segunda-feira, 22 de setembro de 2014

20 Anos de Amizade

20 anos de Friends e 10 anos sem eles...

“Então ninguém disse que a sua vida seria assim:/
Seu emprego é uma piada, você está sem grana, sua vida amorosa morreu antes mesmo de começar?/
É como se você sempre estivesse emperrado na segunda marcha/
Quando não é mesmo o seu dia, sua semana, seu mês ou até o seu ano.../
Mas eu estarei ao seu lado...”

Estava tudo lá (inclusive as famosas 5 palmas): a já clássica música da abertura, I'll be there for you, dos Rembrandts, grupo do comecinho dos anos 90, substituía com muito mais vida a até então preferida para o show, Shiny Happy People, do R.E.M., e anunciava o tom festivo que permearia uma das séries de televisão mais descoladas de todos os tempos – Friends completa hoje 20 anos e os Morcegos, viciados que sempre foram numa boa série cômica, preferindo mil vezes rir de Super-Herói Americano a Two And a Half Men a ter que aturar os dramalhões dos Grey's Anatomy e Revenge ou as mirabolantes aulas de perícia policial dos intermináveis C.S.Is e seus congêneres, vêm render suas homenagens às "coisas engraçadas do amor entre amigos”!
Igualmente uma sitcom urbana sobre o dia-a-dia de amigos novaiorquinos (apesar de filmada inteiramente em estúdio, na Califórnia), Friends parecia, quando de sua estreia naquele longínquo 22 de setembro de 1994, um mero "subproduto mais jovem" do predecessor Seinfeld (1989/1998). Com o tempo, entretanto, os seis amigos recém-saídos da faculdade (exceto Joey e Phoebe, é claro), que dividiam os trancos e barrancos das novas vidas por si próprios, mostraram a que vieram ao evidenciar seu estilo próprio, acrescentando aos ingredientes em comum com a famosa "comédia sobre o nada" anterior (grupo de amigos sempre juntos, cada um com seu tipo cheio de personalidade e manias, que se reúnem num apartamento e numa lanchonete e tentam resolver as picuinhas do cotidiano) um ritmo todo próprio e especial... E assim, entre situações hilariantes e emocionantes, trouxeram um novo tom pra o formato, entre a comédia deslavada e as pequenas tragédias pessoais de leves dramas, e assim sustentariam incríveis 10 anos de popularidade absoluta! 
Partindo da premissa de uma jovem patricinha mimada (Jennifer Aniston, a Rachel) que, depois de ter abandonado o noivo no altar, larga a vida segura e vai encarar a dureza de arrumar emprego e morar com antiga colega do colegial, uma ex-gorda obsessiva por organização e ‘chef’ de cozinha (Courteney Cox, a Monica), que é irmã de um paleontólogo abobado e sensivelmente ‘nerd’  (David Schwimmer, o Ross) e é amiga de uma riponga maluquinha e avoada (Lisa Kudrow, a Phoebe) e de um sarcástico processador de dados piadista (Matthew Perry, o Chandler), que, por sua vez, divide as despesas do apartamento "do outro lado do corredor" com um ator canastrão e mulherengo (Matt LeBlanc, o Joey), tudo isso numa cara e esquizofrênica Nova Iorque, aqueles "amigos como nós" fizeram História na Televisão mundial.
E uma das coisas que mais mexeram com o grande público, aumentando a calorosa intimidade com os personagens "seis em um", foi a ligação real que se formou entre aqueles astros também por trás das câmeras: sim, eles eram amigos de verdade! A fama de “o primeiro programa verdadeiramente conjunto” de todos os tempos (assim batizada pelos criadores da série, David Crane e Marta Kauffman) esticou suas raízes até para fora do show – se todos eram os amigos que qualquer um gostaria de ter na TV, na vida real a união era tanta que até as negociações salariais eram igualitárias e algumas atrizes (Courteney e Jennifer) chegaram a se tornar comadres!Desde a sua fantástica estreia até o último, badalado e 'cult' episódio (onde cada ator ganharia um milhão de dólares por episódio, fora ‘royalties’), todos eram igualmente protagonistas, tendo sido cada um dos seis hilários amigos muito bem individualmente delineado, com o mesmo grau de importância, nos dez anos que foram ao ar. 
A primeira temporada, normalmente fraquinha e ainda em fase de teste para definir o ritmo que uma série vai tomar, no caso de Friends, não só estabeleceu bem s bases de cada personagem e suas esquizofrenias novaiorquinas típicas como também o amplo espectro em tramas pessoais possíveis (como o namoro entre Ross e Rachel, por exemplo, que, entre inúmeras idas e vindas, permeou a série inteira até o esperado final feliz), e apostou de cara, apesar do inteligente e rasgado bom humor de sempre, em temas sérios do cotidiano, como o desemprego em meio à recessão (volta e meia, um dos amigos estava na pindaíba...) e o lesbianismo – que, apesar de ter “vitimado” de forma traumática o primeiro casamento de Ross, rendeu grandes e divertidas confusões quanto ao filho que o “casal de três” teria! Desta forma, logo o primeiro ano foi pródigo em episódios geniais! Por isso, mesmo sendo tão difícil para um fã elencar os melhores programas de uma série querida, é desta fase que a maioria dos meus favoritos aflora – curiosamente, foi única temporada que eu comprei em DVD, dado o fato de o programa até hoje estar no ar, em vários horários!
Para ficar só com alguns, tem aquele do jogo de hóquei onde, depois de uma “discada” na cara, um vitimado Ross ao lado de Chandler e Joey vão parar na Emergência (“Aquele com George Stephanopoulos”); tem também aquele em que Chandler, sem querer, vê os seios de Rachel quando esta saía do banho (“Aquele dos seios”); aquele outro em que Joey se apaixona pela irmã gêmea de Phoebe (personagem emprestado de Louco por Você – “Aquele com duas partes”); e aquele em que Chandler revela acidentalmente que Ross é apaixonado por Rachel no dia do aniversário desta (“Aquele em que Rachel descobre”) é clássico... Ah, essa coisa do "aquele isso” ou "aquele aquilo" não é invenção de quem se esqueceu dos nomes dos episódios, não: como os títulos dos episódios não seriam apresentados nos créditos de abertura, os produtores criaram o formato "The One with...” ou “The One where...” – "aquele com..." ou "aquele onde...", em bom Português, adaptando o etilo coloquial dos personagens (afinal, quem não se lembra da abordagem de Joey pra lá de informal e “chegada” junto às mulheres: “How you doing?”...). Sem esquecer os personagens secundários inesquecíveis que já davam suas caras nessa primeira fase, como o apaixonado barista Gunther e, "oh-my-god", Janice!
Largamente premiado (além do seriado em si, que arrebatou, dentre dezenas de outros prêmios, 1 Globo de Ouro, 1 SAG Award e 5 Emmy, seus intérpretes sempre levavam uma láurea pra casa como melhor comediante) e criando formatos e parâmetros para a estética televisiva que influenciam até hoje várias outras sitcoms – como o igualmente "novaiorquino", ótimo e já extinto How I Met Your Mother – Friends é desses marcos únicos que, de tão sensacionais, atraem não só audiências milionárias como também inúmeras celebridades a desejar ardentemente nem que seja uma ponta num episódio: se Julia Roberts, George Clooney e Brad Pitty eternizaram hilárias pequenas aparições, astros como Sean Penn, Bruce Willis e Tom Selleck viveram personagens por um bom tempo... Sem dúvida, um ícone da cultura 'pop' mundial, que, não importando quanto tempo passe, continua divertido e segue cativando seus já cativos seguidores e conquistando novos fãs a cada vez que é exibido, mesmo tantos anos depois de seu término (algo parecido com outro fenômeno televisivo, Chaves, atração mexicana igualmente reprisada à exaustão até hoje, mesmo depois de mais de 40 anos)!
Tudo bem, não foi perfeito: bem aquém da genialidade existencialista de Seinfeld e suas filosofias e análises debochadas do comportamento humano, Friends ainda foi prejudicado por um "final" um tanto quanto "noveleiro", com as últimas temporadas extremamente fracas, com muito drama e romance em torno dos casais Monica/Chandler e Rachel/Ross e forçações desnecessárias que atrapalharam o ritmo da comicidade (como as inúmeras gravidezes mostradas e cansativas paixonites fora de hora – como os "romances" entre Joey e Rachel), com tudo beirando um novelão de resoluções entre os seis amigos até a décima e última temporada, onde a melancolia da despedida anunciada parece ter, enfim, atenuado a baixa qualidade derradeira... De qualquer forma, a série já havia causado seu impacto cultural em volta do globo e aquele famoso sexteto já era íntimo de todo mundo como amigos reais e suas idiossincrasias deliciosas, como o "corte da Rachel" (que a Jennifer odiava!), o sofá alaranjado, as gírias e as expressões debochadas...

Bom, mas isso já é assunto pra outras conversas! De preferência, uma bem animada num bom "café contra insônia" no Central Perkrindo das piadas de Chandler – que Joey não vai conseguir entender – com a linda Rachel servindo pedidos trocados e ao lado das ótimas companhias de Monica e Ross Geller, ouvindo um adorável som “estranho” composto e cantado por Phoebe (Smelly cat, smelly cat...)... Uma pena que, mesmo com a maioria do elenco original sem muito sucesso em trabalhos recentes (como Matthew Perry e suas fraquinhas e canceladas Mr. Sunshine e Go On e Lisa Kudrow e sua insossa e tediosa Web Therapy), parece haver um consenso entre os eternos astros do sexteto de que um Friends Reunion não deve acontecer e que qualquer boato a respeito não passa de um desesperado apelo dos fãs mais empedernidos... Melhor assim: acho que não ficaria legal ver um Joey grisalho assediando moçoilas ou um Chandler de meia idade e cheio de responsabilidades com as crianças a repetir suas piadinhas a torto e a direito! Assim, as inúmeras, porém fiéis e adoráveis reprises no canal Warner mantêm essa galera viva e num eterno gostinho de tal como era antes, nessa adorável e perene cumplicidade entre fãs e série cultuada: pra ficar pra sempre emoldurado na memória o "era uma vez em West Village"... Eternamente amigos!
Para Iza Galiza, amiga que naquele "fatídico" 2004 chegava ao escritório em que trabalhávamos juntos quase aos prantos pelo fim da série adorada, enquanto eu ainda estava na segunda temporada (e dublada!) no SBT...

sábado, 13 de setembro de 2014

Azulejos Replicados


Acho que já falei demais de São Luís por aqui, já homenageei muito esta Ilha em seus aniversários, tanto virtual como pessoalmente, namorando-a até mais do que deveria acompanhado de minha namorada ou sozinho... Não digo que dela cansei, porque estaria mentindo: a mão chegou a coçar em direção ao teclado no feriado da última segunda, dia 8, 402 anos da Cidade, mas resisti em meio ao ocaso do dia, com tantas responsabilidades... Sim, tenho mais o que fazer!

Até pensei em levar os meninos todos numa jornada de conhecimento: "eis, meus filhos: do alto destes casarões em ruínas, quatro séculos vos contemplam"... Afinal, foi num 8 de setembro que a primogênita realizou seu primeiro passeio oficial com a família, com pouco mais de 3 meses de vida - até vovô e vovó foram com ela matar saudades dos velhos tempos na Dom Pedro II! Mas não, desisti antes mesmo de planejar: agora seriam três meninos, com dois de apenas 4 meses e uma mocinha já em seus quatro anos de vontade de abarcar o mundo com as pernas ligeiras: muita mão de obra! Então uma volta rápida com a mais velha, bastando um vento da Litorânea no rosto e uma passadinha pelo Centro Histórico, com a desculpa de ir comprar figurinhas numa banca por lá, enquanto ia mostrando o casario colonial pra ela... Não: preferimos ver (e rever) em casa a linda Ponyo, na TV, pela(s) primeira(s) vez(es). Fica pra próxima!

Mas não tem jeito: os dias vão passando e eu, que tanto fugi do romantismo à flor da pele da Ilha e do costumeiro ritualismo poético da data cabalística, acabo cedendo a esta paixão irresistível! Sim, São Luís está acabada, nossos representantes defecam por ela e seus bêbados urinam pelas escadarias históricas sem banheiro público; os casarões caem sem testemunhas e seu povo cresce cheio de carros sem ruas... Mas, Deus, como aqui tem Poesia e amor! Melhor: como diria aquela canção que por tantas vezes já tentei esquecer, "o amor nasceu aqui"...

E assim, em meio a esquecimentos, eu me lembro de um souvenir perdido no tempo do meu escritório em eternas ruínas: arrumo-o, então, aproveitando o feriado municipal, com esmero - afinal, preciso desse cantinho da casa para viver, uma vez que nele reside parte do meu trabalho (do profissional e do ofício amador da escrita) e a quase totalidade das minhas coleções. E assim surge, dentre as profundezas, um azulejo decorativo com uma base de madeira de suporte, ainda enrolado em plástico-bolha, dentro de um saco com fita, com o qual presentearia um amigo em Pernambuco. Entretanto, como a viagem furou e a cobiça pessoal por tão belo relicário falou mais alto, a réplica de um jogo original de 4 azulejos coloniais portugueses (imagem no topo), que revestiam a escola onde ele e eu estudamos juntos na infância, foi para a mesinha do meu computador...

E neste sábado cheio eu me esvazio com uma caipirinha caseira - sem tiquira, entretanto - enquanto fervem as mamadeiras de mais uma jornada poética madrugada adentro (hoje, bem mais calma...): a minha mocinha com a minha mulher numa festinha infantil e a tela a me cobrar satisfação de uma semana que se encerra sem que eu fale da Capital centro do meu mundo... Permaneço olhando para a imitação do azulejo que me guarda na História e a ladeira da Rua da Inveja até  Cafua e o Convento das Mercês, passando pela Fonte das Pedras, com a melancólica Beira-Mar logo ali, pertinho da Praia Grande secular e hoje cheia de relicários e diversidades, surgem com suas mágicas encantarias... Viajo (que diacho): decididamente, não dá pra passar um ano sem me lembrar! Agora não tem mais jeito, pra nunca mais me deixar esquecer: São Luís fica aqui, logo em frente, com sua Poesia maior enamorada do Maranhão em resumo e sua riqueza de detalhes replicados bem ao alcance da visão...


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