen), porém preciso, a história do roteirista de Hollywood que "cura" a sua "Síndrome da Era de Ouro" (aquela em que o indivíduo nunca está satisfeito com sua época e se imagina feliz somente se em outra, no passado) é contada com genial maestria e faz a gente pensar ao final da sessão: até podemos sonhar e viver o sonho, mas sempre haverá a hora de saber voltar... Afinal, nos anos 20, "eles não tinham antibióticos, nem anestesia", lembra-nos o pesadelo do protagonista de Meia-Noite em Paris.

São os dois maiores concorrentes ao Oscar deste ano que pude ver graças aos últimos dias da "Internet Livre" (até a "morte" do Megaupload e seus congêneres): para a inveja de muitos, assisti a O Artista antes de sua estreia nacional, na próxima sexta, dia 10 de fevereiro... E pude baixá-los no meu PC em cópias de boa definição (a de O Artista, por exemplo, era a de demonstração para os membros da Academia de Hollywood!) e, o melhor, vê-los em meu horário louco... Quem sabe ainda consiga arrumar um jeito de ir ver Os Descendentes na sala escura - coisa que não faço há cerca de dois anos - ou de alugar em vídeo o sempre profundo Terence Mallick em A Árvore da Vida?

Faltou alguma coisa nalgum dos dois filmes? Talvez um pouco mais de profundidade à personagem Pepy, vivida pela bela Bérénice Bejo (esposa do diretor Michel Hazanavicius) ou um tanto mais de humor nalguma sequência do filme de Woody Allen... Torço por O Artista para o Oscar de melhor filme e para Meia-Noite em Paris como melhor roteiro original (sem falar no belo desempenho do comediante Jean Dujardin em seu dramático papel - seria o "ano da França" no Oscar?!). De qualquer forma, já tive minha cota de filmes bons com esses dois títulos e fico feliz por isso! E ambos se baseiam na simplicidade de ideias geniais. Complexo? Não, a vida, apesar de quase sempre insatisfatória, é bela porque é mesmo baseada nas coisas mais simples... Como a alegria bem forjada de ver um bom filme...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ela, O Tempo
E Os Filmes Fora de Época...


Todos já estão vestidos a caráter! E, pelo menos neste filme, espero que você não cochile em nenhum minuto!

Olha só que interessante (especialmente pra você, que me ensinou as primeiras noções sobre Informática, lá atrás, quando entrou na UFMA no curso Ciências da Computação): recentemente, descobri uma traquitana interessante entre as ditas 'gadgets' do Blogspot, o "Postagens Mais Populares", um espaço facilmente acrescentável onde o próprio 'site' disponibiliza, automaticamente e de acordo com o número de visualizações que referido 'post' teve no blogue, uma lista, pela ordem, com os assuntos mais visitados - e adivinha qual foi o mais visitado/visualizado? "Snoopyyyy..." "Ei, meu amigo Charlie Brown", de quase 2 anos atrás, seguido de outras crônicas igualmente saudosistas sobre alguns personagens de tempos idos (coluna abaixo deste 'post')...

Não sei se você notou, mas o curioso de tudo isso é que, tal como se deu com a quase totalidade dos 'posts' do mês de janeiro, as postagens mais populares dos Morcegos estão sempre a divagar sobre o tempo, este monstro de mil faces a nos cobrar tanto a cada dia... Sim, eu sei o quanto eu devo ainda a ele (e, de certa forma, a você também...), mas até você tem que admitir: quem sempre acaba salvando o dia é a Poesia, que este deus Chronos não consegue atropelar e acaba por deixar entrever pelas suas frestas... Ainda mais quando este tempo é vivido de perto, personificado numa garotinha que já cresce (e pula e diz as vogais e conta até 10 e já ensaia dançar...) com as próprias perninhas grossas...

A propósito, nem sei se você soube, mas não sou o único saudosista por aí: afinal de contas, quando se lê que já refilmaram ou estão bem perto dos 'remakes' de Um Robô em Curto-Circuito, Evil Dead - A Morte do Demônio, Karatê Kid e ainda por cima cogitam transformar De volta para o futuro em musical para a Broadway é de se pensar, né...? Estamos velhos... E, o que é pior, eles estão mais velhos ainda: do tipo mesmo "gagá", com criatividade quase nenhuma para algo novo de bom! E correm para fazer o de praxe: revirar nossos baús à procura de ouro para tudo converter em lixo moderno e bem mastigadinho (ou "reciclado", como queiram)... Sem esquecer algumas continuações campeãs de vergonha alheia, como o último (e quase senil) Indiana Jones...

Pelo menos ainda não mexeram naqueles "clássicos dos anos 80 por excelência", por exemplo, aquelas pérolas do John Hughes (falecido em 2009) da sua infância e adolescência, como A Garota de Rosa-Shocking, Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões... E, o maior de todos, Curtindo a vida adoidado! Tudo bem, eu sei que você leu vários boatos de que fariam uma continuação deste último, com Ferris Bueller nos dias de hoje como um importante homem de negócios e etc., mas, acalme-se: acho que, pelo menos nesse caso, eles enxergaram o bom senso e apenas fizeram um genial comercial de homenagem (no caso, o novo CR-V, da Honda: não deixe de conferir logo abaixo), recheado de referências e metalinguagens àquela pequena obra-prima de 1985!

Saudosa desse tempo? Claro, mas não de forma melancólica, né? O tempo jamais brigou com você: até quando ele lhe foi mais duro, você soube permanecer e se levantar (que bom que ao meu lado...). Na verdade, ele fez um acordo com você: enquanto eu beiro os 100 quilos e a calvície segue avançando, você continua como se ainda com os 15 anos lá de trás, de quando a conheci... Sem mencionar a sua "sabidoria", que paira acima do tempo e envolve todo mundo em volta, que a admira e a segue, independente de qualquer estúpida rede social (de que nem toma conhecimento)! Está mais bonita, é verdade, especialmente depois da maternidade - o tempo parou para saudá-la, sem dúvida alguma...

Porque hoje o tapete vermelho está estendido para você, meu bem: um feliz aniversário cinematográfico para quem tira de letra a superprodução mais simples de cada dia e me ensina, o tempo todo, que este nunca pára e a gente tem sempre que seguir em frente... Parabéns, Jandira!


"A vida passa rápido demais. E se você não parar de vez em quando para vivê-la, vai acabar perdendo o seu tempo..."
Tempo bom não volta mais... Ou será que volta? Para que fazer continuação ruim se um comercial inteligente já ajuda a matar a saudade? O ator Matthew Broderick, imortalizado no papel de Ferris Bueller (até hoje assim abordado nas ruas!) do "clássico" Curtindo a Vida Adoidado (1985) transforma-se no próprio personagem na mais nova campanha para a Honda.

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